Tag: paz

O que é estar em paz

foto
Em certo momento da vida, é preciso perceber que não somos obrigados a nada. Nada que nos faz mal, nos consome, nos destrói ou nos humilha (Foto ilustrativa: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Dia desses passei por uma situação extremamente desconfortável. Daqueles momentos em que você procura um buraco para se enfiar, um táxi para chamar ou alguém para abraçar. Por um instante, me forcei a ficar e encarar algo que realmente não me fazia bem. Mas, que sorte a nossa essa que é termos amigos. Ela me olhou e disse: “Vamos sair daqui?”. “Bora”. E, pronto, fomos.

Ao contar a história para outras pessoas, nos recriminaram. Pelas regras da etiqueta, deveríamos ter ficado. Ora, mas você deve encarar. Deveria ter enfrentado. Seja superior. Enfrente, supere.

Esse é o problema. É muita gente apontando as melhores saídas para as questões do nosso coração. Mas, em certo momento da vida, é preciso perceber que não somos obrigados a nada. Nada que nos faz mal, nos consome, nos destrói ou nos humilha. Andando ou correndo, que saibamos sempre o momento certo de partir, sem dar a oportunidade para que nos maltratem.

Eis outro problema. Nos obrigam a aceitar joguinhos, dançar conforme a música, baixar a cabeça para atitudes que só nos colocam para baixo. Somos quase que coagidos a ignorar maus tratos, compreender o egoísmo alheio e aturar a imaturidade do próximo.

O maior problema de todos, no entanto, é que, pelos outros, tantas e tantas vezes nos anulamos. Temos que falar com quem não nos faz bem, temos que cumprimentar quem nada nos acrescenta e precisamos engolir um monte de sapos só para satisfazer a sociedade. É como não saber o que é felicidade de verdade. Viver se arrastando e não conseguir dizer como se sente de verdade. Como se os outros tivessem uma enorme capacidade de nos fazer perder a voz.

Mas o bom de momentos como esse é que ele nos ensinam que, acredite, não precisamos provar nada para ninguém. E quando nós aprendemos que, sinceramente, não somos obrigados é como se soubéssemos de verdade o que é estar em paz.

A ignorância traz a paz

Dia desses, durante uma viagem, conversava com um grupo de amigos. Aí já sabe né, capirinha pra cá, cerveja pra lá, a gente já começa a divagar sobre dor de cotovelo, medos bizarros e, principalmente, sobre aquele bando de coisa insuportável que a gente é obrigado a saber e que, sinceramente, em nada nos acrescenta e só fazem nos desgastar. Totalmente sem necessidade. Aí que uma colega solta, como quem não quer nada… A ignorância traz a paz. Tive que parar com as gargalhadas naquele instante. Mentira, rimos ainda mais: HAHAHA, Senhor, ela havia resumido tudo.

pazVai… Quantas e quantas vezes escutamos alguém se queixando sobre como dói fuçar a rede social alheia? Ou como nos forçamos a frequentar lugares que nem combinam com nosso estilo só porque queremos esbarrar com gente desagradável? Ou como continuamos ouvindo histórias que não nos interessam/cabem mais só por educação? Ou insistir em continuar acuado naquele cantinho dum barco furado só porque te disseram que ter medo de afundar é para os fracos? Ou aceitar certos comportamentos só por educação?

Pior, quantas e quantas vezes nos obrigamos a passar por sofrimentos desnecessários? Encarar atitudes que não nos agradam? Ser cordial com quem não precisamos ser? Aceitar maus-tratos sutis que não devemos permitir? Tolerar pontos de vista abusivos por consideração? Para, amiga. PARA AGORA. Se tem uma coisa que você não precisa é disso.

Essa mania de tentar resolver problemas que não nos dizem respeito, presta bem atenção, só nos traz encrencas maiores ainda. Deixar que os outros encarem suas vidas sem que precisemos interceder é uma maneira, sim, de permitir que cada um resolva seus conflitos internos. Assim, as tempestades alheias não terminarão machucando quem não tem muito, quase ou nada a ver.

É uma ignorância que em nada se compara a se esquivar, se anular ou negligenciar. É ter a noção de que excluir certas coisas e pessoas de nossas rotinas é conquistar uma paz de espírito que não tem preço. (Porque, olhe, raaapaz, não está fácil). Paz ao tentar ser feliz todo dia, seja cortando o mal pela raiz ou optando pelo direito de não querer por perto o que e quem não te faz bem. Um exercício diário: ao tentar trilhar novos caminhos, seja desviando das rasteiras ou evitando a negatividade.

Viver na ignorância da paz é a opção mais saudável para o nosso coração nestes dias insanos. Deixa que digam, que falem, que se amostrem, que se estapeiem, que gritem para o mundo a felicidade e o amor vazio da internet. Enquanto isso, vai ver vídeos de pôneis coloridos ou novos episódios no Netflix ou terminar aquela trilogia erótica ou, melhor ainda, desligar o 4G do celular e ser feliz.

Melhor, evita aquela amiga que sempre te coloca para trás, ignore aqueles comentários maldosos no trabalho, exclua da sua lista – e da sua vida – aquele amor que em nada te acrescenta e só te faz mal – querendo ou não. Ou, quem sabe, entra na yoga, faz um intensivo de meditação, adquira o hábito da listinha da gratidão. Mas, principalmente, não dê justificativas a ninguém. Essa é a sua reconciliação particular: viver em paz e não admitir – JAMÁS! – que quebrem esse ciclo.

Ah! E a quem interessar possa, já procurei saber: 2016 é o ano da paz, do equilíbrio e da harmonia. OJALÁ! #oremos