Imagem de mulher olhando para o mar (Foto ilustrativa: Free Images)
Saudade quando chega, parece que não tem hora marcada pra voltar (Foto ilustrativa: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do portal NE10

É piegas, eu sei. Mas saudade quando aperta, esmaga tanto que chega a doer. Essa abstinência de pessoas, lugares e momentos que teima tantas vezes em não passar. É complicado, eu sei. Mas que mania de querer estar junto quando não tem mais como ficar por perto. É que essa saudade insiste em não saber esperar.

É estranho, dá pra notar. Mas saudade quando chega, parece que não tem hora marcada pra voltar. É um tal de sentir falta de quem já foi, de quem mora longe, de quem perdemos o contato pelos desencontros da vida. Uma saudade de grandes amores, de amizades inesquecíveis, de momentos memoráveis. Saudade da rotina, da convivência, porque depois que elas acabam só quem fica é aquela ausência tão chata. Saudades do que já fizemos ou até do que deixamos de fazer.

Saudades de tempos mais fáceis, de colo de mãe ou de comida de vó. Saudades de correr na chuva e não pegar resfriado. Saudades de não precisar se preocupar com o que teremos que fazer amanhã. Saudades de balançar na rede e conseguir escutar as ondas do mar que iam e voltavam bem devagar. Ou daquela velha inocência, que não conseguia reparar no mundo maldoso que girava lá fora.

Saudade de perguntar como foi o dia. De saber das pequenas grandes novidades. De compartilhar segredos, de sonhar os mesmos sonhos. Saudades de abraços, beijos. Saudades de instantes e até de cheiros. Saudades de piadas que ninguém mais entende, de dividir histórias, de gargalhadas sinceras no meio do sufoco. Vontade de saber se está tudo bem, se precisa de algo mais e ou de poder dizer que nós podemos contar um com o outro.

Saudade é tão forte que não tem nem sinônimo. É tão incompreensível que às vezes nos faltam palavras para explicar, a gente só consegue sentir. É tão confusa que não há como definir a sensação. É um sentimento tantas vezes nebuloso, eu sei. Mas é que essa danada quando chega, em diferentes momentos e em diversas proporções, aperta tanta o coração que chega a doer.

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