Imagem de balões em forma de coração no céu (Foto: Pixabay)
A esperança do reencontro algum dia, em algum lugar, é como um bálsamo à alma (Foto: Pixabay)


Por Marcela Laurentino

celinha_192@hotmail.com

Os almoços aos domingos não são mais os mesmos. Festejar o aniversário, Natal, Réveillon, não tem mais o mesmo significado e sentido. Reclamar porque chegou em casa tarde… por mais “espiritualizado” que o indivíduo possar ser é imensuravelmente doloroso (chega a ser surreal) ficar “inteiro” quando se tem que aprender a deixar o outro ir e para tão “distante”. 

Não ver, não sentir mais o cheiro, o perfume inconfundível, o cuidado (muitas vezes excessivo) que chegava a chatear mas hoje é o que mais faz falta. Não mais ouvir aquela voz, que outrora referia-se a nós carinhosamente. Aquela sensação de desamparo que se torna cotidianamente perturbadora parece ser mais persistente que a vontade de seguir em frente em paz e na paz. A vida parece ser posta pelo avesso e de repente não existe mais o “porto”, nem seguro. 

Morbidez? Exagero? E você, já aprendeu a deixar alguém ir “pra sempre”?

Faz parte da vida. Com o tempo vai passar…
Você não pode chorar, faz mal. Tanto para quem foi quanto para quem ficou…

Sinto muito, mas não é bem assim! É claro que o ciclo da vida tem que continuar. Haverá momentos em que não dará para conter as lágrimas e o choro vai “aliviar” a angústia. Só não deve tornar-se rotina ou se deixar “afogar” nas mesmas. E pode passar o tempo que for, o que sairá de foco será a angústia, o choque, mas a saudade… essas só aumentará, a cada dia, mês, aniversário, Natal… essa “ausência física” é absurdamente cruel. 

Mas devemos, sobretudo, sermos gratos a Deus, em poder ter tido a oportunidade de conviver com essas pessoas que a nós foram emprestadas por um curto espaço de tempo. Tão curto que, quando nos damos conta, não há mais como dar aquele abraço apertado de agradecimento guardados para outra ocasião e, hoje, só querem ser sentidos junto com aquelas outras palavras que antes, trêmulas e presas de emoção, hoje só querem ser ouvidas por aquelas que temos a impressão de serem nossas verdadeiras almas gêmeas, as quais temos um recíproco e imensurável amor que, como pegadas impressas na alma, é indestrutível. 

Esse amor que não anula a dor de não ter mais a presença física diariamente, que não evita que as lágrimas escorram pela face, mas um amor que enche o coração de orgulho, alegria, boas lembranças, conselhos, brincadeiras, gargalhadas… longe dos meus olhos mas perto, muito perto, do coração e da alma. De tudo que vai muito além desse plano terrestre. 

Notoriamente as coisas nem sempre são como queremos, aprende-se o verdadeiro significado de que o “querer” nem sempre é “poder”. Benditos sejam os planos de Deus. A saudade dói, e dói muito, é inexplicável. Cada um de nós a sente de forma e intensidade diferentes. Mas a esperança do reencontro algum dia, em algum lugar, é como um bálsamo à alma. 

Que possamos refletir sobre nossas atitudes, conceitos, pré-conceitos, tentar transformar-se para melhor, mesmo que a longo prazo e/ou a passos curtos. Você já tentou uma “reforma íntima”? Lembre-vos, deixar uns aos outros sempre com um aperto de mão, um abraço, um beijo, um simples “até logo”, “até amanhã”, pois não se sabe se o “amanhã” chegará. 

A morte não existe. Só há a separação das almas pelo olhar. Mas não interrompe o amor e a conexão que as une pelo coração.