Imagem de um diamante quebrado (Foto: Free Images)A tela do celular trincada depois de uma queda. Uma folha amassada. Um brinquedo quebrado que, infelizmente, não tem mais conserto. Uma roupa que já está pequena demais. O sorvete que caiu no chão. Coisas sem volta. Coisas que você tem que aceitar que, por muitas vezes, não fez por onde evitar. Até porque, em certos pontos você simplesmente não entende a dimensão. Vai levando, deixa acontecer, se permite exceder os limites, apela para as desculpas, se perdoa inúmeras vezes, vive sempre na linha tênue do que é permitido. E então, veja só, a corda arrebenta. Você não sabia, mas aquilo se chamava confiança.

Eu também não sabia. Levava no malabarismo as outras pessoas. Testava, jogava, deixava que o humor do dia me dissesse até onde o relacionamento iria. Até que nos meus anos dourados, uma coordenadora do colegial entrou na minha sala, sempre muito rebelde, e reclamou do comportamento da turma. Decepcionada com os alunos, disse que tínhamos traído a confiança dela. Até aí, você leva na esportiva. Sempre dá para recuperar a reputação, a intimidade, a segurança. Mas ela deixou bem claro que não dava para voltar atrás. Tínhamos quebrado a confiança, que, como um diamante jogado no chão, estava trincada. E aí, dava para juntar os pedaços? Podíamos até tentar colar os fragmentos, montar o quebra cabeça, improvisar daqui, ajeitar de lá. Mas não tinha jeito, aquilo estava rachado. Você consegue lidar? Aquela frase ficou apitando na minha consciência: um diamante chamado confiança. Você tem que cuidar. Dar valor. Se importar, procurar sempre guardar. É viver correndo de um lado para o outro, fazendo de tudo para ele não cair. Cansa, mas dignifica. E como!

Nunca entendi bem aquelas pessoas que vivem quebrando a confiança. O que lhes falta? De onde vêm? Para onde vão? O que fazem? Como lidam com isso? Não consigo compreender quem a troca pelas suspeitas, sempre tão amargas. Ou pelas dúvidas, sempre tão angustiantes. Elas conseguem viver assim? Como é passar tanto tempo nesse limbo emocional? Não assimilo muito bem quem sobrevive dessa forma, quebrando inúmeros diamantes ao longo dos anos. É tão difícil assim entender que uma vez que se quebra não há como voltar atrás? Quanto tempo falta para perceber que não é possível dar uma rasteira e esperar que o outro não sinta a dor do tombo? E o pior, como não se sensibilizar com a decepção do próximo? Aquela história: muita gente colecionando pedra. E pouca gente conquistando diamantes.

Sempre me disseram que conquistar e manter a confiança dos outros não é fácil, mas vale a pena, uma vez que poupa muita dor, frustração e culpa. E te deixa muito bem na fita! Uma confiança valiosa que não custa nada, mas garante muita coisa. Uma pena que quando a gente quebra, sempre termina com um preço alto a pagar. E aí, será que você está disposto? 😉

3 comments on “Um diamante chamado confiança”

  1. Lindo, Malu… Muito lindo e para uma boa reflexão. Pois, as vezes, nem temos dimensão de como nossos atos podem afetar, negativamente, uma pessoa. E o que é pior, não uma simples pessoa, mas alguém que nos é tão importante, tão valiosa. Te amo!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *