Quer ajudar quem precisa? Exerça a escuta atenta

Imagem de coração laranja pendurado (Foto: Pixabay)
Você pode ser a pessoa que fica no meio de tanta gente que preferiu ir embora (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Nos últimos dias você provavelmente deve ter visto através das redes sociais uma notícia informando que a partir de agora o número 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV), é gratuito para todos os estados brasileiros. Se espalhou que nem fofoca que devemos repassar essa informação para que assim ajudemos a combater o suicídio. Como uma ávida interessada neste assunto – por motivos pessoais e profissionais – e voluntária do serviço, não pude deixar de reparar que seria tão bom se nos dispuséssemos a ajudar quem precisa de apoio emocional na mesma medida em que compartilhamos tantos serviços de utilidade pública como se apenas isso já fizesse uma grande diferença.

Sim, parece radical o que estou falando. E é mesmo. Se eu te disser que, no mundo, a cada quatro segundos uma pessoa tenta tirar a própria vida, você vai acreditar? Ou seja, dependendo da velocidade com que você lê um texto, no mínimo uns três indivíduos decidiram interromper sua caminhada neste plano enquanto você lia essa crônica meio crônica meio reportagem. Já no Brasil, uma pessoa comete suicídio a cada 45 minutos. Façamos a conta. Quer dizer, faça você que eu sou de humanas. Mas rabiscando rapidamente. É mais de um ser humano por hora. Quando chega o fim do dia, foram mais de 30 pessoas que apagar suas luzes aqui na Terra. Partiram com elas tantos sonhos, planos, conquistas, virtudes e desejos.

E você aí achando que postar frases feitas convidando as pessoas a divulgarem o número gratuito já está mais do que perfeito. Pronto, fiz minha parte. Fez nada. Quer dizer, fez um pouco, mas falta muito ainda. E eu vou te dizer o porquê de faltar tanto assim.

Não adianta compartilhar mensagens de divulgação de um serviço tão bonito se você não se importa em escutar quem está do seu lado. Uma pessoa que muito provavelmente está definhando por dentro. Não faz sentido abrir os olhos para notícias “interessantes” da internet e fechá-los para quem enfrenta uma batalha interna e precisa da sua ajuda. De muito pouco vale incentivar o compartilhamento dessas notícias de você nada faz para ser parte essencial no tratamento de alguém que enfrenta enorme sofrimento psíquico.

Falo isso porque já estive dos dois lados dessa luta. Tentar sobreviver às dores da alma e da mente. E tentar a todo custo agarrar alguém que está afundando nos seus próprios pensamentos. Há que ser forte. Nas duas fronteiras. Nessa batalha, você precisa se posicionar. Não deveria ter a opção de ser um mero espectador. Porque as pessoas estão morrendo! Todo dia. Todo s-a-n-t-o dia. Enquanto estamos tão ocupados vivendo nossas vidas, postando nossas selfies, compartilhando nossos momentos “históricos”, registrando nossos stories. As pessoas estão decidindo acabar com seu sofrimento interrompendo suas vidas. E muitas vezes assim o fazem (te digo isso com toda a certeza) porque não têm colo de mãe. Ou conforto de pai. Ou ombro de amigo. Salvo as exceções “insalváveis”, tem gente preferindo morrer porque se sente só. Mesmo rodeada de pessoas. É solidão que fala, né?

Seja parte ativa na corrente que luta pela prevenção ao suicídio. Se o nome soa forte demais para você, então troque para “em prol da saúde mental”. Se eu te disser que uma pessoa emocionalmente doente tem o poder de contagiar quem a rodeia, você acreditaria? Pois é verdade. E você, se tirar um tempinho do seu dia para investir em apoio ao próximo, estará contribuindo para uma sociedade mais psiquicamente saudável. Você pode, sim, fazer a diferença. E sabe o que é melhor? Custa um total de zero reais ajudar quem está cravando uma batalha interna.

Se você ainda está em dúvida como pode ser útil neste processo, eu vou acabar com todos os seus questionamentos agorinha mesmo. Você pode ser ouvidos atentos, olhos compreensivos e mãos carinhosas. Pode ser gestos simples, mas profundos. Pode ser o motivo para uma caminhada no parque ou uma ida ao cinema.

Você pode ser uma conversa demorada no telefone. Mas sem julgamentos ou impaciência. Pode ser aquele que sempre cede porque tem condições emocionais de relevar os deslizes de quem enfrenta momentos de fragilidade. Você pode optar por escutar até o fim, sem interromper ou arranjar soluções que parecem óbvias e perfeitas na sua visão. Você pode ser um mero “escutador”. Por mais que pareça inútil, ser alguém que escuta tem um grande valor.

Você pode ser a pessoa que fica no meio de tanta gente que preferiu virar as costas e ir embora. Você pode deixar de se preocupar apenas com os seus problemas do cotidiano e tentar ser de grande utilidade para quem, além de suportar os pepinos do dia a dia, ainda precisa aguentar os monstros da mente. Que vem sem ser chamados e só vão embora quando sentem vontade. Você pode deixar de fingir que se importa e de fato se preocupar de verdade. Eu digo de v-e-r-d-a-d-e. Deixando os preconceitos de lado e compreendendo as dores dos pacientes psiquiátricos.

Não é frescura. Nem preguiça. Nem falta de Fé. Nem de coragem. Muito menos de roupa suja para lavar. Posso te afirmar com toda a certeza deste mundo – e de todos os outros desse universo – que não é piti de gente que muda de humor direto. Nem é muito menos falta de vontade. Gente, é dor real. De verdade mesmo. Consome, corrói, suga as energias por dentro.

Apenas um telefone gratuito para acudir quem clama por socorro não é a solução para tantos males. Nós precisamos olhar mais pelos outros. As escutas precisam ser atentas. E antes de tudo, empáticas.

Está precisando de apoio emocional? Ligue 188!

Relembrar o passado é sofrer duas vezes

Parece fácil dizer para aproveitar o momento, quando até o passar dos ponteiros do relógio é sofrido para alguns (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

É inevitável que levemos para casa as vivências que passamos no ambiente profissional. E existem alguns ofícios que, apesar de penosos, nos trazem lições de vida diariamente. Esse é o meu caso. Posso não ter muita grana na conta bancária, mas acumulo inúmeras riquezas nesses bons (e poucos) anos como jornalista. Não tem nem um mês tive a oportunidade de ser escalada para uma pauta (para quem não entende do vocabulário ‘jornalístico’, pauta é quando somos direcionados para certo acontecimento a fim de produzir matéria sobre o tema ou acompanhar repórter que fará a reportagem) no Hospital da Mirueira, em Paulista. Engraçado como a gente pode aprender tanto, sobre tanta coisa, num só dia.

A começar, aprendi que não importa quão bem você conheça a região onde mora, sempre haverá um rincão pelo qual você nunca sequer imaginou passar um dia ou nunca ouviu falar da existência. Segundo, por mais adulto que você seja, algumas situações sempre te farão voltar a ser criança. Pode ser comida de avó, cheiro de terra molhada ou aquelas viagens de carro que pareciam intermináveis e que você insistia em perguntar: “Já está chegando?”. Terceiro, se você encontrar uma roda de jovens senhores conversando sobre a vida, não perca a chance de sentar por perto, assim, como quem não quer nada. Pode ter certeza que você sairá dessa experiência cheio de aprendizados na mala.

Na minha ingênua (e errônea) percepção, o local ficava no extremo ponto contrário de onde de fato está situado. Já devidamente localizada, nunca imaginei que passaria tanto tempo dentro de um carro se nem sequer sai da região metropolitana. Matuta que sou, consegui ficar enjoada e melhorar das náuseas no mínimo umas três vezes antes de chegar ao destino – e vale ressaltar que na volta também. E o pior, não importava quantas vezes o motorista afirmasse que “estava chegando”, o local parecia ainda mais distante. Sim, é a vida nos mostrando que podemos viver diversas aventuras antes mesmo de concluir a rota.

A unidade é referência no atendimento aos pacientes de hanseníase. Em outros tempos, quando a doença, carregada de preconceito, ainda era chamada de lepra, o hospital servia às recomendações do Serviço de Profilaxia e funcionava com uma verdadeira microcidade. Dessa forma, os acometidos pela doença viviam totalmente isolados do resto da sociedade. Até hoje, antigos pacientes ainda vivem nas vilas construídas. Durante toda a tarde, acompanhei um senhor que viveu no hospital nos tempos de outrora. Ali ele constituiu família e, mesmo curado, continuou trabalhando nas dependências do complexo hospitalar. A cada história que ele contava, eu reafirmava uma certeza: quem na vida passou por muitas dores é quem mais tem algo a nos ensinar.

Enquanto esperava o repórter terminar seu levantamento de dados, aproveitei para fazer um chamego num gato que perambulava entre alguns antigos moradores que conversavam na frente de suas casas. Aproveitei e pedi licença para me abrigar com a patota. Com o entardecer, outros vizinhos foram se juntando e, ao perceber que eu era figura estranha no pedaço, compartilhando suas histórias. Não havia um que não carregasse alguma sequela física da doença. E mesmo assim todos estampavam sorrisos marotos – mesmo ao contar suas piores agruras ao longo da vida.

Eu queria demais ter esse ânimo diante das crises. Como seria incrível se conseguíssemos passar pelas tempestades com a vivacidade de quem consegue enxergar e seguir atracado ao lado bom das dificuldades. Qual é a fórmula? Como alcançam essa proeza? O que fazem para nunca desanimarem diante dos fatos? Onde recarregam as boas energias? O segredo está na dieta? No ar que respiram? Nas orações que fazem na calada da noite?

No desespero de tentar entender o caminho, questionei os ‘jovens’ senhores. Após recordar com os amigos de suas estripulias na juventude, seus grandes feitos na estadia no hospital, suas histórias de família, suas conquistas pessoais, o líder do grupo respondeu sem titubear:

– Mas para que eu vou ficar recordando das coisas ruins que passei? Relembrar o passado é sofrer duas vezes…

Talvez seja esse um dos nossos principais erros. Não faço ideia das artimanhas que eles usam para seguir firmes e fortes aproveitando o que o ‘hoje’ tem de bom para nos dar. Mas fiquei pensando, no longo caminho da volta, que os verdadeiros sábios são aqueles que conseguem essa façanha.

Eu já esbarrei nos mais diversos discursos, mas poucos me atingiram de forma tão profunda. Me parece tão fácil dizer que devemos viver no presente quando nossa trajetória nunca se mostrou complicada. Que precisamos viver um dia de cada vez quando os dissabores se perpetuam ao longo das horas. Que devemos aproveitar o momento, quando até o passar dos ponteiros do relógio é sofrido para alguns.

Viver apenas o presente. Uma missão para os fortes, é o que eu diria. E ali, ao enjoar mais um tantinho de vezes no percurso de volta, olhando o sol se por pela janela do carro, fiquei pensando: quando eu crescer quero ser igual a eles… vou tentar não mais recordar o passado. Quem sabe esse é o segredo para viver de verdade.

*Você sabia que O amor que guardei para mim virou livro? Isso mesmo! Na metade de maio lancei minha primeira obra: Tudo passa, esse amor vai passar também. A publicação reúne 20 crônicas – dez publicadas ao longo desses dois anos de parceria com o portal NE10 e dez textos inéditos. Quer saber mais? Só acessar o instagram do blog (@oamorqueguardeiparamim) ou mandar um e-mail para mim no maluspmelo@gmail.com.

Chegou o grande dia: o lançamento do meu primeiro livro

Espero todos vocês no Recife Antigo Hostel, a partir das 19h (Foto: Luiz Pessoa)

É hoje o grande dia. Venho me preparando para este momento há mais de seis meses. Foi um período intenso, de muita luta e conquistas. Criação, concepção da obra, trâmites burocráticos, busca de fornecedores e realização de inúmeras parcerias. Tudo para que o lançamento do meu primeiro livro (Tudo passa, esse amor vai passar também) ocorresse da forma que eu imagino ser do meu jeitinho. Não vou mentir: esse foi um processo bem complicado. Até porque fiz tudo sozinha, uma vez que a publicação é independente.

LANÇAMENTO DO MEU LIVRO NA MÍDIA:
» Malu Silveira fala francamente sobre o amor em seu primeiro livro
» Crônicas tratam sobre o amor e suas nuances
» Jornalista lança esta quarta livro de crônicas amorosas
» Jornalista pernambucana lança livro de crônicas amorosas
» Colunista do portal NE10 lança livro de crônicas

Na única editora pernambucana que procurei, o contrato era visivelmente desfavorável para mim. Já as editoras de fora variavam de resposta: umas estavam com o ‘recebimento de originais’ suspenso e outras me pediam para enviar meu original. Achei que seria uma corrida muito desgastante. Meu coração pedia que esse projeto fosse logo implementado. Era um pedido urgente. E não me arrependo. Nessa caminhada fiz tantos amigos! Encontrei apoio de tantas, mas tantas pessoas…

Quando comecei a escrever, bem nova, lá por volta dos 12 anos, foi para superar a mágoa de amigos que me escantearam nas brincadeiras. Mainha mandou que eu colocasse no papel todos os meu sentimentos – fossem eles relacionados à raiva, decepção, ira, frustração. Escrevi, rabisquei, chegava até a rasgar as folhas, tamanho era meu desespero. No fim, ela mandava que eu guardasse os escritos na gaveta e só voltasse a ler dias depois.  

Assim os dias foram passando. A cada vez que eu lia meus escritos, a sensação era de que a mágoa ia diminuindo. Como se a decepção com o próximo já não me doesse tanto por dentro. Escrever alivia traumas. Aprendi desde cedo. E dessa forma os anos foram se amontoando. Fui mantendo diários, extravasando os sentimentos nas cartinhas para os amigos, nas declarações virtuais, em momentos importantes.

Até que me apaixonei pela primeira vez. E sofri com a rejeição. Não conseguia lidar com o fato de que o primeiro homem por quem nutria um amor tão grande simplesmente não sentia nada por mim. Eis que um outro amor matou aquele primeiro. E mais uma vez sofri com a rejeição. Dessa segunda vez me vi de frente com inúmeras facetas do ser humano.

Chorei com a maldade de um homem que não me amava, mas também não me deixava seguir em frente. Definhei com a crueldade de uma pessoa que, claramente, jogou com os meus sentimentos apenas para alimentar o ego. Fui chamada de louca tantas, mas tantas vezes que cheguei a acreditar que de fato era desequilibrada. Doeu tanto na alma que adoeci mentalmente. Precisei encontrar o fundo do poço para compreender que precisava, urgentemente, cuidar mais de mim.

Escrever para aliviar essas dores foi uma das formas que encontrei para tentar restabelecer minha sanidade. Adotar uma cachorra, procurar apoio médico/psicológico, me dedicar ao voluntariado e me debruçar sobre sonhos interrompidos foram outros dos meus recursos terapêuticos.

Hoje é a realização de um sonho. Pra mim se assemelha a encontrar o pote de ouro no fim de arco-íris. Algo abstrato que passou do plano da imaginação para a realidade. Você consegue conceber o quão mágico esse momento é? Eu ainda não consigo. É como se Deus, ou quem quer que seja que nos olha lá de cima, estivesse me dizendo: siga em frente. Com medo, sem medo. Mesmo que doa. Deixe doer bem muito. Mesmo que você só queira morrer. Opte por viver. Apenas siga. Com Fé.

Hoje é o dia que compartilho meu primeiro filho com o mundo. Com a intenção que ele ajude outras pessoas a encontrarem seus caminhos. A entenderem que as dores machucam bem fundo aqui dentro, mas que são necessárias para os recomeços. A se sentirem acolhidas nos momentos de angústia. Acolhimento este que muitas vezes não tive e precisei, então, cuidar das minhas feridas sozinha.

Hoje é, quem sabe, o dia mais importante da minha vida. Acho que se eu morrer já cumpri o meu papel neste plano. Fiz das lágrimas poesia! Consegui transformar minha dor (física, mental e emocional) em bons frutos. Recebi tantas mensagens de leitores ao longo destes anos. Acho, enfim, que atingi meu objetivo: fiz com que os próximos acreditassem em dias melhores no meio de suas tempestades. E, olha que lindo, mostrei que tudo passa. Se tudo passa, esse amor vai passar também.

#Lançamento livro Tudo passa, esse amor vai passar também
Data: 16 de maio (quarta-feira)
Horário: a partir das 19h
Local: Recife Antigo Hostel | Rua da Guia, 117, bairro do Recife

#Dados da publicação
Título: Tudo passa, esse amor vai passar também
Autora: Malu Silveira
Gênero: crônicas
Ano de publicação: 2018
Preço: R$ 35
Editora: sem editora | publicação independente
Diagramação e concepção: Maryna Moraes
Preparação do original: Malu Silveira
Prefácio: Cinthya Leite
Revisão textual: Amanda Borba
Foto da contracapa: Luiz Pessoa
Leitura final: Malu Silveira

Você não pode abraçar o mundo

Existem as pessoas que não se importam com o problema alheio e aqueles que teimam em ajudar (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Se você fosse dividir as pessoas em grupos, obviamente seria impossível classificá-las em poucos times. Somos tantos, né? Variados tamanhos, etnias, cores e até valores. Pensamos de formas tão diferentes. Por isso há tanta briga – nos dias de hoje principalmente no Facebook. Mas eu arrisco dizer, depois de tantos atropelos, que, sim, existe uma seara dessa vida em que é possível enxergar uma linha que divide duas categorias: aqueles que preferem não se exaurir com problemas que não lhe dizem respeito e os que teimam em querer resolver as questões do próximo.

Creio que os primeiros preferem não se abater com as adversidades alheias porque já vivem com tantos quebra-cabeças próprios a serem resolvidos. Dessa forma, por mais que se compadeçam, parece não haver sentido em acumular mais desafios à rotina. Tem lógica! De uma perspectiva menos otimista, eu interpretaria que alguns, na verdade, não se importam. Mesmo, mesmíssimo. Assim, no superlativo. Não se importam porque não têm empatia. E seguem com suas vidas. Também faz sentido! Por mais que tenhamos uma compreensão empática não nos cabe julgar aqueles que não se afetam com as agruras do próximo.

A solução para a paz mundial provavelmente estaria na segunda categoria de pessoas. Aquelas que se envolvem, indireta ou diretamente, com os pesares alheios. Ah! Parafraseando Caetano, só quem se importa com o próximo sabe a dor e a delícia que é querer resolver os problemas daqueles que se ama imensamente – e até daqueles que nem ao menos se conhece para que exista uma conexão afetiva. Esses gostam de ajudar – mesmo que às vezes metam os pés pelas mãos. Se sentem importantes – algumas vezes por ego, outras tantas por puro altruísmo – em fazer parte da felicidade de quem já chorou um dia.

Olhe bem ao seu redor… você distinguirá facilmente essas pessoas. Na verdade, arrisco, mais uma vez, dizer que você inclusive já fez uma rápida autoanálise e se juntou a algum dos dois grupos. Se você está no primeiro time, tudo bem. Há quem não apiede-se pelas pessoas, mas ame os animais. Ou que não se importe com problemas humanos, mas cuide das plantas. E há ainda aqueles que não se importam nem com os humanos, muito menos com os animais e as plantas, mas faz de tudo para não poluir o ar, por exemplo. Tudo bem! Não é meu papel te reprimir por algum traço da sua personalidade., por mais que eu queira, com minhas palavras, propor reflexões que considero positivas naqueles que aparecem por aqui. o/

O meu recado, dessa vez, vai para os que, assim como eu, não podem ver um problema do outro que já quer resolver. E aí, nessa aflição de querer ajudar quem lhe chora as pitangas, não consegue dar conta. Esse é um aviso para quem não sossega enquanto não soluciona as demandas de outrem – simplesmente porque não se sente bem se todos não estiverem com um sorriso de uma ponta à outra – e se estabaca mais na frente.

O alerta vai para os que teimam em aparar as arestas do próximo e, no fim do dia, se sentem esfalfados como se tivessem corrido, no mínimo, umas três maratonas. Talvez esse seja um sinal de que estejamos ultrapassando limites – dos outros e até de nós mesmos. Isso quer dizer que, nessa corrida insana para tentar ajudar quem precisa (de acordo com nossa régua), haverá os que não entenderão as intenções – porque não querem ou simplesmente porque não precisam. Há tantos motivos. Mais uma vez: somos tantos, né?

Por tudo isso – e mais um pouco – eu queria dizer que não há nada de errado em sair de cena quando você perceber que não há mais como ajudar. Quando o ambiente não é propício, quando o momento não é oportuno ou quando a pessoa já não quer mais sua interferência. Por mais lindas que sejam suas intenções, talvez seja a hora de entender: você não pode (e nem precisa) abraçar o mundo.

* Você sabia que o meu blog, que leva o mesmo nome da coluna no Portal NE10, vai virar livro? Isto mesmo! Em maio, lanço o meu primeiro livro. Fruto de dois anos de uma parceria maravilhosa no NE10. Em Tudo passa, esse amor vai passar também, o leitor poderá conferir 20 crônicas – dez publicadas no portal e dez textos inéditos. Quer saber mais? Procura a coluna no instagram: @oamorqueguardeiparamim

Quem ama, não faz perguntas

Quem ama, sabe o que quer. Por isso nem faz questão de pechinchar (Foto: Reprodução da internet)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Quem ama, não faz perguntas. Não se questiona se tal pessoa é a certa. Quem ama, não recua em qualquer conflito. Fica ali, para enfrentar as batalhas. Quem ama, não titubeia. É sim ou não. Mas nunca talvez.

Quem ama, responde mensagens. E manda um monte delas também. Quem ama, deseja bom dia. E, se duvidar, recado de boa noite também. Não necessariamente todos os dias, mas o suficiente para estar presente. Quem ama, sabe o poder dessa presença. E quem é amado, pode ter certeza, vai sentir essa conexão.

Quem ama, não sente necessidade de enganar. Isso porque sabe que, no campo do amor, não há necessidade alguma de jogar. Quem ama, não recusa as ligações e nem precisa colocar o celular em modo avião. Quem ama, pelo contrário, é o primeiro a ligar.

Quem ama, está preparado para um relacionamento a qualquer hora. Isso mesmo. Anota aí: para o amor, não há tempo ruim. Faça chuva ou faça sol, sempre é um bom momento para amar. Quem ama, espalha. Escancara. Revela e, se precisar, publica no jornal e divulga na rádio. Porque o amor não é sentimento para se ler somente nas entrelinhas.

Quem ama, não esconde o amado. Não que ele seja um troféu – mas é, sim, motivo de orgulho. Quem ama, não sai pela tangente. Sabe o por quê? Porque o amor não é algo tão complicado que exista uma urgente necessidade de se esquivar.

Quem ama, se importa de todas as formas. Por isso, nunca vai querer ver o outro chorar. Quem ama, cativa. Mas, sabe o que é melhor? É que também sabe cultivar. Quem ama é companhia e sabe estar junto. Pois compreende que as ausências são o contrário de amar.

Quem ama, não insiste nos mesmos erros. Pois amar é aprender. E se não houve aprendizado, não há porque teimar em ensinar. Quem ama, não é arbitrário. Pois amar, por tantas e tantas vezes, é ceder. Porque o sorriso do outro é sinal de sorriso para quem ama também.

Quem ama, tenta outra vez. Pois amor é, entre tantas coisas, saber acreditar. Quem ama, sabe qual o valor de amar. Por isso nem faz questão de pechinchar. Quem ama, não perde o tempo. Não espera promoção. Nem precisa de cotação. Pois sabe que esse compasso não gira devagar. Quem ama, sabe o que quer. Por isso mesmo, resolve ficar.

* Você sabia que o meu blog vai virar livro? Isto mesmo! Em maio, lanço ao mundo meu primeiro filho. Fruto de dois anos de uma parceria maravilhosa no NE10. Em Tudo passa, esse amor vai passar também, o leitor poderá conferir 20 crônicas – dez publicadas no portal e dez textos inéditos. Quer saber mais? Procura a coluna no instagram: @oamorqueguardeiparamim