Mês: novembro 2015

Amiga, seja forte! Eu te amo

Amiga, tu és foda. Tu és uma mulher do caralho. Eu te amo, porra!

E então ganhei um abraço. Daqueles bem forte. No meio de um monte de gente no brilho. 😛 Cara, eu não fazia a mínima ideia do que ela estava falando. Oi? Ela, então, recuou: não, deixa pra lá! Eu insisto: vai, me conta! Por que isso tudo?

E então me explicaram. Sem perceber, eu já não estava permitindo que alguém que tinha me machucado continuasse causando tanta dor. O radar estava desligando. Dessa vez eu não tinha escutado os apitos. Aos poucos e cada vez menos potente.

Engraçado que o meu radar havia desligado, mas o da amiga não. Você tem uma amiga assim? Ela, que nada tinha a ver. Mas que, mesmo assim, havia passado noites em claro ao nosso lado. Ela, que tantas vezes escutou nossos lamentos. Que nos abraçou enquanto chorávamos no banheiro, no quarto, numa conversa qualquer. Ela, que nos fazia rir quando tudo o que queríamos era nos afogar em lágrimas.

amigasEla, que nunca disse que a dor de um rompimento iria passar rápido. Mas nos fez ter Fé nos dias seguintes. Ela, que nunca visualizou nossa mensagem e nos deixou no vácuo. Pelo contrário, sempre tinha um minuto de sabedoria para alegrar o nosso dia. Ela, que disse que os problemas da gente eram os dela também. Que tomou as dores ou que nos esperou para um jantar de consolo quando tudo o que ela queria era voltar pra casa depois de um dia cansativo.

Ela, que deixou de sair com outros amigos para escutar as mesmas reclamações e enxugar aquelas tão já batidas lágrimas. Ela, que tantas vezes foi a amiga da vez para que a gente esquecesse os problemas em um fim de semana qualquer.

Aquela vitória não era só minha. Era a dela. Dela, por não ter desistido de mim. Uma vitória pensada dia a dia. Amiga, pare de chorar! Amiga, tem um mundo lá fora esperando por você. 🙂 Amiga, vem cá, me dá um abraço. Amiga, um dia vai parar de doer. Amiga, eu te entendo. Amiga, estou muito feliz pelos seus avanços.

Deixo aqui uma reflexão de como nós podemos ajudar uns aos outros. É preciso unir, agregar. Não adianta desejar melhoras e seguir sua caminhada. Você tem que parar e estender a mão. Sabe qual a recompensa? A espiritual! Tem alguma melhor que essa? 😉

Vale uma palavra de apoio. Vale um abraço apertado. Vale um presente. Vale um dia na sua rotina atarefada. Vale trazer uma solução para alguém que está cheio de problemas. Vale parar de olhar para o próprio umbigo. Vale se colocar no lugar do outro.

Vale tudo para fazer alguém que a gente se importa voltar a sorrir. Amiga, seja forte. Eu te amo. 

Onde não puderes amar, nem chegue perto

amor-600

Vez ou outra, quando precisamos reafirmar o quão frágil é amar o outro em uma comunidade onde existe muito amormas falta muito o verbo amar – uma frase atribuída a Frida Kahlo vem a tona. Onde não puderes amar, não te demores. Concordo, concordo plenamente, mas sempre me pareceu que nessa afirmação faltava uma certa coragem de preferir nem entrar nessa cilada.

Bem, estava eu, mais um dia, em busca de textos que nos faz sentir um pouco mais vivos. É demais a falta de sensibilidade do cotidiano. Chorar é bom. Transborda e lava a alma. Eis que, outra vez, aparece mais um texto construído sob essa afirmativa. E eis que um alguém muito sábio materializou em palavras tudo em que acredito. Onde não puderes amar, nem se aproxime. Pân! Sim, se você não pode amar, melhor nem chegar perto. É mais válido, mais sincero, mais justo e muito mais altruísta abrir mão de promessas que você não pode, ou não quer, cumprir.

Ademais, me parece muito egoísta despertar o sentimento do outro quando não há vontade de ficar: por pura vaidade. Para que servem os enganos, as mentiras, para que o desrespeito? Não há imposição alguma de criar raízes. Se não quer cultivar, pode ir embora. Cada um que plante seu jardim. Lembrei que nunca pedi nada, muito menos flores. 🙂

Se não há intenção de amar, não precisa demorar. Evita o desrespeito, a deslealdade, a mania de se esquivar. Quando a gente não pode ficar, é melhor deixar os outros irem. Para que incentivar os ciclos doentios ou regar a maldade de moldar o outro e não dá espaço para se moldar?

Para que insistir nas faltas, nas desculpas falhas de quem só quer se livrar de um peso que, sim, lhe cabe? Qual a necessidade do abandono mascarado de expectativas que o outro quis criar? Quando a gente não quer, deixa pra lá. Deixa que a vida se encarrega do outro. Vai, sai de perto. Deixa o outro respirar. Deixa o outro ir em busca de novas oportunidades. Dá espaço. Espaço para que o outro, ao perceber que não há amor, não se demore. Gente, é preciso dar oportunidade da escolha.

É bom demais evitar desencontros que forçam reconstruções dolorosas, apesar destas serem essencialmente lindas. Por essas e por outras coisas, onde não puderes amar, nem se aproxime. Desapeguemos-nos daquele egoísmo mesquinho que não deixa o outro ir e também não quer se deixar ficar!