Ilustração: Guilherme Castro / NE10
Será que vivemos em uma geração que só sabe contar seus problemas, mas parece não ter forças para ajudar nos contratempos que não lhe compete? (Ilustração: Guilherme Castro / NE10)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Uma peculiar geração que não sabe o que é ter paciência, que não compreende os sinais, que não gosta de fazer perguntas pelo pior motivo: nunca têm interesse nas respostas. Uma diferente geração que não se importa com os problemas alheios, não questiona seus próprios erros e que não tenta entender os seus anseios.

Uma particular geração que não responde ‘bom dia’, não sabe dizer ‘obrigada’, não sente necessidade de pedir ‘desculpas’ e simplesmente não entende o poder de um elogio. Uma espécie de desânimo pelas questões do próximo e um profundo desinteresse pela confusão que não faz parte do seu próprio mundo.

Uma especial geração que só sabe contar seus problemas, mas parece não ter forças para ajudar nos contratempos que não lhe compete. Que reivindica atenção, mas não sabe o que é estar junto, mesmo quando não está perto. Uma classe que compartilha o amor nas redes sociais, mas não tem a capacidade de estender a mão amiga se o seu momento não é tão ruim como o do outro.

Uma diferente geração na qual as trocas não são uma via de mão dupla. O lugar do outro, creia, é um destino pouco escolhido. As conversas são interrompidas a cada cinco minutos para uma longa checagem no celular. Os registros são muito mais importantes do que o momento – mesmo que de verdadeiro tenha muito pouco, quase nada.

Uma geração que pouco se incomoda com as injustiças do cotidiano. Que transforma em risada as lágrimas alheias. Que faz pouca ou nenhuma questão de aprender com quem sabe. Que não tira um momento para refletir. Que subestima a importância do luto e tem a certeza que a felicidade é a chegada, nunca a caminhada.

Essa é a geração que vive escrava dos padrões que lhe impõem diariamente. Essa é a geração que só sabe dizer ‘sim’ para todos os pequenos abusos, mesmo que algo lá dentro lhe peça sonoros ‘não’. Que só encarna seu próprio eu quando ninguém mais está vendo. Que tem vergonha de clichês por serem batidos demais, de lugares comuns porque todos já foram lá, de sentimentos banais porque parece que é pecado sentir demais.

Esta é a incrível geração que muito fala e pouco escuta. Os outros e a si mesmo.

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