Amor próprio não é uma vingança, é uma reconciliação pessoal

Amor próprio não tem muito a ver com quem você é com o outro. É a capacidade de estar sozinho e não se sentir só (Foto ilustrativa: Free Images)
Amor próprio não tem muito a ver com quem você é com o outro. É a capacidade de estar sozinho e não se sentir só (Foto ilustrativa: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Uma vez li que amor próprio não tem nada a ver com se manter longe de conversas confusas ou relacionamentos destrutivos. Na verdade, em quase nada tinha relação com a superfície dos sentimentos. Era algo mais parecido com uma reconciliação particular, um acordo íntimo, uma paz peculiar. E, quem um dia consegue sentir, sabe que tem muito mais a ver com uma harmonia de pensamentos do que com uma mistura de posturas que mais tentam atingir o próximo do que curar a si mesmo.

É bem verdade. Amor próprio não tem muito a ver com quem você é para o outro. É muito mais sobre quem você é quando ninguém mais está vendo. Tem a ver com a capacidade de estar sozinho e não se sentir só. Não diz muito respeito a se dar valor. É compreender que, nesta área, você não precisa discutir preços.

Amor próprio em nada tem a ver com quem consegue sair para mais festas ou registrar os melhores sorrisos. Tem a ver com chegar em casa à noite, sozinho, e agradecer por não ter problemas com quem você é durante o dia. É conseguir sossegar ao colocar a cabeça no travesseiro.

Depois de algum tempo, você também percebe que amor próprio é muito mais uma ideologia do que um ponto de vista. É lutar todos os dias, não com os outros, mas consigo: para conseguir desfazer alguns preconceitos e abrir a mente para outras perspectivas. É mais como contar até dez e respirar fundo do que ficar apenas suspirando pelos cantos. Diz respeito como aprender a ser forte quando não se tem mais forças. É entender que vão rir de você nos momentos difíceis e esnobar suas maiores conquistas. Até que você descobre como observar tudo e apenas deixa ir.

E, se você quer saber, amor próprio não coloca ninguém em um pedestal. Pelo contrário, joga todo mundo na selva. E é justamente nessa hora que alguns percebem que amor próprio, creia, não tem muito a ver em mostrar algo para quem quer que seja – por ressentimento ou vingança. É, simplesmente, aprender a fazer as pazes com você mesmo.

O que é estar em paz

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Em certo momento da vida, é preciso perceber que não somos obrigados a nada. Nada que nos faz mal, nos consome, nos destrói ou nos humilha (Foto ilustrativa: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Dia desses passei por uma situação extremamente desconfortável. Daqueles momentos em que você procura um buraco para se enfiar, um táxi para chamar ou alguém para abraçar. Por um instante, me forcei a ficar e encarar algo que realmente não me fazia bem. Mas, que sorte a nossa essa que é termos amigos. Ela me olhou e disse: “Vamos sair daqui?”. “Bora”. E, pronto, fomos.

Ao contar a história para outras pessoas, nos recriminaram. Pelas regras da etiqueta, deveríamos ter ficado. Ora, mas você deve encarar. Deveria ter enfrentado. Seja superior. Enfrente, supere.

Esse é o problema. É muita gente apontando as melhores saídas para as questões do nosso coração. Mas, em certo momento da vida, é preciso perceber que não somos obrigados a nada. Nada que nos faz mal, nos consome, nos destrói ou nos humilha. Andando ou correndo, que saibamos sempre o momento certo de partir, sem dar a oportunidade para que nos maltratem.

Eis outro problema. Nos obrigam a aceitar joguinhos, dançar conforme a música, baixar a cabeça para atitudes que só nos colocam para baixo. Somos quase que coagidos a ignorar maus tratos, compreender o egoísmo alheio e aturar a imaturidade do próximo.

O maior problema de todos, no entanto, é que, pelos outros, tantas e tantas vezes nos anulamos. Temos que falar com quem não nos faz bem, temos que cumprimentar quem nada nos acrescenta e precisamos engolir um monte de sapos só para satisfazer a sociedade. É como não saber o que é felicidade de verdade. Viver se arrastando e não conseguir dizer como se sente de verdade. Como se os outros tivessem uma enorme capacidade de nos fazer perder a voz.

Mas o bom de momentos como esse é que ele nos ensinam que, acredite, não precisamos provar nada para ninguém. E quando nós aprendemos que, sinceramente, não somos obrigados é como se soubéssemos de verdade o que é estar em paz.

Esta incrível geração que muito fala e pouco escuta

Ilustração: Guilherme Castro / NE10
Será que vivemos em uma geração que só sabe contar seus problemas, mas parece não ter forças para ajudar nos contratempos que não lhe compete? (Ilustração: Guilherme Castro / NE10)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Uma peculiar geração que não sabe o que é ter paciência, que não compreende os sinais, que não gosta de fazer perguntas pelo pior motivo: nunca têm interesse nas respostas. Uma diferente geração que não se importa com os problemas alheios, não questiona seus próprios erros e que não tenta entender os seus anseios.

Uma particular geração que não responde ‘bom dia’, não sabe dizer ‘obrigada’, não sente necessidade de pedir ‘desculpas’ e simplesmente não entende o poder de um elogio. Uma espécie de desânimo pelas questões do próximo e um profundo desinteresse pela confusão que não faz parte do seu próprio mundo.

Uma especial geração que só sabe contar seus problemas, mas parece não ter forças para ajudar nos contratempos que não lhe compete. Que reivindica atenção, mas não sabe o que é estar junto, mesmo quando não está perto. Uma classe que compartilha o amor nas redes sociais, mas não tem a capacidade de estender a mão amiga se o seu momento não é tão ruim como o do outro.

Uma diferente geração na qual as trocas não são uma via de mão dupla. O lugar do outro, creia, é um destino pouco escolhido. As conversas são interrompidas a cada cinco minutos para uma longa checagem no celular. Os registros são muito mais importantes do que o momento – mesmo que de verdadeiro tenha muito pouco, quase nada.

Uma geração que pouco se incomoda com as injustiças do cotidiano. Que transforma em risada as lágrimas alheias. Que faz pouca ou nenhuma questão de aprender com quem sabe. Que não tira um momento para refletir. Que subestima a importância do luto e tem a certeza que a felicidade é a chegada, nunca a caminhada.

Essa é a geração que vive escrava dos padrões que lhe impõem diariamente. Essa é a geração que só sabe dizer ‘sim’ para todos os pequenos abusos, mesmo que algo lá dentro lhe peça sonoros ‘não’. Que só encarna seu próprio eu quando ninguém mais está vendo. Que tem vergonha de clichês por serem batidos demais, de lugares comuns porque todos já foram lá, de sentimentos banais porque parece que é pecado sentir demais.

Esta é a incrível geração que muito fala e pouco escuta. Os outros e a si mesmo.

Esta saudade que esmaga

Imagem de mulher olhando para o mar (Foto ilustrativa: Free Images)
Saudade quando chega, parece que não tem hora marcada pra voltar (Foto ilustrativa: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do portal NE10

É piegas, eu sei. Mas saudade quando aperta, esmaga tanto que chega a doer. Essa abstinência de pessoas, lugares e momentos que teima tantas vezes em não passar. É complicado, eu sei. Mas que mania de querer estar junto quando não tem mais como ficar por perto. É que essa saudade insiste em não saber esperar.

É estranho, dá pra notar. Mas saudade quando chega, parece que não tem hora marcada pra voltar. É um tal de sentir falta de quem já foi, de quem mora longe, de quem perdemos o contato pelos desencontros da vida. Uma saudade de grandes amores, de amizades inesquecíveis, de momentos memoráveis. Saudade da rotina, da convivência, porque depois que elas acabam só quem fica é aquela ausência tão chata. Saudades do que já fizemos ou até do que deixamos de fazer.

Saudades de tempos mais fáceis, de colo de mãe ou de comida de vó. Saudades de correr na chuva e não pegar resfriado. Saudades de não precisar se preocupar com o que teremos que fazer amanhã. Saudades de balançar na rede e conseguir escutar as ondas do mar que iam e voltavam bem devagar. Ou daquela velha inocência, que não conseguia reparar no mundo maldoso que girava lá fora.

Saudade de perguntar como foi o dia. De saber das pequenas grandes novidades. De compartilhar segredos, de sonhar os mesmos sonhos. Saudades de abraços, beijos. Saudades de instantes e até de cheiros. Saudades de piadas que ninguém mais entende, de dividir histórias, de gargalhadas sinceras no meio do sufoco. Vontade de saber se está tudo bem, se precisa de algo mais e ou de poder dizer que nós podemos contar um com o outro.

Saudade é tão forte que não tem nem sinônimo. É tão incompreensível que às vezes nos faltam palavras para explicar, a gente só consegue sentir. É tão confusa que não há como definir a sensação. É um sentimento tantas vezes nebuloso, eu sei. Mas é que essa danada quando chega, em diferentes momentos e em diversas proporções, aperta tanta o coração que chega a doer.

Gente chata só sabe ser pedra no meio do caminho, nunca flor

Gente chata acha um problema em toda solução. Ou adora dar palpite na vida alheia. O melhor é fugir dessas pessoas enquanto há tempo (Foto: Free Images)
Gente chata acha um problema em toda solução. Ou adora dar palpite na vida alheia. O melhor é fugir dessas pessoas enquanto há tempo (Foto: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do portal NE10

Tem uma amiga que quando detecta gente chata no radar solta logo a máxima: “Eu posso ter somente dois amigos, contanto que eu tenha paz”. E aí ela vai pra bem longe. Ou senão corta da lista de contatos sem nem pestanejar. Às vezes ela até deixa claro que não quer aproximação nenhuma. Ignora, deixa de frequentar os mesmos lugares, dá meia volta quando encontra nas festas, faz a egípcia, muda até o lado da calçada. Pense numa sabedoria dessa menina.

Certa está ela. Gente chata complica a vida demais. Dá um nó na garganta. Endurece a rotina. Entristece os outros no fim do dia. Um empurrão enquanto você dança. Um balde de água fria na sua felicidade. Uma pedra no sapato. Uma topada no meio fio. E o pior é que essas pessoas estão em todo lugar. Quanto mais você se esquiva, mais elas acertam em cheio. Elas brotam. É o milagre da multiplicação. Pense numa agonia.

Gente complicada acha um problema em toda solução. Ou adora dar palpite na vida alheia. E não sabe ficar calado quando não tem nada de bonito ou interessante a dizer. Simplesmente não consegue respeitar a opinião do próximo. Faz de tudo para diminuir, envergonhar ou ridicularizar quem não está nos padrões. Gente chata não satisfeita em apenas não ajudar, adora atrapalhar quando está todo mundo no meio de uma confusão.

Gente chata não sabe o que é gentileza. Não entende o que é retribuir. Não consegue fazer um elogio. Pelo contrário, é o primeiro na fila na hora de criticar. Gente complicada adora joguinhos mentais. Essas pessoas vão lhe testar até você não aguentar mais. Vão lhe obrigar a engolir vários sapos, encontrarão diversas oportunidades de lhe deixar constrangido e podem até conseguir lhe fazer se sentir culpado.

Gente complicada adora falar o que quer e depois fugir na hora de escutar o que não quer. São pessimistas, maldosos, um calo inexplicável. Não sabem cooperar e vão tirar sua paz porque acreditam piamente que precisamos de sua aprovação. Verdadeiros fiscais de vida alheia. Julgam atitudes, repreendem o próximo, só olham de cima. E se olhassem de baixo, pode ter certeza, te dariam uma rasteira. Gente chata não sabe o que é pedir desculpa. Essas pessoas vão passar por cima de seus sentimentos como um trator. E, o pior, tem umas que vão até voltar de ré. Pense num aperreio.

Para esse tipo de cruzada, só uma certeza para você: corra, corra enquanto há tempo. Não há pra que ficar, aguentar, aturar. Fuja, bloqueie, tire do seu feed, exclua do seu convívio se precisar. Até porque gente chata, bora combinar, só sabe ser pedra no meio do caminho, nunca consegue ser flor.