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A imensidão dos nossos sentimentos

Dia desses recebi uma imagem no grupo da família. Era mais uma destas fotos que, a princípio não dizem nada, mas, no fundo, representam muito. Na margem de um rio, um banquinho de madeira. Minha mãe respondeu: “vendo esse banquinho, essa paisagem, vejo a imensidão dos nossos sentimentos”.

Aquilo me fez pensar. Pensei. Pensei. Pensei tanto e, mesmo assim, nenhum dos meus pensamentos me levou a uma conclusão exata sobre a imensidão dos nossos sentimentos. De tão gigantes, eles chegam a ser sufocantes. Será que já paramos para pensar sobre isso? Sentimos tanto que não damos conta de tanto sentimento. Tentamos abraçar o mundo. Mas nos falta tanta coisa. Nos faltam braços, pernas, nos falta amor. Amor dos outros. Amor de nós. Falta também amor próprio.

Lembrei de vezes que a sensação de um sentimento me inundou tanto que eu não consegui me conter em mim. Aquele primeiro amor que em uma noite tão esperada me decepcionou. Chorei para tentar acabar com a mágoa. De tão gigante o amor que eu sentia, não conseguia exprimir em palavras o que me sobrava. Ou talvez o que me faltava.

Imagem de rio com banco de madeira na margem
“Vendo esse banquinho, essa paisagem, vejo a imensidão dos nossos sentimentos”

Lembrei também quando chorei por ciclos concluídos, rompidos e interrompidos. Quando quis juntar o que e quem já não poderia mais ser unido. Lembrei da angústia depois de reclamações no trabalho, da aflição ao receber um castigo dos pais, do medo daquilo que ainda estava por vir. Lembrei de pessoas especiais que se foram. Lembrei de abraços que nunca mais vou ter. De cartas que nunca mais vou receber. Lembrei que o desapego é difícil – tamanha é a dimensão dos nossos sentimentos.

É que quando a gente sente muito, as palavras nos faltam. É tentar traduzir em texto a saudade. Explicar alguns alívios. Substantivar as lágrimas. Compreender algumas sensações. Definir quem somos em apenas um minuto. Tentar falar tudo que achamos de alguém muito importante para nós em alguns instantes. Ou demonstrar todo o nosso amor por certas pessoas. É como tentar transcrever o desconforto de uma despedida. Principalmente aquela forçada. É descrever um pôr do sol. Ou a alegria de reunir todo mundo que a gente gosta em um dia só. É tentar falar da dor e alegria de ser responsável por alguém. É, inutilmente, expressar o que significa um abraço em certos momentos. Inexplicável o tamanho da dor. E até mesmo a grandeza da felicidade. Difícil explicar o que parece não ter sentido, mas tem todo o sentido do mundo.

O amor não acaba, multiplica

Amor
Amor é tão verbo que deixa de ser substantivo. Amor não tem cara, só sentimento. Seja por quem for

Passei na frente de um motel dia desses (oê!) e vi que estava riscada no muro a frase ACABOU O AMOR. Parei pra pensar: como assim o amor acabou? Não é possível! Impossível acabar o amor. O amor só começa. Nunca termina. Eu posso amar de perto. Amar de longe. Amar escondido. Amar para todo mundo ver. Amar de menos. Amar demais.

Vejam bem. Amor é um abraço apertado. Amor é um bom dia que conforta. Uma ligação despretensiosa. Amor é transbordar de saudade. É defender, mas também puxão de orelha. Amor é caminhar junto, de mãos dadas. Amor é alcançar sonhos, agarrar conquistas – sejam elas pessoais ou coletivas.

Amor é adotar um bichinho. É cuidar bem dele. É não saber cuidar, mas olhar de longe. Amor é dizer tudo o que você tem a dizer. Não ficar em cima do muro. Amor é conversar com Deus. É plantar uma árvore, escrever um livro, brincar na chuva. Amor é fazer filho e cuidar deles.

Amor é acreditar que hoje não era pra ser. Mas amanhã será. Amor é não desistir de nós. Isso também é amor: se chama o amor próprio. Amor é uma viagem improvisada. Amor é compartilhar segredos e guardá-los também.

Amor é escrever uma carta cheia de carinho. E mandar para quem você gosta. Pode ser email também. Ou um recadinho no WhatsApp. Amor é chegar em casa e encontrar o jantar pronto – feito por alguém que também te ama.

Amor é mudar os outros e se deixar mudar um pouquinho também. Amor é correr atrás dos nossos erros. Repará-los. E fazer de tudo para não errar de novo. Amor é ter a certeza que você está fazendo algo para mudar o mundo, mas principalmente a si mesmo.

Acho que não sei amar certo, mas todo dia tento amar melhor. Até porque amor é tanta coisa. Ele não acaba, só multiplica.

Sobre lutar com sentimentos mas ser firme nas decisões

Caminhos
Caminhos sempre me deixaram em dúvida, mas aprendi a tomar decisões e ser firme nelas

Dia desses me vi falando uma frase que até hoje tenho certo medo da intensidade de tantos sentimentos contidos em um só período. “Eu tenho que seguir em frente. Porque eu não tenho opção. E quando eu não tiver mais forças, fazer o que? Ter fé em Deus”, disse a uma amiga.

Tive medo da minha frase porque tenho dificuldade em tomar decisões. Libriana que sou me vejo sempre cheia de dúvidas. Faço isso ou aquilo? Vou para este canto ou para aquele? Que roupa uso hoje? Falo ou não o que sinto para quem amo? Aceito ou não aquela proposta? Faço esta ou aquela viagem? Fico em casa ou saio? E se eu sair e for horrível? Mas e se eu ficar em casa e for pior ainda?

Essas indecisões são tão comuns em minha vida que me acostumei a delegar as soluções para outras pessoas só para evitar a fadiga. Ou para aliviar um pouco a carga do arrependimento depois da decisão tomada.

Por isso luto muito com os meus sentimentos. Sou volátil demais. Hoje sinto, amanhã não sinto mais. E volto a sentir um instante depois. Volto atrás em decisões tomadas. Me arrependo de ter voltado atrás. E me arrependo de não ter voltado também. Não consigo lidar com a dúvida. E também não consigo abstrair. Demoro dias para digerir acontecimentos.

Mas, finalmente me decidi. Continuo lutando com os sentimentos, mas estou sendo firme nas minhas decisões. Cansei de fracas amizades, amores rasos, pessoas baratas. Cansei de voltar atrás por achar que desta vez vai ser diferente. Cansei de acreditar em pessoas que, sinceramente, não acreditam nelas mesmas. E por não acreditar nelas mesmas, elas não acreditam em nós também. Esta culpa eu não vou carregar.

Cansei de dar sempre mais uma chance. De escutar lamentos de pessoas que voltam a fazer sempre a mesma coisa. Cansei de ajudar quem não quer ajuda. Esgotei a paciência. Não volto mais atrás em caminhos sem saída.

Então… A confiança foi embora. A esperança também. A admiração igualmente. Mas o amor, o amor continua. Disso, graças a Deus, não tenho dúvidas.