Vivemos de acreditar que a nossa linha do tempo deve ter períodos traçados apenas com linhas crescentes (Foto: Free Images)
Vivemos de acreditar que a nossa linha do tempo deve ter períodos traçados apenas com linhas crescentes (Foto: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Este texto provavelmente é para você, que procura um real sentido na sua trajetória. Ou para você, que vive agoniado em busca de encontrar algo que ama fazer. Ou para você, que agora que encontrou o que lhe dá satisfação não consegue entender porque depois de espremer seu sonhos de todas as maneiras possíveis não restou quase nada ou muito pouco daquilo que você jurou amar um dia. Mas esse texto é, principalmente, para você, que acorda todo dia em busca daquela sensação plena e de-li-cio-sa de alegria e que tem a certeza mais que absoluta que deve haver um ponto de chegada para conquistar este maravilhoso prêmio que é a felicidade.

Talvez o principal motivo de frustração nas nossas vidas seja essa mania de acreditar que os começos, apesar de desafiadores, sempre terminarão em finais que, uhul!, serão incríveis histórias de sucesso. Vivemos de acreditar que a nossa linha do tempo deve ter períodos traçados apenas com linhas crescentes. Que barra perceber que, na verdade, vivemos em um constante rabisco desgovernado que só sabe por onde começou mas não faz a mínima ideia de onde vai parar.

Deve ser realmente aterrorizante se dar conta que os começos são sempre assustadores e os finais quase sempre tristes. Frusta compreender que não há garantia de recompensas no final, mas, acredite, alivia saber que o que realmente importa é o meio. A gente precisa se lembrar disso quando estiver começando algo. Vamos sempre começar novos caminhos mas nunca saberemos onde iremos parar. Não dá para dizer, apenas aproveitar. Por isso, dê uma chance à esperança de florescer e ela eventualmente conseguirá fortalecer nossos recomeços.

Serão neles que você perceberá todo dia que felicidade é simplesmente aproveitar os detalhes, sair da zona de conforto, superar obstáculos, encontrar novas maneiras de enxergar a vida, desfrutar uma viagem com gente querida, realizar um punhado de sonhos, dar um abraço apertado em alguém que a gente gosta num dia meio nebuloso. Felicidade é conseguir mudar nossos defeitos, ajudar alguém que precisa, receber um telefonema especial, fazer as pazes com quem amamos, engolir nosso orgulho, é correr na chuva ou arrumar um tempinho para olhar o céu.

Felicidade é aprender algo novo todo dia, é agarrar as segundas chances, é matar a saudade de vez em quando, é receber um elogio, é ver que tem muito mais gente por nós do que contra nós. Felicidade é até a tristeza – somente por saber que alguém vai enxugar as nossas lágrimas ou estar por perto sempre pronto para ajudar. É conseguir, mesmo morrendo de medo, dizer tudo que você tem para dizer.

Pode ser tanta coisa – plantar uma árvore, fazer um filho, escrever um livro. Felicidade é receber uma carta em tempos digitais. Mas pode ser um whatsApp também. Felicidade é ser lembrado de alguma forma e também lembrar de alguém. É agradecer por perceber que tem muita gente por aí que é mais nós do que nós mesmos. Felicidade é um fim de semana de folga, é acordar tarde ou conseguir despertar cedo. Felicidade é conseguir riscar todas as tarefas do dia, mas também sair da linha! Nem que seja só um pouquinho.

Felicidade é parar de acreditar que ela só está no fim da estrada e simplesmente aproveitar a viagem. Aí então você vai saber o que é vibrar com as conquistas do próximo, vai conseguir correr atrás de alguns erros, vai querer amar sempre mais e melhor e vai agradecer todo santo dia. Pelas alegrias e até pelos atropelos. Tudo porque você finalmente entendeu que felicidade é muito mais do que ser, é também fazer por onde.