“Eu amo você. Mas me amo muito mais. E sei o momento que devo partir. E, por te amar, vou te deixar livre para voar”, eu disse.

Nunca pensei que fosse tão difícil dizer adeus em tempos de tanto apego. Não imaginava que seria tão incômodo abrir a gaiola e finalmente entender que as pessoas que amamos têm o direito de voar. Difícil lidar com a pseudo perda. Porque você perdeu mas, olha que engraçado, eles continuam ali. Maçante ter que conviver com uma ausência forçada: aquela que machuca um pouco mais dia após dia.

Por onde andamos, sinais daqueles que deixamos para trás. No filme, na novela que você nem assiste mas, por acaso, parou para escutar um diálogo. Naquela música aleatória que toca na rádio que você quase nunca escuta. Nos incontáveis “eu avisei” que somos obrigados a escutar dos outros. Sinais de que deveríamos ter deixado ele voar há muito tempo. “Ele nunca foi seu. Você nunca foi dele. Não era para ser”. É o que dizem.

Aí paramos para pensar: era amor ou era apego? Amor é sentimento puro. É genuíno. Não é egoísta. Amor é altruísta. Apego é posse, é querer demasiado. É se anular diante das vontades do outro. Mas, mesmo assim, não acredito na lei do desapego que pregam por aí – porque eu não acredito nesta lei do desamor. Isso não é desapego, é egoísmo.

No primeiro dia do ano, sentei na areia da praia, olhei para o céu que tanto me diz mesmo quando eu não pergunto nada e jurei: “sabe de uma coisa?! Vou é praticar um pouco mais a lei do amor próprio”.

Vou, antes de mais nada, respeitar as minhas vontades. Vou lidar com minhas fraquezas. Vou enfrentar meus medos. Vou olhar um pouco mais para mim – eu, que sempre olhei tanto pelos outros. Vou conviver com estes sinais que deixaram no meio do caminho e entender que eu não preciso machucar ninguém com essa tal da lei do desapego.

Mas não vou deixar de ser quem sou. Nem por um momento. Vou entender que ele nunca foi meu. Eu nunca fui dele. Sou minha. Deixei ele livre para voar. Mas, na verdade, abri caminhos para que eu voasse também.

15 comments on “Deixar livre para voar e a lei do amor próprio”

  1. “Deixei ele livre para voar. Mas, na verdade, abri caminhos para que eu voasse também.”

    Maluquete, dia desses li um texto que diz taaanto sobre isso que escrevesse. Espero que tu goste! 🙂 É assim:

    “Não é exigindo do outro a entrega de algo que não é seu que alguém te amará. Não temos a posse do outro, então não se aflija por deixar o que não te pertence partir de você. Perdoe-se de suas dúvidas e não se esqueça que desistir de alguém não é fracassar, é só reconhecer que não se pode amar onde não há reciprocidade.”

  2. Muito, muito bonito o texto… Vc tem o dom da escrita. Suas palavras me fazem parar e refletir… Impossível não se identificar!!! E o que é melhor, querer mudar. Mudar de alguma forma, alguma atitude, por menor que seja, procurar mudar para melhorar e se amar!!!

  3. Poxa, Malu, fiquei pensando que eu tava presente nesse dia que tu olhou pro céu e pensou melhor, ou repensou. E eu nem sabia disso. É engraçado o tanto que se passa ao nosso redor sem que nos demos conta, tantos pensamentos, tantas reflexões, tantos sentimentos que não estão ao alcance. Possa ser que em blog a gente seja mais livre (eu sei que no meu eu sou, até tenho vergonha hihihi).
    Enfim, parabéns! Tá tudo lindo! Beijos e beijos!

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