Criança ou já batendo os 30, a gente sempre tem um ídolo. Não importa se é a mãe, o pai, aquela estrela da TV ou um vizinho. Eu, por exemplo, era vidrada em Sharon Stone. Queria ser loira, ter o QI lá em cima e ter um belo par de pernas. Hoje já não sou mais tão loira, meu QI deve estar bem na média e ainda estou a procura do meu belo par de pernas. Eu queria ser que nem ela, me inspirava, pintava o cabelo, fazia dietas, fazia cartinhas e esperava respostas, tentava ler de tudo um pouco e imaginava o momento em que eu conseguiria tirar uma foto com ela. Na época, eu jurava de pé junto que pularia no pescoço dela. Hoje, acho que ficaria totalmente paralisada. Acontece. A idade chega e a vergonha também.

Acho que estou ficando velha mesmo. Descobri que sou uma das inspirações de alguém. Morri mil vezes. Meu sobrinho de 11 anos chegou uma vez para mim e me pediu umas aulas de como ser descolada. É, tia, como eu faço para ser que nem a senhora? Descolada, com a autoestima lá em cima? E ainda me disse: quando eu crescer, quero ter esse seu jeito, sempre pra cima e fazendo piada. Não acreditei! Como pode um menino com metade da minha idade notar características minhas que eu nunca tinha realmente levado em conta? Outro dia ele me pegou chorando, preocupada com a vida. Ficou angustiado. Me deu um abraço e disse: poxa, tia, não fica assim não! Essa não é a tia que eu conheço. Meu Deus! Como podia aquele bebê – eu não sou mais um bebê, tia! – me dar uma lição de vida?

Parei pra pensar. Por que deixar que me inundassem com pensamentos negativos, vibrações para lá de pesadas, tirando assim tudo aquilo que meu sobrinho mais gostava em mim? Tive vergonha de não conseguir corresponder às expectativas dele naquele momento. Muita vergonha. Queria me esconder debaixo do travesseiro. Era como descobrir que meus pais não eram tão fortes como eu imaginava que fossem. Queria colocar as lágrimas pra dentro e botar meu melhor sorriso. Eu era tudo que ele admirava. E, isso, pensando bem racionalmente, já me bastava! Para que então me importar com o que acontecia lá fora?

Hoje já não tenho mais ídolos (mentira, ainda quero MUITO conhecer Sharon Stone. Alguém me seguraaaaaaaaaaaaaa!!), mas sim grandes inspirações. Aquele jeito sonhador de um amigo. A bondade de outro. A força de vontade de um, a persistência do outro. Todo dia aqueles que importam vão nos fazendo enxergar quem somos de verdade. Parece besteira, não é? Mas quando a rotina aperta e você não sabe como agir diante de algumas situações são as inspirações que nos movem. Para que a gente não desista, não se canse e não corra atrás do que não tem nada a ver com nossas escolhas. Andavam me roubando de mim. Hoje eu corro: mas é para que não me roubem mais. 🙂

2 comments on “Quando descobri algumas inspirações”

  1. Este foi um dos mais belos textos que você postou, se é que a gente consegue escolher um só. E ser o espelho de Caio só prova ainda mais o que nós já sabemos sobre a figura marcante que você é, Malu. HAHAHAHA’ Já estamos na espera pelo próximo post. <3

  2. Lindo o texto… Como todos os seus textos. Mas, esse é especial pra mim. Esse fala do amor, da admiração, da maturidade e de acertos, meus acertos… Onze anos atrás, quer dizer, bem mais de onze anos, quando vc ainda era uma garotinha, escolhi vc como Madrinha de meu filho… Vc ainda era muito nova, mas já era a escolha mais acertada, a MELHOR escolha. E hj, vendo o amor, a admiração, o respeito e o carinho que Caio sente por vc, tenho certeza de que, realmente, fiz a melhor das escolhas. Sinto muito orgulho de vc e, se algumas vezes vc não está de bem com a vida, se está triste, isso faz parte de nossa natureza, de nossa maturidade, mas o que realmente importa é sua essência, sua alegria, seu caráter, quem vc é de verdade… Nossa Malu!!! Te amo muito!!!

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