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Faça sua parte, pratique a empatia

Imagem de pessoa dando flores a outra pessoa (Foto ilustrativa: Pixabay)
Empatia é saber como ajudar apesar da vida corrida. Conseguir ser gentil, disposto, presente e atento (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Eu costumo acreditar que pequenos e grandes momentos sempre servem para nos ensinar algo sobre nós e também sobre os outros. Situações irrelevantes nos mostram como somos no íntimo, quando ninguém mais está vendo ou se importando. Parar na faixa, admirar a natureza quando o semáforo está fechado, decidir guardar o lixo na bolsa ao invés de jogar na rua. Já os períodos marcantes nos sinalizam como passaremos a agir em relação aos outros. Escutar até o fim quando desabafam conosco sobre os problemas, fazer uma ligação para quem está passando por uma situação difícil, optar por não rir quando alguém na turma é motivo de chacota.

Nas situações insignificantes aprendemos a lidar naturalmente com nossos medos, combatemos aos poucos nossas fraquezas e lutamos vagarosamente contra os nossos defeitos. São momentos do cotidiano que apenas nós vamos enfrentar. Sem o afago dos pais ou o carinho dos amigos. Nos momentos difíceis aprendemos não apenas a encarar nossos próprios problemas, mas também se voltar com certo cuidado para as dificuldades alheias. Não dói, não arranca pedaço e muito menos deixa nossa conta bancária no negativo. Ter empatia é o que quero dizer.

Lembro que, durante uma festa, me afastei um pouco das minhas amigas para sentar e descansar um pouco. Eis que senta ao meu lado uma menina, também sozinha. Bem mais nova que a minha pessoa, mas parecia tão sofrida quanto (risos). Mexia no celular, mandava mensagens, ensaiava o choro. Aquela situação me angustiava horrores – ela também estava com o coração partido.

Tomei coragem e disse algo do tipo: Isso vai passar. Você ainda vai viver muitos amores, pode ter certeza. Vai chorar muito, mas também vai sorrir bastante”. No final, depois de muita conversa e alguns conselhos, a moça se despediu contente. Tinha tomado coragem: ia tentar ser feliz. Ela saiu confiante e eu fiquei me sentindo importante.

Empatia é fazer sua parte mesmo que você se considere isento do problema. Afinal de contas custa nada ou muito pouco. É fazer perguntas mesmo que não esteja totalmente interessado nas respostas. É pensar duas vezes antes de tomar atitudes que tenham o mínimo de chance de magoar o próximo. É ser útil mesmo quando você não é extremamente necessário na resolução do problema. Empatia é parar e saber como ajudar apesar da vida corrida. Estar e conseguir ser gentil, disposto, presente e atento.

Empatia é muito mais do que se colocar brevemente no lugar do outro. É ficar no lugar dele por um tempo e entender suas inquietudes. Até estar pronto para estar ao lado de quem precisa nas horas mais confusas. Empatia é compreender onde o calo do próximo dói e quando o coração dele aperta. É, principalmente, não se esquivar de dores de cabeça que não são suas. É fazer pelo outro e também por respeito a você.

Empatia é algo que vem de dentro, com a maturidade, com as experiências insignificantes mas que fazem total sentido. Com fases marcantes, com a criação e, principalmente, com a noção que temos sobre nosso eu. Quem somos, quem queremos ser e quem não desejamos ser de forma alguma. Esta semana exerci a empatia com alguém que já foi de tudo nesta vida comigo, menos empático. E depois entoei um mantra pessoal: ‘cada um dá aquilo que tem’. No final, me senti bem! Afinal, empatia é uma daquelas coisas boas do mundo que quanto mais você distribui, mais rico você fica.

Pela gentileza, obrigada

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Ali, parada no semáforo. Calor do inferno, cabeça a mil, coração apertadinho, cotovelo encostado na janela do carro, mão na testa, lágrimas teimosas, rebeldes. Malditas. Algumas de preocupação. Outras de medo. E muitas também de aceitação. Aí eu escuto um “psiu, ei, moça!”. Oi? Eu? Meu Deus, que vergonha! Abaixo, levanto, olho para o outro lado? Ai, não tem jeito. Olho. No carro ao lado, uma mulher – outro mundo, outras angústias, muitos medos, vários sonhos – olhava para mim com um sorriso estampado no rosto. Vôte, me deixa em paz. Ela, porém, continua esfregando a felicidade na minha cara. “Ei, moça, não chore não. Jesus te ama! Tá?”. Pâm!

Aí a gente para. E congela. Muito obrigada, eu digo. Muito obrigada, eu penso, e saio em disparada. Com muita vergonha, mas também com o coração cheio de gratidão. Moça, eu nem te conheço, mas te considerei pacas. Moça, muito obrigada pelo carinho. É tanto hoje em dia. É tanto para mim, que muitas vezes me acostumei à dureza dos nossos dias. Moça, muito obrigada. Por tão pouco mas que foi muito. Você me entende? Tenho certeza que sim. Jesus me ama! E te ama muito também. Obrigada e amém!

Moça, muito obrigada pela delicadeza em meio a tanta estupidez. Moça, muito obrigada pelo alerta. Para eu entender o que realmente importa. Moça, muito obrigada pelo afago. Me fez feliz ao perceber que ainda há muita sensibilidade por aqui. Valeu por ter buzinado. Eu nem gosto de buzinas, que queimem todas, mas essa até que tocou meu coração. Apitou na alma. Lá no fundo. Obrigada, moça, pelo cuidado. Por me pegar nos braços. Moça, pela ajuda, muito obrigada.

Moça, obrigada por me abrir os olhos para os pequenos gestos no meio do caminho. De amor, de afeto, de consideração. Obrigada por aquecer meu coração. Obrigada pelo apoio, por me fazer enxergar o seu e o dos outros. Eu nem te conheço, não te pedi nada e mesmo assim você me deu muito. Moça, pela gentileza, obrigada. 😀

Você já se colocou no lugar do outro hoje?

Um dia enquanto lavava os pratos e conversava com minha mãe sobre a vida, percebi que ela olhava concentrada para a janela da cozinha. De frente para vários outros edifícios, recheados de outras tantas famílias e com um monte de muitas histórias para contar. “Malu, você já parou para pensar no que acontece dentro destes outros inúmeros apartamentos? Quantas histórias bonitas, sofridas e diferentes para contar? O que estas pessoas fazem, estão felizes, tristes, satisfeitas com a vida que levam?”, mainha perguntou.

Depois deste dia acho até que passei a observar os edifícios de outro jeito. A cada janela com uma luz acesa lá dentro uma nova história passava pela minha cabeça. O que estas pessoas fazem? Levam vidas normais, já viveram tudo o que tinham para viver? Sentem dor? Sofrem de amor?

A pergunta da minha mãe, claro, foi mais uma metáfora para me dizer: se coloque no lugar dos outros. Entenda a dor de cada um. Respeite as vontades, as atitudes, as opiniões. Mesmo que não tenham nada a ver com o que você pensa a respeito DE. Não julgue, deixe a vida dos outros seguir em frente.

Analise a história de cada um como se fosse a sua própria história. Assim você se comoverá muito mais facilmente. Questione, intervenha, mas saiba a hora de apenas observar pela janela. De longe, sem se meter. Contemple, imagine o “e se eu estivesse no seu lugar?”.

Quando você olha as janelas, dá para enxergar as portas. Depois de observar bastante, abra algumas delas. E depois feche algumas. Só se elas já não te levarem a lugar algum.