Não romantizem um relacionamento abusivo

Relacionamentos abusivos deixam marcas que não se resolvem na terapia, não cessam com antibióticos e não se curam instantaneamente nem com muita oração (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

* Sugestão da autora: ler o texto ao som de Back to Black, de Amy Winehouse

Quando eu era adolescente, imaginava que para um relacionamento ter fibra, ele precisava ser um pouco descontrolado. Acreditava que brigas desrespeitosas por ciúme, discussões em público e puxões de braço eram demonstrações de amor. Achava que sexo para fazer as pazes, mesmo que as arestas não fossem ajustadas, era o máximo. Sabe como é, né? O combustível para a explosão. Sim, eu acreditava. Era isso que eu lia nos livros e era exatamente assim que as relações ao meu redor se baseavam.

Quando eu era adolescente, imaginava que o papel da mulher era aceitar as traições, desde que o marido voltasse para a casa pedindo mil desculpas. E, no fundo, eu sabia que quando eu crescesse terminaria aceitando não apenas um deslize, mas quantos quer que fossem. Porque quem ama, perdoa. Era o que eu pensava. E não me culpo por isso. Foi desta forma que me mostraram a vida, mesmo que eu quisesse, bem lá no íntimo, que tivesse sido diferente.

Quando eu era adolescente, vejam bem, eu achava que gritos e berros eram excitantes, porque assim mostravam que existia química entre o casal. Que sexo forçado, no fim das contas, podia ser até estimulante, ah, vai lá, fazia parte das preliminares! Sim, era isso o que eu pensava. Era o que as novelas na televisão me mostravam e os filmes no cinema insinuavam. Não me culpo por isso, foi assim que aprendi e foi dessa forma, infelizmente, que deixei meu ser incorporar diversas falsas crenças.

E então eu cresci. O primeiro empurrão veio e eu não achei nada bonito. A primeira discussão em público também chegou e eu não achei graça. O sexo para fazer as pazes nunca vinha acompanhado de uma boa e respeitável conversa que deixasse ambos os lados satisfeitos. Na verdade, o gosto que ele deixava no final era bem amargo. E fui permitindo, como imaginava na adolescência, diversos deslizes simplesmente porque acreditava que o amor vive de segundas, terceiras, quartas chances…

Se já era difícil digerir quantas e quantas coisas fui capaz de fazer por amar demais, nestas últimas semanas, surreal para nós mulheres, me vi forçada a encarar fantasmas que continuam nos assombrando. Sabe por que? Porque eles são reais. E estão mascarados de homens que nos julgam, nos assediam, nos humilham, nos enganam, nos manipulam e nos batem. Homens que nos confundem, nos deixam sem chão, nos abandonam e deixam sequelas profundas – muitas vezes na alma, outras tantas vezes no corpo. Homens que nos matam: no sentido figurado e literal. Homens que seguem livres e soltos, com a consciência tranquila e intacta. Vida que segue, é o que eles dizem, acredita?

São traumas que seguimos levando todos os dias, empurrando para debaixo do tapete. Marcas que não se resolvem na terapia, não cessam com antibióticos, não se curam instantaneamente nem com muita oração. São traumas que viram doenças – feridas que sangram bem lá dentro, no fundo da alma. E muitas vezes não se fecham. Nestas últimas semanas já ouvi e li de tudo. Na minha timeline apareceu o que você puder imaginar: ‘ela mereceu’, ‘devia ter denunciado logo’, ‘ela também não presta’, ‘ele devia estar drogado’, ‘nunca foi a conduta dele’, ‘não está sendo fácil para ele’, ‘os dois estão errados’. Justificativas para disfarçar um tumor bem mais maligno do que a gente pode dimensionar, sabe?

No meu feed também surgiram diversos relatos e reflexões de pessoas que nada agregam à luta – inclusive abusadores reais. Gente que não se importa com quem vive em um relacionamento abusivo. Homens que não entendem e nem querem entender onde erraram e nem sequer se esforçam para mudar. Eles continuam os mesmos. Saca só: eles só querem parecer que se importam. Bancar o bacana ajuda nos likes, deixa todo mundo bem na fita. Pessoas que realmente não se interessam se seus comportamentos babacas devastam a vida de mulheres que todo santo dia perdem um pouco mais: da voz, da dignidade, da autoestima, da vida. Todo dia eu lembro o quanto eu morri por dentro a cada 24 horas e quanto eu precisei lutar para renascer a cada dia.

Então eu estou aqui para te dizer, mana, que está tudo bem não perdoar quem te fez mal para car*lho. Tá tudo bem sentir raiva, não precisa relativizar a culpa. Tá tudo bem bloquear, denunciar, colocar a boca no trombone. Tá tudo bem, viu? Texto nenhum no Facebook vai te fazer esquecer cada noite mal dormida. Nem vai passar uma borracha em cada agressão física, verbal, psicológica e sexual. Tá tudo bem não cumprimentar na rua, não querer conversa ou desfazer os laços com quem foi conivente. TÁ TUDO BEM. Tá tudo bem desconstruir os falsos discursos moralistas. Isso, mana, vai lá, denuncia qualquer postagem ofensiva. Pode até entrar em briga por outras amigas. Tá tudo bem esfregar na cara, deixar bem claro para quem te magoou o porquê de não aceitar tamanha babaquice. Não é teu trabalho passar a mão na cabeça não, fica tranquila.

Eu estou aqui para te dizer que está tudo bem se negar a ser complacente com pessoas que só sabem compartilhar textos para reflexão, mas não têm a decência de se colocar no lugar do outro. Tá tudo bem dizer para que todos eles segurem a onda. Tá tudo bem pedir para não se meterem na nossa luta se eles não sabem – nem se importam em saber – o que é estar desse lado da batalha. Mana, fica de boa, tá mais do que tranquilo não deixar que escancarem mentes hipócritas. Tá tudo bem chorar, colocar para fora o que te fez mal. Tá tudo bem procurar seus direitos, olhar um pouco mais para dentro, ficar um tempo sozinha. Tá tudo bem se sentir morta para então renascer.

Só não pode se culpar…

… nem deixar que tirem por menos as inúmeras características de relações destrutivas – seja com marido, namorado, ficante, rolo, romance ou lance. Só não pode esconder tuas dores por vergonha do que vão falar. Nem relevar ‘práticas absurdas’ por pura conivência. Nem muito menos permitir que tirem a tua voz. Não deixa não, mana, que romantizem um relacionamento abusivo. Até porque a gente sabe que isso não é amor. É como uma doença, quase um vício.

Depressão não é frescura. Abrace quem precisa

Sempre que puder ajudar, ajude. Esteja por perto, ofereça seu tempo. Tenha paciência para escutar quem sofre com a doença (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Por mais que você tente ser uma pessoa presente na vida de quem ama, é normal que se falhe. Pela falta de tempo ou de tato, nem sempre correspondemos às expectativas de quem mais precisa do nosso apoio. Vou me explicar: ao passar por um problema de saúde, me aproximei ainda mais de uma amiga que já havia sentido na pele alguns dos sintomas em que me afundei por alguns dias. Ela esteve sempre ali: seja por ligações, mensagens ou abraços carinhosos que sufocavam as minhas lágrimas desesperadoras.

Não houve um só dia em que ela não me perguntou como eu estava, se precisava de ajuda, se queria companhia para um café ou uma sessão de cinema. Mesmo que aqueles programas fossem os que eu mais detestasse – porém os únicos que eu podia fazer naquele período. Todo dia ela me pagava um café, parava ao meu lado durante o expediente e escutava tudo o que eu tentava dizer – mas também aguardava pacientemente se eu não conseguia me expressar em palavras.

Mesmo aceitando aqueles programas que em outros períodos certamente me entediariam, ela conseguia fazer com que eu me distraísse. Eu só não conseguia entender uma coisa: o porquê de ela estar sempre animada para esses programas enfadonhos. Ir para um café?! Quando tudo o que eu queria era poder voltar a aproveitar as festas e viagens que estava acostumada a fazer? Até que, um dia, ela me olhou e disse: vai parecer horrível o que eu vou te dizer. Mas, agora, finalmente, eu tenho alguém para me fazer companhia nos programas que eu posso fazer.

Naquele momento eu entendi o quão negligentes podemos ser com quem precisa de nós em momentos de dor. Ela tem depressão. E eu sequer me recordo uma única vez que a chamei para tomar um café ou assistir um filme enquanto ela passava por dias nublados. Não porque não me preocupasse com ela, mas porque eu não conseguia entender a dimensão do que é passar por dias difíceis: aqueles em que você não tem escolha. A tristeza simplesmente vem, sem que você tenha controle sobre seus pensamentos. Me culpei por alguns dias. Devia ter sido mais responsável, pensei repetidas vezes. Lembro que até cheguei a comentar sobre o meu remorso. E minha amiga disse: você me ajudou sim, em momentos que nem sequer imagina.

Nesta sexta-feira (7), é marcado o Dia Mundial da Saúde, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) para lembrar anualmente temas que necessitam da conscientização da sociedade. Este ano, a depressão foi a escolhida. Você sabia que essa doença afeta cerca de 350 milhões de pessoas em todo mundo? Imagina só quantas pessoas por aí precisam de palavras amigas, abraços carinhosos, conversas amigáveis e convites para passeios tranquilizantes?

Depressão não é frescura. Pois então, sempre que puder ajudar, ajude. Esteja por perto, ofereça seu tempo. Tenha paciência para escutar quem sofre com um transtorno que, por muitas vezes, é incapacitante e prejudica a vida das pessoas que convivem com ele*. Procure saber sempre mais, assim você terá como ajudar em momentos de crise. Se o paciente for da sua família, procure conversar com os médicos que o acompanham. Se informe, busque tratamentos complementares, o chame para realizar atividades físicas ao ar livre. Mais do que querer esses momentos, eles necessitam dessas injeções de felicidade. Faz bem para a saúde – e é comprovado cientificamente.

Se for seu amigo ou seu parceiro, não menospreze os momentos de dor. Não julgue as sensações e os pensamentos destrutivos. Apenas esteja lá para ajudar. Se não sabe como ajudar, pelo menos não atrapalhe. Comemore as pequenas vitórias do paciente como se suas fossem. Curta os pequenos grandes passos que eles dão dia após dia. Ofereça a mão se ele precisar de ajuda na caminhada. Ou observe ele ir sozinho: mas fique atento, de longe, caso ele precise de um apoio extra.

Se sente perdido? Quer fazer sua parte?

Leia também um pouco mais sobre outros transtornos psiquiátricos. Muitos distúrbios podem vir associados a um quadro depressivo, como por exemplo o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), a síndrome do pânico, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e a fobia social. Lute para acabar com o preconceito da sociedade em torno daqueles que vivem com algum distúrbio. Batalhe contra o estigma que mina a confiança desses pacientes que de frágil não têm nada – eles são força bruta.

Essa minha amiga, que anda enfrentando suas próprias batalhas, me socorreu em outros diversos momentos em que precisei. E foi exatamente quem eu precisava que ela fosse: sem tirar nem por. Mesmo que, por tantas vezes, eu não tenha sido o apoio que ela precisou. Então, mais uma vez, sempre que puder cuidar, cuide. Acolha e abrace essa causa. Mais que um gesto de carinho, é um gesto de amor. Com você e com o outro.

* Além de assinar a coluna O amor que guardei para mim no NE10, Malu Silveira é repórter e escreve para o blog de saúde do portal, o Casa Saudável

Ninguém muda ninguém

Você não precisa mudar ninguém e nem esperar desesperadamente que te amem (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Esta não é uma história feliz, porém extremamente necessária. Para entendermos que muitas trilhas, apesar de infrutíferas, podem trazer alguns resultados. Conheça Maria, uma menina comum: qualidades diversas, inúmeros defeitos, uma cabeça cheia de sonhos e um coração preenchido com muitos desejos. Todo dia, Maria faz tudo sempre igual: trabalha, paga contas, pratica algum exercício, cultiva amizades e fortalece os laços. Maria acredita num mundo melhor com pessoas melhores… só não contava com um obstáculo.

Se atente aos fatos: eis que Maria conhece João. Outro menino comum: qualidades diversas, uma cabeça cheia de sonhos e um coração preenchido com muitos desejos. Maria simplesmente se encantou com João. Sociável, inteligente, ambicioso, bom amigo e companheiro, esforçado e engraçado. Parece que o problema de João era um só: ele tinha muitos defeitos. No começo, tudo bem. Maria não precisava lidar diariamente com as fraquezas de João. De fora, todo mundo é perfeito.

Até que Maria chegou mais perto. João nem sempre era sociável – e muito menos engraçado. Ao menos com os mais íntimos. De vez em quando uns rompantes, umas mudanças bruscas de temperamento, umas explosões desnecessárias. Tudo bem, é aceitável. Até que piorou: João nem sempre era um bom amigo. A prestatividade de sempre, observou Maria, já não era rotineira. João nem sempre estava ali quando era preciso estar perto. Passou a ser desatento e desinteressado. Tudo bem, pensava Maria, é o estresse.

Mesmo assim, as qualidades de João falaram alto. E eles passaram a se aproximar cada vez mais. Mesmo com todas as desavenças. Isso mesmo, Maria fechava os olhos para os erros de João. Sempre encontrava uma desculpa para aceitar grande parte das falhas. É a convivência, pensava Maria. Essa danada… desgasta demais as relações. Por mais que Maria tentasse mostrar o quão interessante era para João, ele nunca queria mais. Não estou preparado, ele dizia. Não é você, ele acrescentava. Sou eu, ele fazia questão de reforçar.

Já meio receosa e muito desconfiada, Maria decidiu chegar mais perto. Custava nada. Até que João passou a ser tudo o que ela não aceitava. Quando Maria reclamava, a culpa era das expectativas. Essa peste… que inventa relações e maquia sentimentos. Era difícil demais dizer adeus a João. É que ela não conseguia abrir mão daquela relação: porque ia doer demais. E, por mais que pedisse inúmeras respostas ao universo, Maria não conseguia escutar o seu coração.

Quando Maria já estava com os dois pés dentro, mais perto impossível, descobriu que não adiantava João ter inúmeras qualidades que lhe agradavam se os seus defeitos estavam sempre em primeiro plano. Maria tentou uma, duas, três vezes. João esnobou da primeira, reclamou na segunda e ignorou na terceira. Talvez João não fosse uma pessoa ruim, só não era uma pessoa boa para Maria. O fato é que Maria, que sempre quis ajudar o outro a ser alguém melhor, terminou sem socorrer quem mais precisava: ela mesma.

Sabe a Maria lá do começo? Continua com qualidades diversas e inúmeros defeitos. Mas lembra da Maria cheia de sonhos? Parece que ela está tentando ser um pouco mais pé no chão. Lembra do coração preenchido de desejos? Anda um pouco mais reservado. Blindou alguns sentimentos depois que sacou qual era o grande obstáculo: ela acreditava na mudança de uns pelos outros. Confiava que o melhor de nós inspira o que há de mais bonito no próximo.

Parece que Maria entendeu que…

… nem tudo que se encaixa faz bem. Dizem até que a forçaram a cortar os relacionamentos destrutivos. Ensinaram àquela menina com o coração preenchido de sentimentos que ninguém muda ninguém. E Maria passou a aceitar que merecia ser amada por alguém que realmente quisesse amá-la, não alguém que ela esperava desesperadamente que a amasse.

Então ela percebeu que cada um, com seus defeitos e virtudes, tem o dever de realizar suas próprias mudanças. E o fato de não conseguirmos fazer com que os outros sejam mais legais conosco não nos faz menos bacanas. Maria pode ser eu, mas pode ser você também: uma pessoa comum mas muito, muito especial. 😉

Os 10 tipos de pessoas que você deve evitar

Imagem ilustrativa de sapo em bicicleta de costas (Foto ilustrativa: Pixabay)
Para evitar algumas pessoas, o melhor é fazer as malas e partir (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Viver em comunidade é saber administrar as tretas. Com o pai, a mãe, o amigo, o vizinho e o chefe. Vale reforçar: os tempos não estão fáceis. As pessoas é que aprendem – na marra ou não – a resolverem seus dilemas com sabedoria. Quem manja da serenidade e plenitude que é aguentar as confusões aprendeu finalmente a pular as fogueiras sem sair chamuscado.

Ao longo desses anos, aprendi que evitar algumas situações e pessoas que nada nos acrescentam é o melhor a fazer se o que buscamos é sanidade mental. Fazer a egípcia, sair à francesa. Seja lá qual for a expressão, correr de gente que nos faz mal é essencial. Pensar um pouco mais em nós e não apenas nos outros. Faz um bem danado viu? Vem conferir os 10 tipos de pessoas que você deve evitar:

1. Egocêntricos

Vale lembrar que a lista não foi feita por ordem de maior chatice, mas, vem cá, gente egocêntrica é um pé no saco, né? É aquele tipo de pessoa que só sabe falar da vida dela. Num restaurante, por exemplo, precisa sempre ser o centro das atenções. Não deixa nem que o outro termine a frase. Há uma necessidade de falar sempre de si. Se você não tem a oportunidade de falar um pouco de você, do que adianta ser apenas ouvidos atentos para o outro?

2. Carentes

Há uma linha tênue que separa os grudentos, dos carentes e daqueles que gostam de carinho – tanto de dar, como de receber. Gente que demanda demais de carinho excessivo, que não respeita o espaço do próximo e que não consegue aceitar de maneira alguma que os outros têm sua própria maneira de expressar o afeto precisam levar um toque. Ou não. Vai saber…

3. Pessimistas

Não é frase de caminhão, mas bem que poderia ser: evite pessoas negativas. Elas sempre têm um problema para cada solução. Os pessimistas adoram melar todos os planos. Se você aparece com dez desfechos bacanas, eles têm onze obstáculos maiores. De energia negativa já basta os problemas do mundo, para que andar com gente que só consegue enxergar o mundo em preto e branco?

4. Quem te faz engolir sapos

É tão difícil explicar essa categoria que não tem nem um adjetivo específico. Mas vamos desenhar: se afaste de pessoas que te fazem engolir sapos diariamente. Nós não somos obrigados a deixar nada engasgado na garganta por ninguém. Esse tipo de pessoa geralmente diminui os próximos por insegurança, baixa autoestima e arrogância. Para que se manter por perto de gente assim?

5. Desprendidos

Se por um lado temos os carentes, do outro temos os desprendidos demais. Pense numa agonia. São aqueles que “não estão nem aí”. Autossuficientes, egoístas, desinteressados no próximo e mal resolvidos. Vou te dizer, são eles que andam espalhando por aí a falsa ideia do desapego. Preferem manter a aparência ‘cool’, demoram a responder mensagem, amam joguinhos doentios e por aí vai. Vixe, piores pessoas! Corre enquanto é tempo.

6. Vampiros

Mais conhecidos como vampiros, os sugadores de energia são difíceis de identificar. Mas se você prestar atenção direitinho, eles estão por todo lugar (e de dia também, viu?!). Uma mistura de várias categorias, é difícil segurar essa galera. Eles vivem reclamando de tudo, acabam com a festa do outro com comentários dispensáveis e arranjam tretas quase sempre desnecessárias.

7. Misteriosos

Claro que, ao iniciar novas relações, não precisamos entrar com tudo. Com o tempo, trocamos as informações necessárias para que o relacionamento floresça. Mas algumas pessoas têm o poder de confundir os outros com atitudes que não revelam nada sobre sua essência. É o famoso: “Você não sabe qual é a da pessoa”. Não sabe se confia, se desconfia, se deixa se entregar, se vai ou se fica. Não, obrigada. Passo.

8. Aqueles que desconhecem a empatia

Essa categoria é uma das piores, sem dúvida. Num mundo cheio de maldade, como aguentar alguém que não se solidariza com os problemas dos outros? Como querer estar por perto de alguém que não sabe o que é se colocar no lugar do outro? Deveria ser muito simples, um exercício de humanidade inerente ao indivíduo. Costumo pensar que deveríamos nascer ’empáticos’, mas parece que tem gente jogando fora essa qualidade…

9. Explosivos

Ter que pisar em ovos com pessoas explosivas é desgastante. As relações não devem ser baseadas no medo. Ficar receoso com possíveis explosões de pessoas temperamentais é se anular. Com o tempo, passamos a gastar nosso tempo com essas pessoas não por admiração e sim por obrigação. Não vale a pena (nem o risco)!

10. Manipuladores

Por último, mas não menos insuportáveis: os manipuladores. Se pararmos para pensar nos inúmeros recursos que os manipuladores usam para nos convencer de coisas que não fazem bem para nós – apenas para eles – precisariamos de uma outra lista. Se você considera que não tem a força suficiente para driblar as armadilhas dessas pessoas, o melhor é fazer suas malas e partir. Em busca de sua paz, você merece muito mais que isso.

Melhor ser quente ou frio, morno jamais

Ser intenso é prejuízo, dizem por aí. Não é descolado, nem muito menos atraente e causa até gastrite (Foto ilustrativa: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

‘Sabe qual é o seu problema? Não me leve a mal. É que você é intensa demais’, escutei um dia desses. Talvez seja esse o problema de tantas pessoas, admito. Não saber o que é o meio termo para tantos dilemas na vida. Se entregar por inteiro ou não se abrir de forma alguma. Não querer nada de pouco, sempre de muito. E quando não quer, não quer de jeito nenhum. Sentir a alegria que quase beira a euforia e amargar o fundo do poço dos mais profundos. Não ter opinião formada sobre tudo ou defender ao extremo seus princípios. Mas nunca ficar em cima do muro.

Talvez seja essa a mancada de muita gente, pensei. Não saber ser pequeno. Querer ser grande, sempre muito maior. Aquele tipo de pessoa que é sim ou não: nunca talvez. Gente que odeia conversas triviais que não passam de cumprimentos desinteressados. Gente que gosta de textão, um papo mais interessante, arraigado mesmo. Que bate bem lá no íntimo. Que só sabe chorar de muito ou não consegue derramar uma lágrima que seja. Ah! pensei naquela hora, talvez seja esse o inconveniente de muita gente: se importar demais.

Apesar do impacto inicial com a crítica, lembrei de momentos anteriores que já haviam me ‘diagnosticado’ com esse infortúnio. Como se os intensos demais fossem afrontas à uma sociedade milimetricamente ajustada. Colocados num cantinho qualquer, totalmente excluídos, pagando o castigo por serem too much para um mundinho bom demais para ser descontrolado.

Ser intenso é prejuízo, dizem por aí. Não é descolado, nem muito menos atraente. Faz mal, causa até gastrite, acredita? É melhor ser desapegado do que estar sempre por perto. O elegante é guardar tudo que se tem para dizer, pecar pela falta do que investir no excesso. Menos é mais.

Não há como não se sentir estranho no ninho…

… alguns decidem reprimir os sentimentos, outros optam por subir no muro de vez. Com a maturidade, outros aprendem a medir a dose e tentam não transbordar o copo, num malabarismo eterno em busca do equilíbrio. Muitos inclusive entendem a danada da fórmula perfeita para controlar os impulsos e compreendem que ser intenso não necessariamente é um defeito, afinal… Melhor ser quente ou frio, morno jamais! 🙂