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As pessoas que a gente mais ama são as mais difíceis de manter por perto. Foi o que li em um livro. Pois é, pelos ciclos viciosos, pelo costume que aprisiona, pela rotina que esmaga ou pelo medo de repetir antigos erros, quem sempre está por ali termina sendo o último na lista de prioridades. E, nesse vício que sorrateiramente machuca, terminamos vivendo ausências de pessoas que estão, sim, presentes.

Deixamos de dizer algumas coisas porque subentendemos que o próximo já sabe de tudo. Ora, ele está ali sempre por perto. Já me conhece bastante. Ou não queremos dizer por vergonha, vergonha de mostrar que precisamos de companhia. Ou deixamos de dizer porque os outros não sabem receber elogios. E ficam ainda mais frustrados com as críticas.

Deixamos de fazer certas coisas porque temos uma estranha mania de menosprezar algumas atitudes daqueles que mais nos amam. Porque sabemos ser abertos ao mundo, mas continuamos incrivelmente fechados a quem nos cerca. Falamos de sentimentos no Facebook, mas temos vergonha de dizer o que sentimos a quem intimamente nos conhece. Temos muitos amigos nas redes sociais, mas não sabemos cuidar de todos eles. Somos incapazes de sermos quem somos ao lado de quem podemos ser e quando somos não sabemos ser corretamente. Talvez não seja para entender mesmo.

Temos o hábito de desistir fácil de quem aguentou nossa gripe em plena madrugada, de quem escutou os nossos sonhos, de quem respeitou as nossas diferenças, de quem nos levou no hospital no meio do expediente, de quem cuidou de nós em um pós-operatório difícil, de quem largou tudo numa sexta à noite para estar conosco. Mas, repara bem, sabemos reivindicar facilmente por quem não sabe o que é estar ao nosso lado em silêncio.

Temos um costume maldito de deixar pra depois. Uma mania terrível de escolher as melhores palavras com as piores pessoas, e as piores palavras com as melhores pessoas. Abraçamos quem não conhecemos e temos vergonha de um abraço já conhecido. Sabemos subestimar nossos melhores companheiros, mas jamais teríamos a ousadia de fazer isso com outro alguém.

Conseguimos juntar paciência para aguentar o pedante do lado, mas explodimos ao chegar em casa. Encontramos mil maneiras de estar presente para quem não estaria assim tão presente nos nossos momentos, mas inventamos mil desculpas para comparecer nos eventos dos mais próximos. Sabemos ser tão extrovertidos da porta de casa para fora, mas não conseguimos contar uma piada da porta para dentro.

Essa é uma via de mão dupla. Quanto mais nos doamos, mais recebemos de volta. Que encontremos tempo e disposição para contar até dez, para agradecer pela carona, para aguentar as divergências, para respirar fundo e para nos convencermos que amanhã nos sairemos melhor que ontem nessa difícil tarefa. Como tinha escrito em um muro: nós sabemos dar muitos likes, mas será que estamos sabendo dar amor?

4 comments on “As pessoas mais difíceis de manter por perto”

  1. Esse foi um tapa na cara da sociedade. Ahueahgeajieahuaea! Tirando a brincadeira, eu me peguei vendo cenas em cada parágrafo que terminava de ler desse texto. Coisas que eu já fiz, coisas que já fizeram pra amigos meus e que fizeram comigo. Muito bom o texto, amiga. Faz a gente repensar nos laços familiares e com os amigos. ♥Amo os teus textos!!!!

  2. Amiga, tu é F O D *.
    Muito bom esse texto. Eu amey. Cimo compartilha?

    O poeta já dizia “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, mas acho que o problema é usarmos bem essa responsabilidade.

    Teamo!
    Parabéns, mais uma vez!
    Beijos

  3. Má, tu sempre consegues me surpreender!
    Sempre bom refletir sobre isso… Obrigada por mais esse texto…obrigada mesmo❤❤❤
    Eu entendi a referência do like…kkkkkkkkk
    Te amo mt!

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