Não espere uma crise para saber o que realmente importa

Não aguarde períodos difíceis e horas complicadas para dar valor às pessoas e aos momentos (Foto: Pixabay)
Não aguarde períodos difíceis e horas complicadas para dar valor às pessoas e aos momentos (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Um, dois, três. Respira fundo. Não desiste, não. Um, dois, três, quatro, cinco. Não está passando. A primeira bolsa de soro. Lá vem a segunda. Meu Deus, a terceira. E agora a quarta. Vai passar, doutor? Tenha calma. Um cobertor, dois cobertores, três cobertores. Que frio, eu quero um abraço apertado. Preciso ir no banheiro, moço. Tira fio pra escutar o coração, coloca fio de volta. Vamos levantar para tomar remédio. Sobe cama, desce cama. Alguém me cobre? Moço, isso é normal? Calma, vai passar. Mas eu sou tão nova, por que comigo? Quando eu sair daqui, juro que vou dar valor ao que realmente importa.

Eis que passou, mas a lição bateu e ficou. Por que essa mania inexplicável de só se dar conta quando já passou? Quando já não faz mais sentido? Quando poderia ter sido feito antes? Quando perdemos algo ou alguém que tinhamos como garantido? O odioso hábito de deixar as tarefas para depois. De postergar o que nos faz bem. De procrastinar o que temos que fazer.

Doutor, eu tomei o remédio, mas ainda não passou. É normal? Calma, vai passar. Meu Deus, eu não aguento mais. Fecha os olhos, vai. Não consigo. Abro os olhos de novo. Essa claridade me irrita, mas a escuridão me apavora. Eu vou virar de lado, vai que melhora. Não passa. Vira pro outro. A mesma coisa. Eu quero chorar. Será que se eu chorar alivia? Não consigo. Ai, meu coração está apertado. Vai, desce, lágrima! Não sai. Eu sou tão boa com choro, por que não consigo chorar agora? O que foi que eu fiz para merecer isso? Meu rosto está em chamas, que vergonha. Quanto tempo já passou? Cai gota do soro, depois outra e mais outra. Meu braço dói – e minha alma também. Olho para um lado, para outro. Quero ir no banheiro, moço. Tira fio para escutar o coração, coloca fio para escutar o coração.

Não deixe que apenas viagens fantásticas lhe deem respostas que você precisa receber todo santo dia. Não permita que lhe coloquem para baixo diariamente para só depois perceber que bastava um fora para se permitir ser feliz. Não espere explodir de amargura para só então entender que tudo o que você precisava era dizer o que sentia – sem se importar com o que os outros achariam. Não ocupe sua rotina insanamente para só entender muito tarde que o cotidiano é exaustivo demais porque você só preencheu seu tempo com obrigações. Não espere perder tudo para só então dar valor à .

O médico passa e fala com outra médica. Param no meu leito. Estão olhando para mim e gesticulando. O que será que foi agora? Como você se sente? Ainda não passou, doutor. Vai passar. Cai gota, outra gota e outra. Até que a última cai. O jeito é aceitar, eles vão dizer mais uma vez que vai passar. Quem sabe não passa mesmo? Pronto, você está liberada. O sol já nasceu lá fora. E parece que eu nasci também. Agora eu vou fazer tudo diferente, pensei. Vou me preocupar com o que realmente importa.

Não permita que estraguem seu dia para depois enxergar que as horas continuavam ali, prontas para serem (re)significadas. Não espere destruir relações para entender que raiva e massa de bolo são iguaizinhas, esfriam rápido. Não reclame da falta de tempo para depois perceber que em 24 horas dá para fazer tanta coisa. Não espere sofrer por alguém para entender o que é amor. Não deixe que todos se afastem para compreender que suas atitudes sempre estão equivocadas e você provavelmente age como um babaca. Não espere por períodos sofridos de autoconhecimento para saber que todo momento é tempo de se analisar. Não espere ter medo para saber o que é tranquilidade.

Quero ir pra casa. Meu coração está apertado, meu braço dói – minha alma também.Finalmente entro no carro. Inspira. Um, dois, três, quatro. Expira. Vou abrir a janela, vai que com o vento melhora. Obrigada. Respiro mais uma vez. Um, dois, três, quatro. Obrigada. Que horas são? Quero chegar logo. Mais uma vez, obrigada. Já me sinto mais forte! Um, dois, três, quatro. Passa um semáforo. E outro. Mais outro. E aquela brisa leve de uma manhã tão espertamente despretensiosa parecia ter um importante aviso a dar: que eu não espere mais uma crise para finalmente entender o que – e quem – realmente importa.

Faça sua parte, pratique a empatia

Imagem de pessoa dando flores a outra pessoa (Foto ilustrativa: Pixabay)
Empatia é saber como ajudar apesar da vida corrida. Conseguir ser gentil, disposto, presente e atento (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Eu costumo acreditar que pequenos e grandes momentos sempre servem para nos ensinar algo sobre nós e também sobre os outros. Situações irrelevantes nos mostram como somos no íntimo, quando ninguém mais está vendo ou se importando. Parar na faixa, admirar a natureza quando o semáforo está fechado, decidir guardar o lixo na bolsa ao invés de jogar na rua. Já os períodos marcantes nos sinalizam como passaremos a agir em relação aos outros. Escutar até o fim quando desabafam conosco sobre os problemas, fazer uma ligação para quem está passando por uma situação difícil, optar por não rir quando alguém na turma é motivo de chacota.

Nas situações insignificantes aprendemos a lidar naturalmente com nossos medos, combatemos aos poucos nossas fraquezas e lutamos vagarosamente contra os nossos defeitos. São momentos do cotidiano que apenas nós vamos enfrentar. Sem o afago dos pais ou o carinho dos amigos. Nos momentos difíceis aprendemos não apenas a encarar nossos próprios problemas, mas também se voltar com certo cuidado para as dificuldades alheias. Não dói, não arranca pedaço e muito menos deixa nossa conta bancária no negativo. Ter empatia é o que quero dizer.

Lembro que, durante uma festa, me afastei um pouco das minhas amigas para sentar e descansar um pouco. Eis que senta ao meu lado uma menina, também sozinha. Bem mais nova que a minha pessoa, mas parecia tão sofrida quanto (risos). Mexia no celular, mandava mensagens, ensaiava o choro. Aquela situação me angustiava horrores – ela também estava com o coração partido.

Tomei coragem e disse algo do tipo: Isso vai passar. Você ainda vai viver muitos amores, pode ter certeza. Vai chorar muito, mas também vai sorrir bastante”. No final, depois de muita conversa e alguns conselhos, a moça se despediu contente. Tinha tomado coragem: ia tentar ser feliz. Ela saiu confiante e eu fiquei me sentindo importante.

Empatia é fazer sua parte mesmo que você se considere isento do problema. Afinal de contas custa nada ou muito pouco. É fazer perguntas mesmo que não esteja totalmente interessado nas respostas. É pensar duas vezes antes de tomar atitudes que tenham o mínimo de chance de magoar o próximo. É ser útil mesmo quando você não é extremamente necessário na resolução do problema. Empatia é parar e saber como ajudar apesar da vida corrida. Estar e conseguir ser gentil, disposto, presente e atento.

Empatia é muito mais do que se colocar brevemente no lugar do outro. É ficar no lugar dele por um tempo e entender suas inquietudes. Até estar pronto para estar ao lado de quem precisa nas horas mais confusas. Empatia é compreender onde o calo do próximo dói e quando o coração dele aperta. É, principalmente, não se esquivar de dores de cabeça que não são suas. É fazer pelo outro e também por respeito a você.

Empatia é algo que vem de dentro, com a maturidade, com as experiências insignificantes mas que fazem total sentido. Com fases marcantes, com a criação e, principalmente, com a noção que temos sobre nosso eu. Quem somos, quem queremos ser e quem não desejamos ser de forma alguma. Esta semana exerci a empatia com alguém que já foi de tudo nesta vida comigo, menos empático. E depois entoei um mantra pessoal: ‘cada um dá aquilo que tem’. No final, me senti bem! Afinal, empatia é uma daquelas coisas boas do mundo que quanto mais você distribui, mais rico você fica.

Precisamos falar sobre desapego

Desapego talvez seja aprender a desatar nós e compreender os laços (Foto: Pixabay)
Desapego talvez seja aprender a desatar nós e compreender os laços (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Eu pensava que seria só uma vez. Mas se repetiu. Pela segunda, pela terceira. Até que se tornou infinitas vezes. Aconteceu com outras, com outros. Com tanta gente. Se duvidar, aconteceu até comigo também. De repente, meus murais virtuais estavam lotados de textos vinculados a fotos de pessoas bem resolvidas, desprendidas, indiferentes. Meus feeds de notícias e imagens estão preenchidos, mas não é de amor, é de desinteresse. Mensagens que falam muito – mas muito pouco – sobre um tal de desapego.

Sim, nós precisamos falar sobre ele. Necessitamos urgentemente entender o desapego. Eu não entendo, talvez você não entenda. E muito provavelmente um bocado de gente está sem entender também. Mas sim, devemos e necessitamos urgentemente discutir o assunto. Precisamos falar sobre relacionamentos falidos, pessoas apáticas, papos egocêntricos, ciclos viciosos.

Precisamos conversar sem medo sobre paixões não correspondidas, diálogos frios, dores inexplicáveis e pés na bunda. Precisamos dizer o que sentimos mas, principalmente, deixar de fingir sensações que não nos pertencem. Precisamos sentir o luto, botar pra fora as angústias, procurar respostas e não desculpas. Devemos digerir nossas inseguranças, admitir nossos fracassos e deixar cair nossas lágrimas.

Sim, precisamos demais refletir sobre o desapego. Precisamos destruir uma corrente que não une, apenas separa. Precisamos tirar os celulares do modo avião, responder mensagens, deixar tudo claro, permitir que o outro siga em frente e evitar meias respostas. Precisamos e necessitamos parar de confundir maturidade com egoísmo. Precisamos urgentemente saber ir embora sem destruir o caminho que deixamos pra trás.

Precisamos e devemos conversar sobre desapego. Até que esteja bem claro não apenas nas nossas intenções, mas principalmente nos nossos gestos. Para isso, precisamos – e podemos – entender o que é o respeito com a dor do próximo, empatia com a tristeza do outro e paciência com os defeitos alheios.

Certa vez eu li que amar com desapego é deixar que nossos afetos sigam suas trilhas, mesmo que isso signifique lidar com a distância. É deixar ir, mesmo com a ilusão de que o outro vá ficar. É aprender a desatar nós e compreender os laços. Até que o vínculo seja tão forte que não haja uma necessidade inconsequente de posse.

Volto a dizer. Eu não entendo, você talvez não entenda e posso apostar que mais um tanto de gente fique sem entender também. Mas uma coisa é mais que certa: desapego, definitivamente, não é desinteresse. Pouco tem a ver com desprendimento ou indiferença. Precisamos urgentemente falar sobre ele. Até que entendamos que desapego não é desamor. É aprender a ter consciência – não só de si, mas principalmente do outro.

Carta para minha mãe

Nos intervalos de tranquilidade e estranhamento que deixamos de dizer as palavras mais importantes (Foto: Free Images)
Nos intervalos de tranquilidade e estranhamento que deixamos de dizer as palavras mais importantes (Foto: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Há alguns anos, em uma época rebelde, você encontrou certa dificuldade em me fazer obedecer as regras. Sem alternativas, decidiu apostar em uma lição peculiar. Me mandou uma carta. Eu, que nunca havia recebido uma, fiquei empolgada com a notícia de que uma correspondência (até então de remetente desconhecido) esperava por mim na caixa dos Correios. Desci as escadas, ansiosa por rasgar o envelope e saber o que me aguardava. Era você, sua danada.

Na carta, um texto sobre a importância de amar as pessoas sem que para isso tenhamos que perdê-las. Você com certeza deve se lembrar. Eu não me recordo o que se sucedeu com o passar dos dias, mas acredito que fiquei meio chocada com aquela mensagem, apesar de, naquela época, não entender bem a complexidade dos nossos sentimentos em relação àqueles que mais amamos.

Logo a rotina nos engoliu, é verdade. Os anos passaram e, ao passo que várias situações nos aproximaram, um bocado de períodos conflitantes também nos afastaram. Antes eu não acreditava, mas venho percebendo que foram, e continuam sendo, esses intervalos – entre sutil tranquilidade e estranhamento pesado – que deixamos de dizer as palavras mais importantes. E hesitamos em realizar os gestos mais significativos para pessoas como você, que estão por perto quando ninguém mais está ao nosso lado.

Talvez eu tenha esquecido de te agradecer por ter mandado aquela carta, exatamente naquele dia. Me ensinou, anos depois, a não ter vergonha dos nossos sentimentos mais puros. Ou, quem sabe, esqueci de mencionar que ter me deixado de castigo em momentos especiais da minha juventude foi importante demais. Me fez valorizar a necessidade de pensar muito bem antes de fazer besteiras.

Provavelmente eu esqueci de te parabenizar por todas as vezes que não me deu o que eu queria no momento em que eu pedia. Tanto sacrifício, tantas metas, tantos puxões de orelha, tantos obstáculos. Me fez entender o que eu realmente necessito e o que eu, de verdade, quero. Sei também que não te agradeci quando você foi a única a entender os exatos momentos em que meu coração foi partido. Com raiva ou magoada, esbravejei contra seus duros conselhos que me faziam encarar a realidade. Mas, mesmo assim, você continuava lá. Obrigada por isso. Não só por isso, mas por tudo mais.

Mãe, eu nunca parei para lhe dizer o quão importante foi todas as noites que você esteve comigo quando eu não conseguia dormir. Todas as festas que você organizou para me ver feliz. Todas as vezes em que ganhei um cafuné seu, um abraço, um mimo, um pedaço do seu tempo. E provavelmente também não me desculpei quando fui rude, quando esqueci de ligar ao chegar em casa depois da balada, quando coloquei suas ordens por último na minha lista de prioridades.

Há tantos e tantos motivos para eu te retribuir. Por ter sido uma mãe má, que me pregava peças para que eu aprendesse a me comportar, que me proibia de sair para os lugares da moda. Por ter me ensinado a ter fé e entender que nossa alma é o verdadeiro templo e também por ter me ensinado que sonhar não custa nada.

Talvez eu nunca tenha te falado isso, mas eu queria te agradecer por tudo isso e mais um pouco. Por ter a resposta para todas as minhas perguntas, por não desistir de mim, por me empurrar de encontro aos meus sonhos, por ter me defendido quando ninguém me defendeu, por ter me ensinado o que é ser forte quando não tenho mais forças e por ter conseguido evitar tantos sofrimentos que eu, por ventura, pudesse ter que enfrentar.

Mãe, essa minha carta é para você. Escrevi para dizer que eu tenho muito a te agradecer. Por tanto e por tão pouco. Mas, principalmente, por você ser meu porto seguro onde quer que esteja. O único lugar do mundo que é acalento, certeza, amor. Aquele cantinho particular que estará sempre florido, pronto para me receber quando eu quiser voltar.

Mais que amar, é preciso coragem para ser amado também

Às vezes insistimos nos mesmos caminhos quando outras trilhas, mais leves, nos pedem uma chance (Foto: Free Images)
Às vezes insistimos nos mesmos caminhos quando outras trilhas, mais leves, nos pedem uma chance (Foto: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Dia desses, tirei uma folga para viajar com as amigas. Clube da luluzinha mesmo. Fofocas, passeios, paqueras, abraços apertados e – por que não? – algumas fossas. Para lembrar que muitos encontros desta vida conseguem deixar o coração tão agradecido mas ao mesmo tempo um tantinho apertado. Eis que cada uma tinha sua história para contar, mas uma delas conseguiu se superar. Tudo porque ela precisava fazer uma difícil escolha. Entre um grande amor – conturbado, sofrido e cheios de idas e vindas – e uma excelente pessoa. Escolher é perder sempre, já ouvi dizer.

Eu sou libriana, então ter que fazer escolhas me apavora. Socorro. Mas, graças aos Céus, eu não tinha nada a ver com aquela situação, então me parecia sensato escolher o grande amor, afinal, ainda existia sentimento – e dos grandes. Se faz sentir, faz sentido, também já escutei por aí. Por isso, fui clara: amiga, se você acha que ainda vale a pena recomeçar essa história, então se entregue a esse amor. Como é bom ter certeza no que se diz. Indecisos do mundo, eu entendo vocês.

Acontece que todo dia ela mudava de decisão. Eu, no entanto, me mantinha segura na minha opinião – glória! Até que ela soltou mais um questionamento, que dessa vez acertou bem fundo em mim: é que eu cansei de amar, sabe? Eu preciso sentir o que é ser amada também. Naquele antigo amor, ela se desgastava, chorava, desacreditava e se iludia com a esperança de dias melhores. Períodos calmos, sem aflições e brigas. O carinho sincero na rotina que afasta e o resgaste de um amor que já levava a relação como garantida. Aquela nova pessoa era tudo ao contrário. Há quem diga que seria apenas pelo frenesi da nova conquista, mas… De verdade, quem garante?

Eu, talvez, nunca tenha entendido tanto alguém como tinha entendido ela naquela angústia. Em outro momento da minha vida, também tive que escolher entre um grande amor e uma pessoa incrível. Com a imaturidade, fiz a escolha errada. Esse coração bandido que insiste em fugir da razão. Quando minha amiga, aflita com tantas dúvidas, me confessou aquilo, eu me vi no lugar dela. É que já me dediquei tanto em amar alguém e nunca percebi que é necessário se sentir amada de volta.

Às vezes a gente se esforça tanto para acreditar em algo que acaba fugindo da realidade. Vemos afeto onde não há sentimento; torcemos pelas mudanças; rezamos pelas reconciliações; deixamos nossas vontades em segundo plano; dizemos sim quando queremos dizer não; insistimos no mesmo caminho quando outras trilhas, mais leves, nos pedem uma chance. E o pior: continuamos na luta mesmo quando o coração já se deu por vencido.

Hoje, mais madura, percebo que, por ato falho, insisto em amar e esqueço de ser amada. Perdi oportunidades incríveis de acalmar meu coração enquanto gastava meu tempo tentando fazer com que me amassem de volta. Vi afeto onde não existia sentimento sincero. Torci por mudanças que nunca se concretizaram. Rezei por reconciliações que nunca aconteceram. Me senti culpada quando deixei minhas vontades em primeiro plano. Disse tantos e tantos sim quando o que eu queria mesmo era dizer não. E tem mais: continuei me partindo aos pedaços em batalhas que claramente já estavam perdidas.

Eu sei que anos vão passar e eu – assim como minha amiga, assim como você, assim como tanta gente nesse mundo – vou continuar pisando em terrenos desconhecidos, morrendo de medo de pisar em bomba. Mas quem se entrega continua se aventurando em mares revoltos. Mas espero que, em algum momento, nós aprendamos a voltar por campos mais seguros sem medo de errar.

E que um dia eu – e minha amiga, você que parou para ler meu texto e quem quer que seja que ainda tenha dúvidas – entenda a grandeza que é amar, mas que compreenda de uma vez por todas que é preciso coragem para se dar a chance de ser amado também.