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Onde não puderes amar, nem chegue perto

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Vez ou outra, quando precisamos reafirmar o quão frágil é amar o outro em uma comunidade onde existe muito amormas falta muito o verbo amar – uma frase atribuída a Frida Kahlo vem a tona. Onde não puderes amar, não te demores. Concordo, concordo plenamente, mas sempre me pareceu que nessa afirmação faltava uma certa coragem de preferir nem entrar nessa cilada.

Bem, estava eu, mais um dia, em busca de textos que nos faz sentir um pouco mais vivos. É demais a falta de sensibilidade do cotidiano. Chorar é bom. Transborda e lava a alma. Eis que, outra vez, aparece mais um texto construído sob essa afirmativa. E eis que um alguém muito sábio materializou em palavras tudo em que acredito. Onde não puderes amar, nem se aproxime. Pân! Sim, se você não pode amar, melhor nem chegar perto. É mais válido, mais sincero, mais justo e muito mais altruísta abrir mão de promessas que você não pode, ou não quer, cumprir.

Ademais, me parece muito egoísta despertar o sentimento do outro quando não há vontade de ficar: por pura vaidade. Para que servem os enganos, as mentiras, para que o desrespeito? Não há imposição alguma de criar raízes. Se não quer cultivar, pode ir embora. Cada um que plante seu jardim. Lembrei que nunca pedi nada, muito menos flores. 🙂

Se não há intenção de amar, não precisa demorar. Evita o desrespeito, a deslealdade, a mania de se esquivar. Quando a gente não pode ficar, é melhor deixar os outros irem. Para que incentivar os ciclos doentios ou regar a maldade de moldar o outro e não dá espaço para se moldar?

Para que insistir nas faltas, nas desculpas falhas de quem só quer se livrar de um peso que, sim, lhe cabe? Qual a necessidade do abandono mascarado de expectativas que o outro quis criar? Quando a gente não quer, deixa pra lá. Deixa que a vida se encarrega do outro. Vai, sai de perto. Deixa o outro respirar. Deixa o outro ir em busca de novas oportunidades. Dá espaço. Espaço para que o outro, ao perceber que não há amor, não se demore. Gente, é preciso dar oportunidade da escolha.

É bom demais evitar desencontros que forçam reconstruções dolorosas, apesar destas serem essencialmente lindas. Por essas e por outras coisas, onde não puderes amar, nem se aproxime. Desapeguemos-nos daquele egoísmo mesquinho que não deixa o outro ir e também não quer se deixar ficar! 

Um diamante chamado confiança

Imagem de um diamante quebrado (Foto: Free Images)A tela do celular trincada depois de uma queda. Uma folha amassada. Um brinquedo quebrado que, infelizmente, não tem mais conserto. Uma roupa que já está pequena demais. O sorvete que caiu no chão. Coisas sem volta. Coisas que você tem que aceitar que, por muitas vezes, não fez por onde evitar. Até porque, em certos pontos você simplesmente não entende a dimensão. Vai levando, deixa acontecer, se permite exceder os limites, apela para as desculpas, se perdoa inúmeras vezes, vive sempre na linha tênue do que é permitido. E então, veja só, a corda arrebenta. Você não sabia, mas aquilo se chamava confiança.

Eu também não sabia. Levava no malabarismo as outras pessoas. Testava, jogava, deixava que o humor do dia me dissesse até onde o relacionamento iria. Até que nos meus anos dourados, uma coordenadora do colegial entrou na minha sala, sempre muito rebelde, e reclamou do comportamento da turma. Decepcionada com os alunos, disse que tínhamos traído a confiança dela. Até aí, você leva na esportiva. Sempre dá para recuperar a reputação, a intimidade, a segurança. Mas ela deixou bem claro que não dava para voltar atrás. Tínhamos quebrado a confiança, que, como um diamante jogado no chão, estava trincada. E aí, dava para juntar os pedaços? Podíamos até tentar colar os fragmentos, montar o quebra cabeça, improvisar daqui, ajeitar de lá. Mas não tinha jeito, aquilo estava rachado. Você consegue lidar? Aquela frase ficou apitando na minha consciência: um diamante chamado confiança. Você tem que cuidar. Dar valor. Se importar, procurar sempre guardar. É viver correndo de um lado para o outro, fazendo de tudo para ele não cair. Cansa, mas dignifica. E como!

Nunca entendi bem aquelas pessoas que vivem quebrando a confiança. O que lhes falta? De onde vêm? Para onde vão? O que fazem? Como lidam com isso? Não consigo compreender quem a troca pelas suspeitas, sempre tão amargas. Ou pelas dúvidas, sempre tão angustiantes. Elas conseguem viver assim? Como é passar tanto tempo nesse limbo emocional? Não assimilo muito bem quem sobrevive dessa forma, quebrando inúmeros diamantes ao longo dos anos. É tão difícil assim entender que uma vez que se quebra não há como voltar atrás? Quanto tempo falta para perceber que não é possível dar uma rasteira e esperar que o outro não sinta a dor do tombo? E o pior, como não se sensibilizar com a decepção do próximo? Aquela história: muita gente colecionando pedra. E pouca gente conquistando diamantes.

Sempre me disseram que conquistar e manter a confiança dos outros não é fácil, mas vale a pena, uma vez que poupa muita dor, frustração e culpa. E te deixa muito bem na fita! Uma confiança valiosa que não custa nada, mas garante muita coisa. Uma pena que quando a gente quebra, sempre termina com um preço alto a pagar. E aí, será que você está disposto? 😉

Pela gentileza, obrigada

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Ali, parada no semáforo. Calor do inferno, cabeça a mil, coração apertadinho, cotovelo encostado na janela do carro, mão na testa, lágrimas teimosas, rebeldes. Malditas. Algumas de preocupação. Outras de medo. E muitas também de aceitação. Aí eu escuto um “psiu, ei, moça!”. Oi? Eu? Meu Deus, que vergonha! Abaixo, levanto, olho para o outro lado? Ai, não tem jeito. Olho. No carro ao lado, uma mulher – outro mundo, outras angústias, muitos medos, vários sonhos – olhava para mim com um sorriso estampado no rosto. Vôte, me deixa em paz. Ela, porém, continua esfregando a felicidade na minha cara. “Ei, moça, não chore não. Jesus te ama! Tá?”. Pâm!

Aí a gente para. E congela. Muito obrigada, eu digo. Muito obrigada, eu penso, e saio em disparada. Com muita vergonha, mas também com o coração cheio de gratidão. Moça, eu nem te conheço, mas te considerei pacas. Moça, muito obrigada pelo carinho. É tanto hoje em dia. É tanto para mim, que muitas vezes me acostumei à dureza dos nossos dias. Moça, muito obrigada. Por tão pouco mas que foi muito. Você me entende? Tenho certeza que sim. Jesus me ama! E te ama muito também. Obrigada e amém!

Moça, muito obrigada pela delicadeza em meio a tanta estupidez. Moça, muito obrigada pelo alerta. Para eu entender o que realmente importa. Moça, muito obrigada pelo afago. Me fez feliz ao perceber que ainda há muita sensibilidade por aqui. Valeu por ter buzinado. Eu nem gosto de buzinas, que queimem todas, mas essa até que tocou meu coração. Apitou na alma. Lá no fundo. Obrigada, moça, pelo cuidado. Por me pegar nos braços. Moça, pela ajuda, muito obrigada.

Moça, obrigada por me abrir os olhos para os pequenos gestos no meio do caminho. De amor, de afeto, de consideração. Obrigada por aquecer meu coração. Obrigada pelo apoio, por me fazer enxergar o seu e o dos outros. Eu nem te conheço, não te pedi nada e mesmo assim você me deu muito. Moça, pela gentileza, obrigada. 😀

Você tem que querer

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Você tem que desejar a caminhada e querer sempre dar os primeiros passos. Mas você tem que querer. Querer e fazer por onde (Foto: Free Images)

Sobre querer – e querer muito. Quando voltei de uma viagem longa, a primeira coisa que fiz foi olhar-me no espelho. Espelho de corpo todo. Ali, enquanto me esperavam para comemorar a minha chegada, derramei algumas lágrimas. Estava tudo ao contrário, eu estava virada pelo avesso. Eu não me reconhecia. Desejava e sonhava com muitas mudanças. Mudanças internas, externas, emocionais, físicas.  Estava , com medo, insegura, instável, me sentindo bem pequenininha, do tamanho de um botão. A minha cabeça estava cheia de muitas perguntas e principalmente aquela: “como eu me deixei chegar a esse ponto?”. No meu coração, um monte de sonhos. Ali, enquanto meu mundo girava, comecei mais uma caminhada. Mas dessa vez foi diferente. Eu não apenas sonhava, eu queria. Não adianta. Você tem que querer.

Claro que tropecei várias e várias vezes. Errei, chorei, tive medo de continuar. Contava os dias. Fiz planos, tracei metas. Desacreditei quando não conseguia. Escutei exaustivamente que não ia dar certo. Que eu estava exagerando. Encontrei quem me queria bem e quem me queria muito mal também. Tive que engolir alguns sapos, aturar várias piadas. Achei que o mundo era perverso. E ele é. Passei por fases de gritar minha felicidade e outras de esconder meu sonho dentro de uma caixinha de surpresas. Ri secretamente daqueles que só se aproximaram de mim quando eu consegui o que queria. Afinal, eu estava pronta para o mundo. Mas poucos sabiam que, no fundo, meu amigo, para mim só é maravilhoso quem assim é por dentro. Por fora, pouco importa. 😉 Mas eu queria. Queria e muito. Queria o pacote completo. E quando é assim, você paga um preço alto por querer – e querer muito.

É assim mesmo. Você tem que querer. Querer muito, querer bastante, querer de verdade. Você tem que confiar, tolerar e ignorar. Você tem que acreditar que as coisas vão mudar. Enquanto não mudam, você aprende a esperar – mas vai vivendo. Não adianta esperar a tempestade passar. Você tem que querer. Não adianta se conformar. Você tem que querer. Querer de uma vez, sem conta gota. Você tem que querer. Querer o bem. Querer por perto quem te faz sentir querido. Você tem que querer, querer amor e dar em troca. E você tem que querer também seguir, seguir em frente. Você tem que querer, querer mudar e mudar sempre. Mas é pra melhor, viu?

Você tem que desejar a caminhada e querer sempre dar os primeiros passos. Mas você tem que querer. Querer e fazer por onde. Um dia de cada vez. Respire, reze, agradeça, contemple. Esqueça. Vai passar. Vai acontecer. Vão mudar. O mundo vai girar. Mas você tem que querer.

Quanto vale o amor?

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Você teria como nos dizer qual o preço do amor? Quanto você pagaria para compartilhá-lo com o outro? (Foto: Free Images)

Se você conseguisse responder essa pergunta de um milhão de dólares, o que diria? Seria fácil definir sentimento e sensação? Se você pudesse explicar o que tantas vezes sentiu, como nos contaria? Seria possível lembrar dos melhores momentos e as piores situações? Se você soubesse como, de que forma traduziria suas frustrações, seus medos, suas angústias? E se você pudesse, como seria nos fazer entender sua felicidade diante do amor? Como é lidar com tantas dúvidas? E as incertezas, como conviver com elas? Para essas perguntas, você já teve alguma resposta?

Você teria como nos dizer qual o preço do amor? Será que está na sinceridade do sentimento ou na simplicidade das pequenas ações? Quanto você pagaria para compartilhar com o outro sua vida? Seria fácil dividir planos, sonhar junto, vibrar pelas conquistas, chorar pelo outro toda e qualquer derrota? Como é superestimar coisas tão simples? E subestimar aquelas mais complicadas?

Como é sentir que o amor é real? De tão real, você conseguiria tocá-lo? O que são essas coisas tão lindas? O que é se sentir confuso, transtornado ou totalmente entregue a algo que você nem ao menos sabe dizer qual o valor dele? Parece real? O sentimento é igual? Se você pudesse nos mostrar, como seria dizer a importância que alguém vai tomando em sua vida? É algo que te envergonha? Você se abriria em todos os sentidos?

Você saberia nos fazer entender o que é ser você diante do amor? Sem vergonha, sem orgulho, sem noção? Como é amar alguém mesmo com tantos defeitos? Mesmo com toda distância? Mesmo com todas as divergências? Mesmo com todas as imperfeições? Mesmo com todas as opiniões diferentes? Mesmo com todas as decepções? Mesmo com todas essas interrogações? Você conseguiria colocar uma exclamação em cada uma delas?

Parece difícil, não é? Tantas perguntas, poucas respostas. Mas é isso aí. Não é para entender, é para sentir. Para alguns, o amor vale demais. Para alguns, vale de menos. Para outros, não tem preço. Não se compra, não se troca, não se vende: ele se conquista. Depois disso não tem troca nem venda. E aí, para você, quanto vale o amor? <3