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A ignorância traz a paz

Dia desses, durante uma viagem, conversava com um grupo de amigos. Aí já sabe né, capirinha pra cá, cerveja pra lá, a gente já começa a divagar sobre dor de cotovelo, medos bizarros e, principalmente, sobre aquele bando de coisa insuportável que a gente é obrigado a saber e que, sinceramente, em nada nos acrescenta e só fazem nos desgastar. Totalmente sem necessidade. Aí que uma colega solta, como quem não quer nada… A ignorância traz a paz. Tive que parar com as gargalhadas naquele instante. Mentira, rimos ainda mais: HAHAHA, Senhor, ela havia resumido tudo.

pazVai… Quantas e quantas vezes escutamos alguém se queixando sobre como dói fuçar a rede social alheia? Ou como nos forçamos a frequentar lugares que nem combinam com nosso estilo só porque queremos esbarrar com gente desagradável? Ou como continuamos ouvindo histórias que não nos interessam/cabem mais só por educação? Ou insistir em continuar acuado naquele cantinho dum barco furado só porque te disseram que ter medo de afundar é para os fracos? Ou aceitar certos comportamentos só por educação?

Pior, quantas e quantas vezes nos obrigamos a passar por sofrimentos desnecessários? Encarar atitudes que não nos agradam? Ser cordial com quem não precisamos ser? Aceitar maus-tratos sutis que não devemos permitir? Tolerar pontos de vista abusivos por consideração? Para, amiga. PARA AGORA. Se tem uma coisa que você não precisa é disso.

Essa mania de tentar resolver problemas que não nos dizem respeito, presta bem atenção, só nos traz encrencas maiores ainda. Deixar que os outros encarem suas vidas sem que precisemos interceder é uma maneira, sim, de permitir que cada um resolva seus conflitos internos. Assim, as tempestades alheias não terminarão machucando quem não tem muito, quase ou nada a ver.

É uma ignorância que em nada se compara a se esquivar, se anular ou negligenciar. É ter a noção de que excluir certas coisas e pessoas de nossas rotinas é conquistar uma paz de espírito que não tem preço. (Porque, olhe, raaapaz, não está fácil). Paz ao tentar ser feliz todo dia, seja cortando o mal pela raiz ou optando pelo direito de não querer por perto o que e quem não te faz bem. Um exercício diário: ao tentar trilhar novos caminhos, seja desviando das rasteiras ou evitando a negatividade.

Viver na ignorância da paz é a opção mais saudável para o nosso coração nestes dias insanos. Deixa que digam, que falem, que se amostrem, que se estapeiem, que gritem para o mundo a felicidade e o amor vazio da internet. Enquanto isso, vai ver vídeos de pôneis coloridos ou novos episódios no Netflix ou terminar aquela trilogia erótica ou, melhor ainda, desligar o 4G do celular e ser feliz.

Melhor, evita aquela amiga que sempre te coloca para trás, ignore aqueles comentários maldosos no trabalho, exclua da sua lista – e da sua vida – aquele amor que em nada te acrescenta e só te faz mal – querendo ou não. Ou, quem sabe, entra na yoga, faz um intensivo de meditação, adquira o hábito da listinha da gratidão. Mas, principalmente, não dê justificativas a ninguém. Essa é a sua reconciliação particular: viver em paz e não admitir – JAMÁS! – que quebrem esse ciclo.

Ah! E a quem interessar possa, já procurei saber: 2016 é o ano da paz, do equilíbrio e da harmonia. OJALÁ! #oremos

Amiga, seja forte! Eu te amo

Amiga, tu és foda. Tu és uma mulher do caralho. Eu te amo, porra!

E então ganhei um abraço. Daqueles bem forte. No meio de um monte de gente no brilho. 😛 Cara, eu não fazia a mínima ideia do que ela estava falando. Oi? Ela, então, recuou: não, deixa pra lá! Eu insisto: vai, me conta! Por que isso tudo?

E então me explicaram. Sem perceber, eu já não estava permitindo que alguém que tinha me machucado continuasse causando tanta dor. O radar estava desligando. Dessa vez eu não tinha escutado os apitos. Aos poucos e cada vez menos potente.

Engraçado que o meu radar havia desligado, mas o da amiga não. Você tem uma amiga assim? Ela, que nada tinha a ver. Mas que, mesmo assim, havia passado noites em claro ao nosso lado. Ela, que tantas vezes escutou nossos lamentos. Que nos abraçou enquanto chorávamos no banheiro, no quarto, numa conversa qualquer. Ela, que nos fazia rir quando tudo o que queríamos era nos afogar em lágrimas.

amigasEla, que nunca disse que a dor de um rompimento iria passar rápido. Mas nos fez ter Fé nos dias seguintes. Ela, que nunca visualizou nossa mensagem e nos deixou no vácuo. Pelo contrário, sempre tinha um minuto de sabedoria para alegrar o nosso dia. Ela, que disse que os problemas da gente eram os dela também. Que tomou as dores ou que nos esperou para um jantar de consolo quando tudo o que ela queria era voltar pra casa depois de um dia cansativo.

Ela, que deixou de sair com outros amigos para escutar as mesmas reclamações e enxugar aquelas tão já batidas lágrimas. Ela, que tantas vezes foi a amiga da vez para que a gente esquecesse os problemas em um fim de semana qualquer.

Aquela vitória não era só minha. Era a dela. Dela, por não ter desistido de mim. Uma vitória pensada dia a dia. Amiga, pare de chorar! Amiga, tem um mundo lá fora esperando por você. 🙂 Amiga, vem cá, me dá um abraço. Amiga, um dia vai parar de doer. Amiga, eu te entendo. Amiga, estou muito feliz pelos seus avanços.

Deixo aqui uma reflexão de como nós podemos ajudar uns aos outros. É preciso unir, agregar. Não adianta desejar melhoras e seguir sua caminhada. Você tem que parar e estender a mão. Sabe qual a recompensa? A espiritual! Tem alguma melhor que essa? 😉

Vale uma palavra de apoio. Vale um abraço apertado. Vale um presente. Vale um dia na sua rotina atarefada. Vale trazer uma solução para alguém que está cheio de problemas. Vale parar de olhar para o próprio umbigo. Vale se colocar no lugar do outro.

Vale tudo para fazer alguém que a gente se importa voltar a sorrir. Amiga, seja forte. Eu te amo. 

Onde não puderes amar, nem chegue perto

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Vez ou outra, quando precisamos reafirmar o quão frágil é amar o outro em uma comunidade onde existe muito amormas falta muito o verbo amar – uma frase atribuída a Frida Kahlo vem a tona. Onde não puderes amar, não te demores. Concordo, concordo plenamente, mas sempre me pareceu que nessa afirmação faltava uma certa coragem de preferir nem entrar nessa cilada.

Bem, estava eu, mais um dia, em busca de textos que nos faz sentir um pouco mais vivos. É demais a falta de sensibilidade do cotidiano. Chorar é bom. Transborda e lava a alma. Eis que, outra vez, aparece mais um texto construído sob essa afirmativa. E eis que um alguém muito sábio materializou em palavras tudo em que acredito. Onde não puderes amar, nem se aproxime. Pân! Sim, se você não pode amar, melhor nem chegar perto. É mais válido, mais sincero, mais justo e muito mais altruísta abrir mão de promessas que você não pode, ou não quer, cumprir.

Ademais, me parece muito egoísta despertar o sentimento do outro quando não há vontade de ficar: por pura vaidade. Para que servem os enganos, as mentiras, para que o desrespeito? Não há imposição alguma de criar raízes. Se não quer cultivar, pode ir embora. Cada um que plante seu jardim. Lembrei que nunca pedi nada, muito menos flores. 🙂

Se não há intenção de amar, não precisa demorar. Evita o desrespeito, a deslealdade, a mania de se esquivar. Quando a gente não pode ficar, é melhor deixar os outros irem. Para que incentivar os ciclos doentios ou regar a maldade de moldar o outro e não dá espaço para se moldar?

Para que insistir nas faltas, nas desculpas falhas de quem só quer se livrar de um peso que, sim, lhe cabe? Qual a necessidade do abandono mascarado de expectativas que o outro quis criar? Quando a gente não quer, deixa pra lá. Deixa que a vida se encarrega do outro. Vai, sai de perto. Deixa o outro respirar. Deixa o outro ir em busca de novas oportunidades. Dá espaço. Espaço para que o outro, ao perceber que não há amor, não se demore. Gente, é preciso dar oportunidade da escolha.

É bom demais evitar desencontros que forçam reconstruções dolorosas, apesar destas serem essencialmente lindas. Por essas e por outras coisas, onde não puderes amar, nem se aproxime. Desapeguemos-nos daquele egoísmo mesquinho que não deixa o outro ir e também não quer se deixar ficar! 

Um diamante chamado confiança

Imagem de um diamante quebrado (Foto: Free Images)A tela do celular trincada depois de uma queda. Uma folha amassada. Um brinquedo quebrado que, infelizmente, não tem mais conserto. Uma roupa que já está pequena demais. O sorvete que caiu no chão. Coisas sem volta. Coisas que você tem que aceitar que, por muitas vezes, não fez por onde evitar. Até porque, em certos pontos você simplesmente não entende a dimensão. Vai levando, deixa acontecer, se permite exceder os limites, apela para as desculpas, se perdoa inúmeras vezes, vive sempre na linha tênue do que é permitido. E então, veja só, a corda arrebenta. Você não sabia, mas aquilo se chamava confiança.

Eu também não sabia. Levava no malabarismo as outras pessoas. Testava, jogava, deixava que o humor do dia me dissesse até onde o relacionamento iria. Até que nos meus anos dourados, uma coordenadora do colegial entrou na minha sala, sempre muito rebelde, e reclamou do comportamento da turma. Decepcionada com os alunos, disse que tínhamos traído a confiança dela. Até aí, você leva na esportiva. Sempre dá para recuperar a reputação, a intimidade, a segurança. Mas ela deixou bem claro que não dava para voltar atrás. Tínhamos quebrado a confiança, que, como um diamante jogado no chão, estava trincada. E aí, dava para juntar os pedaços? Podíamos até tentar colar os fragmentos, montar o quebra cabeça, improvisar daqui, ajeitar de lá. Mas não tinha jeito, aquilo estava rachado. Você consegue lidar? Aquela frase ficou apitando na minha consciência: um diamante chamado confiança. Você tem que cuidar. Dar valor. Se importar, procurar sempre guardar. É viver correndo de um lado para o outro, fazendo de tudo para ele não cair. Cansa, mas dignifica. E como!

Nunca entendi bem aquelas pessoas que vivem quebrando a confiança. O que lhes falta? De onde vêm? Para onde vão? O que fazem? Como lidam com isso? Não consigo compreender quem a troca pelas suspeitas, sempre tão amargas. Ou pelas dúvidas, sempre tão angustiantes. Elas conseguem viver assim? Como é passar tanto tempo nesse limbo emocional? Não assimilo muito bem quem sobrevive dessa forma, quebrando inúmeros diamantes ao longo dos anos. É tão difícil assim entender que uma vez que se quebra não há como voltar atrás? Quanto tempo falta para perceber que não é possível dar uma rasteira e esperar que o outro não sinta a dor do tombo? E o pior, como não se sensibilizar com a decepção do próximo? Aquela história: muita gente colecionando pedra. E pouca gente conquistando diamantes.

Sempre me disseram que conquistar e manter a confiança dos outros não é fácil, mas vale a pena, uma vez que poupa muita dor, frustração e culpa. E te deixa muito bem na fita! Uma confiança valiosa que não custa nada, mas garante muita coisa. Uma pena que quando a gente quebra, sempre termina com um preço alto a pagar. E aí, será que você está disposto? 😉

Pela gentileza, obrigada

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Ali, parada no semáforo. Calor do inferno, cabeça a mil, coração apertadinho, cotovelo encostado na janela do carro, mão na testa, lágrimas teimosas, rebeldes. Malditas. Algumas de preocupação. Outras de medo. E muitas também de aceitação. Aí eu escuto um “psiu, ei, moça!”. Oi? Eu? Meu Deus, que vergonha! Abaixo, levanto, olho para o outro lado? Ai, não tem jeito. Olho. No carro ao lado, uma mulher – outro mundo, outras angústias, muitos medos, vários sonhos – olhava para mim com um sorriso estampado no rosto. Vôte, me deixa em paz. Ela, porém, continua esfregando a felicidade na minha cara. “Ei, moça, não chore não. Jesus te ama! Tá?”. Pâm!

Aí a gente para. E congela. Muito obrigada, eu digo. Muito obrigada, eu penso, e saio em disparada. Com muita vergonha, mas também com o coração cheio de gratidão. Moça, eu nem te conheço, mas te considerei pacas. Moça, muito obrigada pelo carinho. É tanto hoje em dia. É tanto para mim, que muitas vezes me acostumei à dureza dos nossos dias. Moça, muito obrigada. Por tão pouco mas que foi muito. Você me entende? Tenho certeza que sim. Jesus me ama! E te ama muito também. Obrigada e amém!

Moça, muito obrigada pela delicadeza em meio a tanta estupidez. Moça, muito obrigada pelo alerta. Para eu entender o que realmente importa. Moça, muito obrigada pelo afago. Me fez feliz ao perceber que ainda há muita sensibilidade por aqui. Valeu por ter buzinado. Eu nem gosto de buzinas, que queimem todas, mas essa até que tocou meu coração. Apitou na alma. Lá no fundo. Obrigada, moça, pelo cuidado. Por me pegar nos braços. Moça, pela ajuda, muito obrigada.

Moça, obrigada por me abrir os olhos para os pequenos gestos no meio do caminho. De amor, de afeto, de consideração. Obrigada por aquecer meu coração. Obrigada pelo apoio, por me fazer enxergar o seu e o dos outros. Eu nem te conheço, não te pedi nada e mesmo assim você me deu muito. Moça, pela gentileza, obrigada. 😀