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Amiga, seja forte! Eu te amo

Amiga, tu és foda. Tu és uma mulher do caralho. Eu te amo, porra!

E então ganhei um abraço. Daqueles bem forte. No meio de um monte de gente no brilho. 😛 Cara, eu não fazia a mínima ideia do que ela estava falando. Oi? Ela, então, recuou: não, deixa pra lá! Eu insisto: vai, me conta! Por que isso tudo?

E então me explicaram. Sem perceber, eu já não estava permitindo que alguém que tinha me machucado continuasse causando tanta dor. O radar estava desligando. Dessa vez eu não tinha escutado os apitos. Aos poucos e cada vez menos potente.

Engraçado que o meu radar havia desligado, mas o da amiga não. Você tem uma amiga assim? Ela, que nada tinha a ver. Mas que, mesmo assim, havia passado noites em claro ao nosso lado. Ela, que tantas vezes escutou nossos lamentos. Que nos abraçou enquanto chorávamos no banheiro, no quarto, numa conversa qualquer. Ela, que nos fazia rir quando tudo o que queríamos era nos afogar em lágrimas.

amigasEla, que nunca disse que a dor de um rompimento iria passar rápido. Mas nos fez ter Fé nos dias seguintes. Ela, que nunca visualizou nossa mensagem e nos deixou no vácuo. Pelo contrário, sempre tinha um minuto de sabedoria para alegrar o nosso dia. Ela, que disse que os problemas da gente eram os dela também. Que tomou as dores ou que nos esperou para um jantar de consolo quando tudo o que ela queria era voltar pra casa depois de um dia cansativo.

Ela, que deixou de sair com outros amigos para escutar as mesmas reclamações e enxugar aquelas tão já batidas lágrimas. Ela, que tantas vezes foi a amiga da vez para que a gente esquecesse os problemas em um fim de semana qualquer.

Aquela vitória não era só minha. Era a dela. Dela, por não ter desistido de mim. Uma vitória pensada dia a dia. Amiga, pare de chorar! Amiga, tem um mundo lá fora esperando por você. 🙂 Amiga, vem cá, me dá um abraço. Amiga, um dia vai parar de doer. Amiga, eu te entendo. Amiga, estou muito feliz pelos seus avanços.

Deixo aqui uma reflexão de como nós podemos ajudar uns aos outros. É preciso unir, agregar. Não adianta desejar melhoras e seguir sua caminhada. Você tem que parar e estender a mão. Sabe qual a recompensa? A espiritual! Tem alguma melhor que essa? 😉

Vale uma palavra de apoio. Vale um abraço apertado. Vale um presente. Vale um dia na sua rotina atarefada. Vale trazer uma solução para alguém que está cheio de problemas. Vale parar de olhar para o próprio umbigo. Vale se colocar no lugar do outro.

Vale tudo para fazer alguém que a gente se importa voltar a sorrir. Amiga, seja forte. Eu te amo. 

Coisa boa isso que se chama amigo

Coisa boa isso que se chama amizade. É essa mania de querer estar perto quando se está longe. E ficar com raiva porque quando está perto sempre rola uma discussão para querer se estar longe de novo. Ou aquele ciúme sem sentido porque seu amigo arranjou um novo amigo. Vai, pode ir com esse novo amigo. Esquece a nossa amizade de tantos anos e se mistura aí com essa galera. E depois esquecer toda a implicância porque os seus serão sempre seus sem precisar ser de forma alguma. Ou rir secretamente quando aqueles novos amigos, RÁ!, não sabem nada do seu amigo. Toma essa, pai.

Coisa boa isso de poder ser exatamente quem você é ao lado de um amigo. Mesmo que ele ria da sua cara. Porque ele sempre vai rir. Mas nunca vai deixar alguém rir de você. Com você ninguém mexe. Mesmo que ele queime seu filme e te faça passar a maior vergonha na frente daquele boyzinho que você dá mole. Mas se a pessoa te magoa, a amiga é a primeira a dar uma rasteira quando encontra o boyzinho no meio da rua. Ou dizer: pelo amor de Deus, você é bem melhor que isso! Mesmo que naquela hora você se sinta a pior de todas no universo e além.

FullSizeRenderAmiga que é amiga toma as dores. E toma abuso também. Amiga que é amiga sabe exatamente quando você está exagerando e olha para você com aquela cara de PARA COM ISSO. Vai, limpa essa cara que você está horrível. Amiga que é amiga faz planos para os casamentos. Vamos casar juntas, madrinhas uma da outra e nossos filhos vão ser best friends desde aquela época de comer areia. Vão sim, e ai deles se não rolar uma empatia. Vai ser forçada mesmo. Amiga que é amiga planeja a velhice junta – pode até ser que não cheguemos lá para contar história ou que role uma discussão homérica antes disso e juremos nunca mais trocar a palavra com essa cidadã fuleira – mas essa cumplicidade é um laço que não desata.

Amiga que é amiga enxuga as lágrimas e faz a gente rir mesmo nos piores momentos. Levanta sua bola quando você está na pior. Nossa, muito ruim mesmo, mas como seu cabelo está lindo! Amiga que é amiga te liga na madruga boladona só para ser a primeira a desejar parabéns. Ou manda você enfiar o dedo no bolo e fazer muitos pedidos – de preferência pedindo para que você peça a Deus que os desejos dela se realizem também.

Amiga que é amiga empresta a roupa nova, mesmo que tenha o maior ciúme dela. Amiga que é amiga não diz que você está bonita quando você está horrorosa. Amiga, essa roupa fica até ~boa~ em você mas essa te deixa muito mais zenzual! Amigo que é amigo engole o orgulho e volta a falar quando o outro precisa. Dá uma chacoalhada na frente de todo mundo quando a gente está passando dos limites. E até segura o cabelo quando a gente está chamando Raul. Amigo que é amigo sabe o nome da mãe, do pai, do cachorro, periquito e papagaio. E te leva no hospital quando ninguém mais pode.

Amigo que é amigo assiste o outro levar esculhambação da mãe e prende o riso. Isso mesmo, tia, a senhora está certíssima! Mas, às vezes, o amigo é tão amigo que também entra na esculhambação e leva sermão junto. Amigo que é amigo chega na sua casa e às vezes passa mais tempo conversando com o resto do povo do que com o chegado. Amigo que é amigo fica para o café, para o almoço e até estica para um filminho. Amigo de verdade adora chegar na casa do outro porque sempre rola uma refeição especial para receber a visita. Mesmo que ele já seja de casa.

Coisa boa isso de ter amigos. É um dar e receber. É amor que não pede nada em troca. É o abraço quando a gente mais precisa e o carinho quando a gente mais necessita. Dia desses uma amiga me disse que a gente sempre acaba machucando quem a gente mais ama. E que eu não podia ajudar todo o mundo. Ela ainda disse mais: que a gente não podia salvar os outros. Podia apenas amá-los. Eu, que sempre tenho tantas coisas a dizer, fiquei sem palavras. É verdade. Eu, que tantas e tantas vezes machuquei quem amava. Eu, que em vários momentos não consegui deixar por perto aqueles que eu mais amava, não podia salvar os outros. Pelo contrário, precisava ser salva. Mas, que sorte!, venho sendo resgatada por longos e bons anos. Coisa boa isso de ter os braços de muitos para correr ao encontro quando não se tem mais lugar nenhum para ir. 

A imensidão dos nossos sentimentos

Dia desses recebi uma imagem no grupo da família. Era mais uma destas fotos que, a princípio não dizem nada, mas, no fundo, representam muito. Na margem de um rio, um banquinho de madeira. Minha mãe respondeu: “vendo esse banquinho, essa paisagem, vejo a imensidão dos nossos sentimentos”.

Aquilo me fez pensar. Pensei. Pensei. Pensei tanto e, mesmo assim, nenhum dos meus pensamentos me levou a uma conclusão exata sobre a imensidão dos nossos sentimentos. De tão gigantes, eles chegam a ser sufocantes. Será que já paramos para pensar sobre isso? Sentimos tanto que não damos conta de tanto sentimento. Tentamos abraçar o mundo. Mas nos falta tanta coisa. Nos faltam braços, pernas, nos falta amor. Amor dos outros. Amor de nós. Falta também amor próprio.

Lembrei de vezes que a sensação de um sentimento me inundou tanto que eu não consegui me conter em mim. Aquele primeiro amor que em uma noite tão esperada me decepcionou. Chorei para tentar acabar com a mágoa. De tão gigante o amor que eu sentia, não conseguia exprimir em palavras o que me sobrava. Ou talvez o que me faltava.

Imagem de rio com banco de madeira na margem
“Vendo esse banquinho, essa paisagem, vejo a imensidão dos nossos sentimentos”

Lembrei também quando chorei por ciclos concluídos, rompidos e interrompidos. Quando quis juntar o que e quem já não poderia mais ser unido. Lembrei da angústia depois de reclamações no trabalho, da aflição ao receber um castigo dos pais, do medo daquilo que ainda estava por vir. Lembrei de pessoas especiais que se foram. Lembrei de abraços que nunca mais vou ter. De cartas que nunca mais vou receber. Lembrei que o desapego é difícil – tamanha é a dimensão dos nossos sentimentos.

É que quando a gente sente muito, as palavras nos faltam. É tentar traduzir em texto a saudade. Explicar alguns alívios. Substantivar as lágrimas. Compreender algumas sensações. Definir quem somos em apenas um minuto. Tentar falar tudo que achamos de alguém muito importante para nós em alguns instantes. Ou demonstrar todo o nosso amor por certas pessoas. É como tentar transcrever o desconforto de uma despedida. Principalmente aquela forçada. É descrever um pôr do sol. Ou a alegria de reunir todo mundo que a gente gosta em um dia só. É tentar falar da dor e alegria de ser responsável por alguém. É, inutilmente, expressar o que significa um abraço em certos momentos. Inexplicável o tamanho da dor. E até mesmo a grandeza da felicidade. Difícil explicar o que parece não ter sentido, mas tem todo o sentido do mundo.