A maratona

Quando amamos muito alguém, inventamos diversos motivos – dos mais plausíveis aos mais incompreensíveis – para fazer com que eles fiquem. Queremos tanto estar com a pessoa que simplesmente imploramos – nas mais variadas situações – para que elas não partam de nossas vidas. Nos agarramos aos mais insignificantes detalhes e os transformamos em grandes acontecimentos. Tudo para continuar vivendo uma ilusão. A de que somos amados. Como se ser amado por quem não nos ama fosse o que mais importasse no mundo.

Pedimos tanto para que elas fiquem. Só mais uma noite, só mais uma semana, só mais uma despedida. Fica, vai ter bolo! Acontece que não importa o banquete que você prepare, elas sempre partem. E na grande parte das vezes, partem sem olhar para trás. E nós ficamos por aqui, esperando que, por um acaso do destino, elas decidam espiar o passado e, magicamente, se deem conta de como somos especiais e de como valemos a pena o esforço. Como se todas as nossas relações só fizessem sentido se houver muito “esforço” envolvido.

Por que sentimos essa necessidade de ser amada por alguém que não conseguiu nos amar como nós o amamos? Qual o sentido de querer despertar o sentimento do outro que simplesmente não foi despertado por nosso amor? Por que insistimos em escrever capítulos de histórias que já acabaram – ou nem mesmo começaram? Por quais motivos ansiamos por fazer esses outros felizes se eles nem sequer se importam com a nossa felicidade? O que nos faz pensar que eles voltarão atrás? Parece que precisamos sempre lutar para provar que merecemos ser amadas.

Talvez por tudo isso tenhamos a constante sensação de que estamos emocionalmente esgotadas. Como se tivéssemos corrido uma maratona. Mas por que, afinal, precisamos correr atrás do amor? Por que ele que não bate na nossa porta? Por que somos sempre nós a fazer as visitas e esperar que ele, espontaneamente, nos convide para entrar? Por que nos submetemos a essas ginásticas emocionais para caber em amores pequenos?

Nestes últimos anos corri como uma grande maratonista em busca do amor. Pedi que ficassem. Implorei para que não fossem embora. Rezei para que me enxergassem. Por outro lado, enxerguei o que não havia. Tudo, tudo em nome dele. E, no fim das contas, não faço a menor ideia para onde e porque tanto corri. Qual a vitória, afinal? O que acontece na linha de chegada?

Se a condição do amor é correr atrás dele, pode dizer que eu não me inscrevi nessa maratona. Ele que se inscreva e corra atrás de mim.

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