Se você acompanha a coluna do blog há um bom tempo, deve saber que eu sou jornalista e minha área de atuação é o jornalismo em saúde. Por isso, muito do que eu escrevo é pensado depois de apurações jornalísticas, pautas diversas e muito feedback das pessoas com quem trabalho e trabalhei. Desde que comecei a escrever reportagens sobre saúde, me interessava mais pelos temas de comportamento e saúde mental. Engraçado (ou não), a vida me levou a ter que entender, além dos motivos profissionais, o universo da saúde mental.

Por isso, sempre que possível, eu abordo nas minhas crônicas e nas postagens no Instagram o tema. Mas, como não sou especialista no assunto, tento encontrar profissionais que me ajudem a entender a parte técnica dos assuntos. Assim, nos últimos meses, me juntei com as psicólogas Andressa Mendes, de Brasília (DF), e Caroline Penques, de Lins (SP), para gerar um conteúdo bem legal no instagram. Enquanto Andressa é administradora do perfil @universodapsicologia, Caroline cuida do @elaborandocaminhos. Eu achei o máximo ‘entrevistá-las’, já que o mundo da psicologia/psiquiatria me fascina (e me assusta ao mesmo tempo). Eu me impressionei com o engajamento que as publicações alcançaram. De verdade, não sabia que existia tanta gente que gostava de ler sobre o assunto.

Vou deixar aqui as perguntas e respostas e uma galeria de fotos com todo o conteúdo que geramos juntas:

O amor que guardei para mim: Por que tanta gente acha que terapia é coisa de louco? De que forma podemos mudar esse pensamento?
Andressa Mendes: Muitas vezes, por crenças distorcidas que infelizmente são construídas com base no início da história da psicologia onde falava-se muito dos manicômios. Acredito que foi gerando cada vez mais esse tipo de preconceito. Eu perguntaria a quem diz isso: o que seria a loucura pra você?

OAQGPM: Qual a “mágica” que a terapia faz em nossas vidas?
AM: Na verdade eu chamaria de transformação. O psicólogo auxilia seu paciente a se redescobrir, autoconhecer, possibilitando que assim os acontecimentos diários sejam interpretados com mais clareza e menos sofrimento.

OAQGPM: Fazemos terapia “pra sempre” ou temos “alta” algum dia?
AM: Com certeza a alta é o que almejamos sempre para que nossos pacientes tenham mais qualidade de vida, depois que aprendem a caminhar “sozinhos”, com todo aprendizado e superAÇÃO.

OAQGPM: Por que as sessões de terapia são grandes responsáveis de reflexões profundas sobre nossa vida?
AM: Quando fazemos terapia estamos abertos a ouvir coisas que talvez não estivéssemos tão preparados, é como a Alice entrando no país das maravilhas, às vezes descobre fatos super empolgantes, em outras porém pode se deparar com buracos profundos, cicatrizes. Mas está ali disposta a enfrentar aquele mundo que ainda não conhece tão bem assim, em busca de autoconhecimento, em busca de melhorar enfim sua qualidade de vida.

OAQGPM: Tem gente que acha que o psicólogo não fala nada na consulta e que, por isso mesmo, não vale a pena “perder tempo” na terapia. É verdade?
AM: Sim! Existem milhares de profissionais, cada um com sua abordagem, personalidade, jeito de ser. Cada um de nós devemos nos apropriar da ideia de que eu devo ficar onde eu me sentir bem, a vontade, onde eu me encaixo melhor?! Portanto há pessoas que até preferem psicólogos que falem menos e ouçam mais, e não há problema nisso, porém é importantíssimo saber que não existem profissionais somente com esse perfil, eu por exemplo, falo deeeemais até, rs.

OAQGPM: Como podemos “convencer” as pessoas que achamos que precisam de terapia a baixar a guarda e procurar um bom profissional?
AM: Bem, na verdade não podemos convencer alguém a fazer algo, mas podemos mostrar a ela todas as vantagens que ela teria caso aceitasse esse lindo desafio. Costumo dizer que quando estamos doentes fisicamente corremos ao pronto socorro, mas quando a dor é psicológico nos achamos no direito de prolongar esse sofrimento, deixando pra cuidar da saúde mental quando literalmente estamos já à deriva.


O amor que guardei para mim: Por que as pessoas querem tanto mudar os outros?
Caroline Penques: As pessoas acreditam que o problema está nos outros, não nelas! Não conseguem enxergar que muitas vezes você mudando, a sua relação com o outro muda e tudo melhora. E na verdade quando você quer que o outro muda, você quer “ganhar” algo em troca disso, pois sua vida “melhora” de certa forma, parece uma preocupação, mas no fundo é um egoísmo, pois você não quer se mexer, mas quer que o outro vá lá e faça isso, por vocês!

OAQGPM: Por que as mudanças apenas são sinceras, em grande parte dos casos, quando a pessoa muda por ela mesma (e não pelos outros)?
CP: As pessoas quando decidem fazer algo para mudar, estão muito cansadas da vida que leva, muitas vezes sofrendo, com um sentimento de angústia. É o que nós (psicólogos) chamamos de processo de busca. É nessas horas que a pessoa começa a se mexer, ela está incomodada. No começo acha que as pessoas poderiam mudar, mas mesmo assim ela não estaria completa. Mesmo se o outro fizesse algo, ainda assim estaria insatisfeita, pois é algo dentro que tá ruim, vem lá do seu mundo interno, das suas vivências do passado. E é por isso que só tem sentido quando ela muda por dentro, pois aí sem essa angústia acaba e consegue ter uma vida melhor.

OAQGPM: De que forma o processo psicoterápico pode ajudar nas mudanças do ser humano?
CP: Eu costumo dizer que na terapia a gente se refaz, reescreve nossa história. É lá que você revisa quem você foi, como você é na vida, nas relações e decide quem você quer ser, é aí que começa a mudança, é quando você decide que tipo de pessoa quer ser, e a terapia facilita muito isso, com aceitação, proteção e continência, para o cliente se amparar nesse caminho novo, pois tudo que é novo dá medo!

OAQGPM: De que forma podemos nos machucar querendo tanto mudar o nosso próximo?
CP: As pessoas quando se sente incomodada com a vida que leva, quer mudar de qualquer jeito, está desesperada, e começa a achar que se o outro mudasse, ela ficaria bem, acredita que seus problemas estão na forma como o outro vive. Esquecem de olhar para si mesmo, não consegue se ver na vida. A preocupação em querer que o outro mude, pode ser infinita, pois isso só irá te desgastar. Você ficará nervosa, irritada, cansada e nada irá acontecer de fato, pois a mudança vem de si mesmo e não dos outros. Que loucura seria não olhar para si mesmo, não é mesmo?

OAQGPM: Como o nosso processo de mudança pode ser benéfico para as pessoas ao nosso redor?
CP: Quando você está tratada e bem com você mesma, consegue resolver melhor os problemas do dia-a-dia. Nos conflitos familiares, amorosos e entre amigos, pois eles já não te chateiam tanto e você se posiciona melhor na vida. Com isso as pessoas percebem o quanto está mudada, o quanto foi bom para você a terapia, passa a ser mais respeitada e mais ouvida, seus conselhos de hoje terão outro efeito. O segredo está em saber se posicionar na vida, quando você aprende isso, a maior parte se ajeita!

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