Mês: junho 2016

Nem começo nem final, felicidade é o meio do caminho

Vivemos de acreditar que a nossa linha do tempo deve ter períodos traçados apenas com linhas crescentes (Foto: Free Images)
Vivemos de acreditar que a nossa linha do tempo deve ter períodos traçados apenas com linhas crescentes (Foto: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Este texto provavelmente é para você, que procura um real sentido na sua trajetória. Ou para você, que vive agoniado em busca de encontrar algo que ama fazer. Ou para você, que agora que encontrou o que lhe dá satisfação não consegue entender porque depois de espremer seu sonhos de todas as maneiras possíveis não restou quase nada ou muito pouco daquilo que você jurou amar um dia. Mas esse texto é, principalmente, para você, que acorda todo dia em busca daquela sensação plena e de-li-cio-sa de alegria e que tem a certeza mais que absoluta que deve haver um ponto de chegada para conquistar este maravilhoso prêmio que é a felicidade.

Talvez o principal motivo de frustração nas nossas vidas seja essa mania de acreditar que os começos, apesar de desafiadores, sempre terminarão em finais que, uhul!, serão incríveis histórias de sucesso. Vivemos de acreditar que a nossa linha do tempo deve ter períodos traçados apenas com linhas crescentes. Que barra perceber que, na verdade, vivemos em um constante rabisco desgovernado que só sabe por onde começou mas não faz a mínima ideia de onde vai parar.

Deve ser realmente aterrorizante se dar conta que os começos são sempre assustadores e os finais quase sempre tristes. Frusta compreender que não há garantia de recompensas no final, mas, acredite, alivia saber que o que realmente importa é o meio. A gente precisa se lembrar disso quando estiver começando algo. Vamos sempre começar novos caminhos mas nunca saberemos onde iremos parar. Não dá para dizer, apenas aproveitar. Por isso, dê uma chance à esperança de florescer e ela eventualmente conseguirá fortalecer nossos recomeços.

Serão neles que você perceberá todo dia que felicidade é simplesmente aproveitar os detalhes, sair da zona de conforto, superar obstáculos, encontrar novas maneiras de enxergar a vida, desfrutar uma viagem com gente querida, realizar um punhado de sonhos, dar um abraço apertado em alguém que a gente gosta num dia meio nebuloso. Felicidade é conseguir mudar nossos defeitos, ajudar alguém que precisa, receber um telefonema especial, fazer as pazes com quem amamos, engolir nosso orgulho, é correr na chuva ou arrumar um tempinho para olhar o céu.

Felicidade é aprender algo novo todo dia, é agarrar as segundas chances, é matar a saudade de vez em quando, é receber um elogio, é ver que tem muito mais gente por nós do que contra nós. Felicidade é até a tristeza – somente por saber que alguém vai enxugar as nossas lágrimas ou estar por perto sempre pronto para ajudar. É conseguir, mesmo morrendo de medo, dizer tudo que você tem para dizer.

Pode ser tanta coisa – plantar uma árvore, fazer um filho, escrever um livro. Felicidade é receber uma carta em tempos digitais. Mas pode ser um whatsApp também. Felicidade é ser lembrado de alguma forma e também lembrar de alguém. É agradecer por perceber que tem muita gente por aí que é mais nós do que nós mesmos. Felicidade é um fim de semana de folga, é acordar tarde ou conseguir despertar cedo. Felicidade é conseguir riscar todas as tarefas do dia, mas também sair da linha! Nem que seja só um pouquinho.

Felicidade é parar de acreditar que ela só está no fim da estrada e simplesmente aproveitar a viagem. Aí então você vai saber o que é vibrar com as conquistas do próximo, vai conseguir correr atrás de alguns erros, vai querer amar sempre mais e melhor e vai agradecer todo santo dia. Pelas alegrias e até pelos atropelos. Tudo porque você finalmente entendeu que felicidade é muito mais do que ser, é também fazer por onde.

Amor próprio não é uma vingança, é uma reconciliação pessoal

Amor próprio não tem muito a ver com quem você é com o outro. É a capacidade de estar sozinho e não se sentir só (Foto ilustrativa: Free Images)
Amor próprio não tem muito a ver com quem você é com o outro. É a capacidade de estar sozinho e não se sentir só (Foto ilustrativa: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Uma vez li que amor próprio não tem nada a ver com se manter longe de conversas confusas ou relacionamentos destrutivos. Na verdade, em quase nada tinha relação com a superfície dos sentimentos. Era algo mais parecido com uma reconciliação particular, um acordo íntimo, uma paz peculiar. E, quem um dia consegue sentir, sabe que tem muito mais a ver com uma harmonia de pensamentos do que com uma mistura de posturas que mais tentam atingir o próximo do que curar a si mesmo.

É bem verdade. Amor próprio não tem muito a ver com quem você é para o outro. É muito mais sobre quem você é quando ninguém mais está vendo. Tem a ver com a capacidade de estar sozinho e não se sentir só. Não diz muito respeito a se dar valor. É compreender que, nesta área, você não precisa discutir preços.

Amor próprio em nada tem a ver com quem consegue sair para mais festas ou registrar os melhores sorrisos. Tem a ver com chegar em casa à noite, sozinho, e agradecer por não ter problemas com quem você é durante o dia. É conseguir sossegar ao colocar a cabeça no travesseiro.

Depois de algum tempo, você também percebe que amor próprio é muito mais uma ideologia do que um ponto de vista. É lutar todos os dias, não com os outros, mas consigo: para conseguir desfazer alguns preconceitos e abrir a mente para outras perspectivas. É mais como contar até dez e respirar fundo do que ficar apenas suspirando pelos cantos. Diz respeito como aprender a ser forte quando não se tem mais forças. É entender que vão rir de você nos momentos difíceis e esnobar suas maiores conquistas. Até que você descobre como observar tudo e apenas deixa ir.

E, se você quer saber, amor próprio não coloca ninguém em um pedestal. Pelo contrário, joga todo mundo na selva. E é justamente nessa hora que alguns percebem que amor próprio, creia, não tem muito a ver em mostrar algo para quem quer que seja – por ressentimento ou vingança. É, simplesmente, aprender a fazer as pazes com você mesmo.

O que é estar em paz

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Em certo momento da vida, é preciso perceber que não somos obrigados a nada. Nada que nos faz mal, nos consome, nos destrói ou nos humilha (Foto ilustrativa: Free Images)

Texto originalmente publicado em coluna do Portal NE10

Dia desses passei por uma situação extremamente desconfortável. Daqueles momentos em que você procura um buraco para se enfiar, um táxi para chamar ou alguém para abraçar. Por um instante, me forcei a ficar e encarar algo que realmente não me fazia bem. Mas, que sorte a nossa essa que é termos amigos. Ela me olhou e disse: “Vamos sair daqui?”. “Bora”. E, pronto, fomos.

Ao contar a história para outras pessoas, nos recriminaram. Pelas regras da etiqueta, deveríamos ter ficado. Ora, mas você deve encarar. Deveria ter enfrentado. Seja superior. Enfrente, supere.

Esse é o problema. É muita gente apontando as melhores saídas para as questões do nosso coração. Mas, em certo momento da vida, é preciso perceber que não somos obrigados a nada. Nada que nos faz mal, nos consome, nos destrói ou nos humilha. Andando ou correndo, que saibamos sempre o momento certo de partir, sem dar a oportunidade para que nos maltratem.

Eis outro problema. Nos obrigam a aceitar joguinhos, dançar conforme a música, baixar a cabeça para atitudes que só nos colocam para baixo. Somos quase que coagidos a ignorar maus tratos, compreender o egoísmo alheio e aturar a imaturidade do próximo.

O maior problema de todos, no entanto, é que, pelos outros, tantas e tantas vezes nos anulamos. Temos que falar com quem não nos faz bem, temos que cumprimentar quem nada nos acrescenta e precisamos engolir um monte de sapos só para satisfazer a sociedade. É como não saber o que é felicidade de verdade. Viver se arrastando e não conseguir dizer como se sente de verdade. Como se os outros tivessem uma enorme capacidade de nos fazer perder a voz.

Mas o bom de momentos como esse é que ele nos ensinam que, acredite, não precisamos provar nada para ninguém. E quando nós aprendemos que, sinceramente, não somos obrigados é como se soubéssemos de verdade o que é estar em paz.