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Mais que amar, é preciso coragem para ser amado também

Às vezes insistimos nos mesmos caminhos quando outras trilhas, mais leves, nos pedem uma chance (Foto: Free Images)
Às vezes insistimos nos mesmos caminhos quando outras trilhas, mais leves, nos pedem uma chance (Foto: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Dia desses, tirei uma folga para viajar com as amigas. Clube da luluzinha mesmo. Fofocas, passeios, paqueras, abraços apertados e – por que não? – algumas fossas. Para lembrar que muitos encontros desta vida conseguem deixar o coração tão agradecido mas ao mesmo tempo um tantinho apertado. Eis que cada uma tinha sua história para contar, mas uma delas conseguiu se superar. Tudo porque ela precisava fazer uma difícil escolha. Entre um grande amor – conturbado, sofrido e cheios de idas e vindas – e uma excelente pessoa. Escolher é perder sempre, já ouvi dizer.

Eu sou libriana, então ter que fazer escolhas me apavora. Socorro. Mas, graças aos Céus, eu não tinha nada a ver com aquela situação, então me parecia sensato escolher o grande amor, afinal, ainda existia sentimento – e dos grandes. Se faz sentir, faz sentido, também já escutei por aí. Por isso, fui clara: amiga, se você acha que ainda vale a pena recomeçar essa história, então se entregue a esse amor. Como é bom ter certeza no que se diz. Indecisos do mundo, eu entendo vocês.

Acontece que todo dia ela mudava de decisão. Eu, no entanto, me mantinha segura na minha opinião – glória! Até que ela soltou mais um questionamento, que dessa vez acertou bem fundo em mim: é que eu cansei de amar, sabe? Eu preciso sentir o que é ser amada também. Naquele antigo amor, ela se desgastava, chorava, desacreditava e se iludia com a esperança de dias melhores. Períodos calmos, sem aflições e brigas. O carinho sincero na rotina que afasta e o resgaste de um amor que já levava a relação como garantida. Aquela nova pessoa era tudo ao contrário. Há quem diga que seria apenas pelo frenesi da nova conquista, mas… De verdade, quem garante?

Eu, talvez, nunca tenha entendido tanto alguém como tinha entendido ela naquela angústia. Em outro momento da minha vida, também tive que escolher entre um grande amor e uma pessoa incrível. Com a imaturidade, fiz a escolha errada. Esse coração bandido que insiste em fugir da razão. Quando minha amiga, aflita com tantas dúvidas, me confessou aquilo, eu me vi no lugar dela. É que já me dediquei tanto em amar alguém e nunca percebi que é necessário se sentir amada de volta.

Às vezes a gente se esforça tanto para acreditar em algo que acaba fugindo da realidade. Vemos afeto onde não há sentimento; torcemos pelas mudanças; rezamos pelas reconciliações; deixamos nossas vontades em segundo plano; dizemos sim quando queremos dizer não; insistimos no mesmo caminho quando outras trilhas, mais leves, nos pedem uma chance. E o pior: continuamos na luta mesmo quando o coração já se deu por vencido.

Hoje, mais madura, percebo que, por ato falho, insisto em amar e esqueço de ser amada. Perdi oportunidades incríveis de acalmar meu coração enquanto gastava meu tempo tentando fazer com que me amassem de volta. Vi afeto onde não existia sentimento sincero. Torci por mudanças que nunca se concretizaram. Rezei por reconciliações que nunca aconteceram. Me senti culpada quando deixei minhas vontades em primeiro plano. Disse tantos e tantos sim quando o que eu queria mesmo era dizer não. E tem mais: continuei me partindo aos pedaços em batalhas que claramente já estavam perdidas.

Eu sei que anos vão passar e eu – assim como minha amiga, assim como você, assim como tanta gente nesse mundo – vou continuar pisando em terrenos desconhecidos, morrendo de medo de pisar em bomba. Mas quem se entrega continua se aventurando em mares revoltos. Mas espero que, em algum momento, nós aprendamos a voltar por campos mais seguros sem medo de errar.

E que um dia eu – e minha amiga, você que parou para ler meu texto e quem quer que seja que ainda tenha dúvidas – entenda a grandeza que é amar, mas que compreenda de uma vez por todas que é preciso coragem para se dar a chance de ser amado também.

Amiga, seja forte! Eu te amo

Amiga, tu és foda. Tu és uma mulher do caralho. Eu te amo, porra!

E então ganhei um abraço. Daqueles bem forte. No meio de um monte de gente no brilho. 😛 Cara, eu não fazia a mínima ideia do que ela estava falando. Oi? Ela, então, recuou: não, deixa pra lá! Eu insisto: vai, me conta! Por que isso tudo?

E então me explicaram. Sem perceber, eu já não estava permitindo que alguém que tinha me machucado continuasse causando tanta dor. O radar estava desligando. Dessa vez eu não tinha escutado os apitos. Aos poucos e cada vez menos potente.

Engraçado que o meu radar havia desligado, mas o da amiga não. Você tem uma amiga assim? Ela, que nada tinha a ver. Mas que, mesmo assim, havia passado noites em claro ao nosso lado. Ela, que tantas vezes escutou nossos lamentos. Que nos abraçou enquanto chorávamos no banheiro, no quarto, numa conversa qualquer. Ela, que nos fazia rir quando tudo o que queríamos era nos afogar em lágrimas.

amigasEla, que nunca disse que a dor de um rompimento iria passar rápido. Mas nos fez ter Fé nos dias seguintes. Ela, que nunca visualizou nossa mensagem e nos deixou no vácuo. Pelo contrário, sempre tinha um minuto de sabedoria para alegrar o nosso dia. Ela, que disse que os problemas da gente eram os dela também. Que tomou as dores ou que nos esperou para um jantar de consolo quando tudo o que ela queria era voltar pra casa depois de um dia cansativo.

Ela, que deixou de sair com outros amigos para escutar as mesmas reclamações e enxugar aquelas tão já batidas lágrimas. Ela, que tantas vezes foi a amiga da vez para que a gente esquecesse os problemas em um fim de semana qualquer.

Aquela vitória não era só minha. Era a dela. Dela, por não ter desistido de mim. Uma vitória pensada dia a dia. Amiga, pare de chorar! Amiga, tem um mundo lá fora esperando por você. 🙂 Amiga, vem cá, me dá um abraço. Amiga, um dia vai parar de doer. Amiga, eu te entendo. Amiga, estou muito feliz pelos seus avanços.

Deixo aqui uma reflexão de como nós podemos ajudar uns aos outros. É preciso unir, agregar. Não adianta desejar melhoras e seguir sua caminhada. Você tem que parar e estender a mão. Sabe qual a recompensa? A espiritual! Tem alguma melhor que essa? 😉

Vale uma palavra de apoio. Vale um abraço apertado. Vale um presente. Vale um dia na sua rotina atarefada. Vale trazer uma solução para alguém que está cheio de problemas. Vale parar de olhar para o próprio umbigo. Vale se colocar no lugar do outro.

Vale tudo para fazer alguém que a gente se importa voltar a sorrir. Amiga, seja forte. Eu te amo. 

Ai de nós se não fossem os recomeços

Só mais um dia comum. Cheguei em casa, tomei um banho demorado, troquei de roupa, acendi um incenso, desforrei a cama, ajeitei várias almofadas debaixo da cabeça e abri mais um livro. De repente pensei: “felicidade é isso”. Suspirei ironicamente, já que naquele momento eu nem tinha tantos motivos assim para sair espalhando a felicidade pelo mundo. Mas eu tinha dentro de mim uma espécie de calma que em muitos momentos não consegui sentir. Era o prazer de estar só, comigo, e por isso mesmo em ótima companhia. Sem ruídos, sem conflitos, sem precisar me adequar. Era tudo o que eu queria: não me moldar a nada nem ninguém.

IMG_0581Ali curti uma solidão que não me foi imposta e sim conquistada para momentos que precisava, e muito, estar sozinha. Ali pensei que estar só quando você pode estar na companhia de tanta gente é uma sorte incrível. Para se reinventar, para contemplar a vida, para uma auto-análise sem julgamentos, para fazer duras críticas e no final da noite ter alguém em quem se amparar: você mesmo. E no começo do dia, você já conseguiu elaborar uma série de recomeços. Daqueles que, assim como o prazer da própria companhia, nos proporcionam uma felicidade contida que sussurra nos nossos ouvidos: não tem medo, não. Você não está só.

Assim como não tenho medo de estar sozinha, podendo estar no meio de tanta gente querida, não tenho medo de recomeços. Na verdade, alguns deles até me fascinam. Fico maquinando mil formas de me superar. De vencer meus medos, de acabar com meus receios, de encontrar sempre motivos para rir daquilo que me fez sofrer. Gosto de ver que fiz malabarismo com a dor e não deixei a peteca cair. Vai, risca mais um dia no calendário e busca pequenos motivos para sorrir. Isso é recomeçar.

Ai de nós se não fossem esses pequenos grandes recomeços. Daqueles que nos reconstroem, daqueles que nos fazem revirar na cama milhares de vezes no meio da noite até a noite virar dia. Essas pequenas grandes conquistas que nos fazem ver o quão fortes nós somos mesmo no meio das maiores crises existenciais antes mesmo de chegar na casa dos 30. Essas grandes pequenas batalhas que cansam, fustigam, detonam, mas são elas que nos fazem deitar a cabeça no travesseiro e voltar a pensar: “felicidade é isso”. Aquelas pequenas grandes dores que deixam nosso coração apertado e mesmo assim a gente se convence e diz: “aprendizado é isso”, mesmo que naquela hora nossa deusa interior se remexa convulsivamente e grite desesperadamente: “a gente não precisava passar por isso para saber o quão importante algo é em nossas vidas”.

Não entender e mesmo assim seguir em frente. É não aceitar e mesmo assim seguir aceitando. É cair e levantar, mesmo que tropece logo em seguida. É sentir doer e mesmo assim continuar sorrindo. É adorar cada transformação que você precisou passar nessas caminhadas bandidas que são os recomeços. É olhar para trás e não sentir falta de nada que ficou no passado. Vai, respira fundo. Um, dois, três. Três, dois, um. Recomeço é tudo, tudo isso.