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Carta a quem me foi cruel

Foto de menina com semblante triste segurando uma xícara. Vapor sai da xícara (Foto ilustrativa: Pixabay)
Você deliberadamente me abandonou. Você, que sequer deveria ser uma presença relevante, fez questão de que sua ausência fosse (Foto ilustrativa: Pixabay)

Por Luiza Freitas
luizafreitas.f@gmail.com

Há um tempo meu coração não está em paz. É que para ele é difícil entender como as pessoas podem ser cruéis por tão pouco. Como as pessoas podem dar as mais inacreditáveis demonstrações de falta de cuidado com o outro. Minha cabeça tenta explicar para o meu coração que o mundo é assim, que não devemos esperar tanto do outro. Mas ele é teimoso, não aceita.

Há um tempo venho experimentado um tipo diferente de decepção. A gente ouve tanto falar de desilusões amorosas, um pouco sobre mágoa com amigos. Mas o gosto que ainda sinto na boca foi inédito para mim. Ele veio como uma explosão amarga de desgosto. Não por um ente da família ou alguém extremamente próximo. É justamente o contrário. É o dessabor de perceber que alguém que não deveria ser tão importante na nossa vida pode nos atingir, nos ferir, nos expor. Qual a importância esse alguém tem para fazer um dano tão grande?

Durante esse tempo venho tentando convencer meu coração a não retribuir esse sabor, que só envenena. Mas lembre, ele é teimoso e fica remoendo: se eu tenho para você o mesmo nível de “desimportância” que você tem para mim, por que gastar tanta energia para me fazer mal?

Eu não sou perfeita. Tento, aliás, me convencer todos os dias que não posso ser perfeita e, assim, tirar um peso enorme dos meus ombros. Dói demais para mim perceber o tamanho dos meus erros. Dói porque sinto em mim a ferida que causei no outro. Por isso, quando peço desculpas – e eu pedi – faço isso de coração. Com esse mesmo coração que custa a entender o motivo da sua crueldade.

Agora deixe-me explicar melhor o que entendo por crueldade. Não gosto de classificar vilões da ficção como cruéis – para mim eles normalmente se encaixam em alguma patologia que um médico explicaria melhor do que eu. A crueldade a que me refiro é o abandono deliberado. É ignorar o sentimento do outro e, justamente por isso ou tendo isso como justificativa, decidir fazer algo se sabe que vai deixar o outro triste.

Para mim, a crueldade está mais próxima de alguém que decidiu não se colocar no lugar do outro que sofre e pede ajuda ao estereótipo do personagem que quer separar um casal e ficar rico.

A crueldade vem em forma de silêncio, de uma mensagem lida e não respondida, da ausência, do preferir não falar, do preferir falar por trás, de escolher não perguntar “como você está”, de negar a oportunidade do diálogo. A crueldade por vir na escolha de deixar cair no esquecimento, mesmo sabendo que nada vai ser esquecido.

A sua crueldade veio do seu egoísmo. De achar que a dor que eu te causei anula a dor que você me causou. O seu gesto mais cruel foi se negar a refletir sobre as minhas palavras, que por mais que elas tenham tido um efeito de lâmina sobre você, em mim as feridas já estavam abertas e você fechou os olhos. Você deliberadamente me abandonou. Você, que sequer deveria ser uma presença relevante, fez questão de que sua ausência fosse.

Tive uma professora que sempre nos repetia o conselho “existem três coisas que não voltam mais: a pedra atirada, a palavra dita e a oportunidade perdida”. Sempre quis pensar que tanto a pedra quanto o verbo poderiam ser remediado com um sincero pedido de desculpas. Para a oportunidade que passou de aceitar as desculpas e deixar a crueldade de lado meu coração ainda não encontrou uma solução.

Nós por nós

Como é difícil sentir falta de uma pessoa que sequer esteve ali para que sua ausência fosse sentida (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Hoje me peguei pensando em todas as vezes que esperei que você estivesse ao meu lado. E, seja lá por quais motivos, você sequer apareceu. Nem que fosse para me dar um breve, porém apertado, abraço. Lembrei que, ao receber um diagnóstico aterrorizante bem no auge dos 25 anos, aguardei tanto por uma mensagem sua. Um ‘tudo bem?’ que fosse. Só para me sentir querida, já que você não podia fazer com que eu me sentisse amada.

Hoje me dei conta das inúmeras vezes em que chorei e pensei que você poderia ter me estendido a mão. Como quando encarei algumas cirurgias morrendo de medo. Ou ao esperar aflita na sala de espera pela próxima consulta com mais um prognóstico dolorido no saldo. Ou naquela vez em que aguardei extremamente preocupada por notícias do sobrinho caçula, internado ao nascer por problemas no parto.

Hoje lembrei das tantas conquistas que quis compartilhar contigo. Dos conselhos que gostaria de ter recebido sem que para isso tivesse que ter implorado sutilmente por eles. Das conversas que gostaria de não ter precisado iniciá-las. Dos convites que tive que fazer porque eles nunca me eram feitos primeiro.

Hoje recordei dos pesadelos que tive e acordei desesperada desejando que você tivesse pressentido algo e falasse comigo. Relembrei também dos inúmeros sonhos que, ao acordar, eu rezava repetidas vezes para que todos virassem realidade. Do mais bobo ao mais erótico. Por falar nisso, hoje me peguei lembrando de todos os lugares em que fizemos sexo. Às vezes nem tão bom, mas quase sempre totalmente entregue. Mas aí me dei conta daquela mensagem do dia seguinte que quase nunca chegava e do abraço que quase nunca durava.

Se juntassem todos os dias…

… em que me peguei pensando como sua presença teria sido um abraço na minha alma pode marcar aí umas boas semanas, quiçá um punhado de meses. Penosas horas, nas quais fui ligando os pontos e juntando os retalhos. E sempre chegava a uma triste resposta. Como é difícil sentir falta de uma pessoa que sequer esteve ali para que sua ausência fosse, de fato e de direito, sentida.

Hoje, e em qualquer brecha do meu dia, me peguei pensando como é torturante ter que se conformar com o discurso de que não devemos criar expectativas. Quando tudo o que eu queria era regar alegremente minhas sementes e poder gozar dos meus frutos. Como seria bom colher amor se plantei, com tanto cuidado, carinho.

Mas não se preocupe. Não foi só você. Antes de você já existiu outro. E antes, outro. E outro. E não foi apenas comigo. É com tantas de nós. Que aprendemos, a duras penas, a olhar cada vez mais para dentro. A nos voltar para o íntimo. Ou nos jogar em círculos de acolhimento, prontos para enxugar lágrimas que não deveriam ter brotado por ali.

Hoje atentei para o fato de que, se por tantas vezes você não marcou uma gentil presença, provavelmente nunca mais marcará. E isso só comprova um triste cenário: estamos cada vez mais sós, embora rodeados de gente. É uma quase certeza lamentável de que, em diversos relacionamentos amorosos, não podemos contar para todo o sempre. Não há pacto de amigas ou juramento de irmãos. Nem muito menos o porto seguro dos pais. Vamos aprendendo, bravamente, a sermos nós por nós. Do contrário, se por acaso fraquejarmos, quem será?

Você já aprendeu a deixar alguém ir para sempre?

Imagem de balões em forma de coração no céu (Foto: Pixabay)
A esperança do reencontro algum dia, em algum lugar, é como um bálsamo à alma (Foto: Pixabay)


Por Marcela Laurentino

celinha_192@hotmail.com

Os almoços aos domingos não são mais os mesmos. Festejar o aniversário, Natal, Réveillon, não tem mais o mesmo significado e sentido. Reclamar porque chegou em casa tarde… por mais “espiritualizado” que o indivíduo possar ser é imensuravelmente doloroso (chega a ser surreal) ficar “inteiro” quando se tem que aprender a deixar o outro ir e para tão “distante”. 

Não ver, não sentir mais o cheiro, o perfume inconfundível, o cuidado (muitas vezes excessivo) que chegava a chatear mas hoje é o que mais faz falta. Não mais ouvir aquela voz, que outrora referia-se a nós carinhosamente. Aquela sensação de desamparo que se torna cotidianamente perturbadora parece ser mais persistente que a vontade de seguir em frente em paz e na paz. A vida parece ser posta pelo avesso e de repente não existe mais o “porto”, nem seguro. 

Morbidez? Exagero? E você, já aprendeu a deixar alguém ir “pra sempre”?

Faz parte da vida. Com o tempo vai passar…
Você não pode chorar, faz mal. Tanto para quem foi quanto para quem ficou…

Sinto muito, mas não é bem assim! É claro que o ciclo da vida tem que continuar. Haverá momentos em que não dará para conter as lágrimas e o choro vai “aliviar” a angústia. Só não deve tornar-se rotina ou se deixar “afogar” nas mesmas. E pode passar o tempo que for, o que sairá de foco será a angústia, o choque, mas a saudade… essas só aumentará, a cada dia, mês, aniversário, Natal… essa “ausência física” é absurdamente cruel. 

Mas devemos, sobretudo, sermos gratos a Deus, em poder ter tido a oportunidade de conviver com essas pessoas que a nós foram emprestadas por um curto espaço de tempo. Tão curto que, quando nos damos conta, não há mais como dar aquele abraço apertado de agradecimento guardados para outra ocasião e, hoje, só querem ser sentidos junto com aquelas outras palavras que antes, trêmulas e presas de emoção, hoje só querem ser ouvidas por aquelas que temos a impressão de serem nossas verdadeiras almas gêmeas, as quais temos um recíproco e imensurável amor que, como pegadas impressas na alma, é indestrutível. 

Esse amor que não anula a dor de não ter mais a presença física diariamente, que não evita que as lágrimas escorram pela face, mas um amor que enche o coração de orgulho, alegria, boas lembranças, conselhos, brincadeiras, gargalhadas… longe dos meus olhos mas perto, muito perto, do coração e da alma. De tudo que vai muito além desse plano terrestre. 

Notoriamente as coisas nem sempre são como queremos, aprende-se o verdadeiro significado de que o “querer” nem sempre é “poder”. Benditos sejam os planos de Deus. A saudade dói, e dói muito, é inexplicável. Cada um de nós a sente de forma e intensidade diferentes. Mas a esperança do reencontro algum dia, em algum lugar, é como um bálsamo à alma. 

Que possamos refletir sobre nossas atitudes, conceitos, pré-conceitos, tentar transformar-se para melhor, mesmo que a longo prazo e/ou a passos curtos. Você já tentou uma “reforma íntima”? Lembre-vos, deixar uns aos outros sempre com um aperto de mão, um abraço, um beijo, um simples “até logo”, “até amanhã”, pois não se sabe se o “amanhã” chegará. 

A morte não existe. Só há a separação das almas pelo olhar. Mas não interrompe o amor e a conexão que as une pelo coração. 

Seja forte, você precisa aprender a fazer o caminho de volta

Imagem de caminho de corações (Foto: Pixabay)
Nós precisamos entender que o caminho de volta, por mais doloroso que seja, é extremamente necessário (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Há alguns dias, em duas situações semelhantes, alguém terminava uma conversa com a seguinte reflexão: nós precisamos aprender a fazer o caminho de volta. Coincidência ou não, eu já vinha há certo tempo pensando no assunto. Mas não sabia explicar bem o sentimento. Da primeira vez que soltaram a frase no meio da discussão, devo ter achado engraçada a transmissão de pensamentos. Mas, logo deixei a rotina me engolir e fazer com que eu esquecesse de uma consideração que precisava aplicar urgentemente na minha vida.

Na segunda vez que o tema surgiu novamente, minha mente deu o estalo. Se foi preciso que o assunto surgisse em outra conversa provavelmente era um sinal do universo que eu havia deixado escapar na primeira oportunidade. Com o passar dos dias, me permiti observar melhor o que as deusas estavam tentando me dizer. Não era possível que esse conselho dos céus não fosse me ajudar em algo. Qualquer empecilho que fosse.

Deixando fluir, percebi que talvez esta seja o lema de nossas vidas. Sim, é preciso saber fazer o caminho de volta. Todo santo dia, no decorrer das semanas, ao longo dos meses, com o passar dos anos. Se você não passou por isso, se prepare pois vai passar. Se já passou pode ir se acostumando porque provavelmente passará pela mesma barra outras várias vezes. Calma, eu vou me fazer entender.

Talvez pelo esforço costumeiro, pela nossa garra em conseguir as coisas, em construir nosso patrimônio, em trabalhar nossas angústias, em lutar para ser alguém melhor, teimamos em não aceitar o fracasso. É difícil entender que certas vezes nós temos que voltar pela trilha e recomeçar tudo de novo. Sei também que é terrível retornar pela estrada e observar que algumas árvores que plantamos infelizmente não deram frutos; as flores, outrora tão vivas, já murcharam; a cerca que construímos e pintamos com tanto cuidado já está descascando; o asfalto, antes tão firme, agora está esburacado.

Me faltam palavras para descrever como é custoso lidar com a frustração. Talvez por isso o regresso seja tão cansativo. Dói na alma. É tão pesado que quase podemos sentir a carga nas costas. Mas nós precisamos entender que o caminho de volta, por mais doloroso que seja, é extremamente necessário. Para nos fazer mais fortes, mais ávidos, mais esperançosos. Por mais que durante essa jornada provavelmente nos sentiremos fracos, fartos e desanimados.

Essa frase vai te perseguir por toda a vida…

… e é muito provável que você tenha muita raiva de ter que reiniciar do zero. Na vida amorosa ou profissional. Nos projetos diversos. Hoje não vai ter textão, porque não há muito o que filosofar sobre. Só há que ser forte e ter muita Fé. Pois você precisa aprender a fazer o caminho de volta. E, acredite, ele será florido.

Os homens que não amam as mulheres, mas fazem tudo para prendê-las

Um jogo que certamente não tem ganhador. Quem perde, no entanto, demora muito para se libertar (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

* Relato pessoal da autora com experiências semelhantes vividas por outras mulheres

Nesta coluna aqui eu já escrevi de tudo um pouco sobre a seara afetiva. Quem acompanha meus textos sabe que já falei de rompimentos amorosos, amor próprio, reencontros, desapego e até de relacionamentos abusivos. Compartilhei vivências pessoais e de outras moças encantadoras que encontrei ao longo do caminho. E se esse é um espaço onde devo dividir tantos relatos, nada mais normal que juntemos retalhos de histórias parecidas. Eis que eu percebi que algumas narrativas que chegam até mim comprovam que, sim, existe uma classe de homens que não amam as mulheres, mas fazem de tudo para prendê-las.

Quer comprovar a teoria? Pergunte a alguma mulher do seu círculo social, da mais íntima à mais distante, se ela já passou por situação parecida: ela se envolve com um rapaz. De primeira, nada sério. Ambas as partes estão convictas de que o romance não envolve contrato de exclusividade. Mas o tempo vai passando e, como é de se esperar, um dos lados se envolve afetivamente. Nesse cenário, o lado é o feminino. Sem entender muito bem se o interesse é correspondido, ela começa a ler as entrelinhas. Cada gesto, cada palavra, cada contexto vivido entre os dois.

Se você espremer um pouco mais, essa mulher provavelmente vai te contar que foi se apegando a qualquer mínima demonstração de amor para se deixar ficar. Isso mesmo, quem ama geralmente se deixa enrolar. Ela vai deixar escapar, morrendo de vergonha, que todas as vezes que tentou escapar, algo acontecia e ela voltava a insistir em permanecer. A química perfeita, as histórias em comum, a intimidade compartilhada, a carência, a preguiça em procurar por outras pessoas. Muitos serão os motivos que elas te justificarão ter perdido tanto tempo com alguém que não estava na mesma sintonia.

Vou te contar um pouco do que eles costumam fazer. Eles vão dizer que não estão prontos para assumir um relacionamento sério. Mas darão um jeito de sempre monitorá-la a fim de checar se o território é só dele. Eles geralmente não têm ciúmes, sensação normal experimentada quando estamos envolvidos, mas farão ela pensar que, sim, eles estão enciumados. Eles perguntarão tudo sobre a rotina dela, mas vão se esquivar sempre que ela tentar fazer o mesmo. Vão sumir por algum tempo, mas não permitirão que ela assim o faça. Não darão expectativas, mas deixarão o solo adubado para que ela plante a semente da esperança. Eu disse o que? Esses homens não amam as mulheres, mas fazem de tudo um pouco para prendê-las.

Geralmente, quando confrontados, eles vão dizer que não têm culpa. Que sempre foram claros e que nunca sequer deram expectativas para que ela acreditasse que aquele lance poderia subir o degrau. Vão apelar para todos os santos, pode escrever. E então vão deixar de responder. Se você perguntar para essas mulheres, provavelmente elas vão te dizer duas coisas. Ou que se sentiram culpadas ou que acharam que estavam ficando loucas.

Depois de algum tempo, eles tendem a voltar. Começam rondando o terreno. Alguns vão se aproximar dizendo que sentiram muita falta dela. Seja como amiga ou como mulher. Outros vão justificar a reaproximação afirmando que não suportam a ausência dela. Nada claro de novo. Realmente, nenhum contrato firmado. É muito pouco. Mas para quem ama, acerta bem cheio, lá no fundo. E então o ciclo doentio recomeça. Um jogo que certamente não tem ganhador. Quem perde, no entanto, demora muito para se libertar.

Esse não é apenas mais um enredo de música sertaneja…

… são histórias reais, que acontecem todos os dias e sugam as energias de muitas mulheres ao nosso redor. É motivo de discussões acaloradas no WhatsApp, indiretas no Facebook e stories aparentemente desapegados no Instagram. São homens que não amam as mulheres, mas fazem de tudo para prendê-las. Resta saber se é por insegurança, imaturidade ou mais uma faceta da maldade humana.