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Ali, parada no semáforo. Calor do inferno, cabeça a mil, coração apertadinho, cotovelo encostado na janela do carro, mão na testa, lágrimas teimosas, rebeldes. Malditas. Algumas de preocupação. Outras de medo. E muitas também de aceitação. Aí eu escuto um “psiu, ei, moça!”. Oi? Eu? Meu Deus, que vergonha! Abaixo, levanto, olho para o outro lado? Ai, não tem jeito. Olho. No carro ao lado, uma mulher – outro mundo, outras angústias, muitos medos, vários sonhos – olhava para mim com um sorriso estampado no rosto. Vôte, me deixa em paz. Ela, porém, continua esfregando a felicidade na minha cara. “Ei, moça, não chore não. Jesus te ama! Tá?”. Pâm!

Aí a gente para. E congela. Muito obrigada, eu digo. Muito obrigada, eu penso, e saio em disparada. Com muita vergonha, mas também com o coração cheio de gratidão. Moça, eu nem te conheço, mas te considerei pacas. Moça, muito obrigada pelo carinho. É tanto hoje em dia. É tanto para mim, que muitas vezes me acostumei à dureza dos nossos dias. Moça, muito obrigada. Por tão pouco mas que foi muito. Você me entende? Tenho certeza que sim. Jesus me ama! E te ama muito também. Obrigada e amém!

Moça, muito obrigada pela delicadeza em meio a tanta estupidez. Moça, muito obrigada pelo alerta. Para eu entender o que realmente importa. Moça, muito obrigada pelo afago. Me fez feliz ao perceber que ainda há muita sensibilidade por aqui. Valeu por ter buzinado. Eu nem gosto de buzinas, que queimem todas, mas essa até que tocou meu coração. Apitou na alma. Lá no fundo. Obrigada, moça, pelo cuidado. Por me pegar nos braços. Moça, pela ajuda, muito obrigada.

Moça, obrigada por me abrir os olhos para os pequenos gestos no meio do caminho. De amor, de afeto, de consideração. Obrigada por aquecer meu coração. Obrigada pelo apoio, por me fazer enxergar o seu e o dos outros. Eu nem te conheço, não te pedi nada e mesmo assim você me deu muito. Moça, pela gentileza, obrigada. 😀