Mês: outubro 2015

Um diamante chamado confiança

Imagem de um diamante quebrado (Foto: Free Images)A tela do celular trincada depois de uma queda. Uma folha amassada. Um brinquedo quebrado que, infelizmente, não tem mais conserto. Uma roupa que já está pequena demais. O sorvete que caiu no chão. Coisas sem volta. Coisas que você tem que aceitar que, por muitas vezes, não fez por onde evitar. Até porque, em certos pontos você simplesmente não entende a dimensão. Vai levando, deixa acontecer, se permite exceder os limites, apela para as desculpas, se perdoa inúmeras vezes, vive sempre na linha tênue do que é permitido. E então, veja só, a corda arrebenta. Você não sabia, mas aquilo se chamava confiança.

Eu também não sabia. Levava no malabarismo as outras pessoas. Testava, jogava, deixava que o humor do dia me dissesse até onde o relacionamento iria. Até que nos meus anos dourados, uma coordenadora do colegial entrou na minha sala, sempre muito rebelde, e reclamou do comportamento da turma. Decepcionada com os alunos, disse que tínhamos traído a confiança dela. Até aí, você leva na esportiva. Sempre dá para recuperar a reputação, a intimidade, a segurança. Mas ela deixou bem claro que não dava para voltar atrás. Tínhamos quebrado a confiança, que, como um diamante jogado no chão, estava trincada. E aí, dava para juntar os pedaços? Podíamos até tentar colar os fragmentos, montar o quebra cabeça, improvisar daqui, ajeitar de lá. Mas não tinha jeito, aquilo estava rachado. Você consegue lidar? Aquela frase ficou apitando na minha consciência: um diamante chamado confiança. Você tem que cuidar. Dar valor. Se importar, procurar sempre guardar. É viver correndo de um lado para o outro, fazendo de tudo para ele não cair. Cansa, mas dignifica. E como!

Nunca entendi bem aquelas pessoas que vivem quebrando a confiança. O que lhes falta? De onde vêm? Para onde vão? O que fazem? Como lidam com isso? Não consigo compreender quem a troca pelas suspeitas, sempre tão amargas. Ou pelas dúvidas, sempre tão angustiantes. Elas conseguem viver assim? Como é passar tanto tempo nesse limbo emocional? Não assimilo muito bem quem sobrevive dessa forma, quebrando inúmeros diamantes ao longo dos anos. É tão difícil assim entender que uma vez que se quebra não há como voltar atrás? Quanto tempo falta para perceber que não é possível dar uma rasteira e esperar que o outro não sinta a dor do tombo? E o pior, como não se sensibilizar com a decepção do próximo? Aquela história: muita gente colecionando pedra. E pouca gente conquistando diamantes.

Sempre me disseram que conquistar e manter a confiança dos outros não é fácil, mas vale a pena, uma vez que poupa muita dor, frustração e culpa. E te deixa muito bem na fita! Uma confiança valiosa que não custa nada, mas garante muita coisa. Uma pena que quando a gente quebra, sempre termina com um preço alto a pagar. E aí, será que você está disposto? 😉

Pela gentileza, obrigada

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Ali, parada no semáforo. Calor do inferno, cabeça a mil, coração apertadinho, cotovelo encostado na janela do carro, mão na testa, lágrimas teimosas, rebeldes. Malditas. Algumas de preocupação. Outras de medo. E muitas também de aceitação. Aí eu escuto um “psiu, ei, moça!”. Oi? Eu? Meu Deus, que vergonha! Abaixo, levanto, olho para o outro lado? Ai, não tem jeito. Olho. No carro ao lado, uma mulher – outro mundo, outras angústias, muitos medos, vários sonhos – olhava para mim com um sorriso estampado no rosto. Vôte, me deixa em paz. Ela, porém, continua esfregando a felicidade na minha cara. “Ei, moça, não chore não. Jesus te ama! Tá?”. Pâm!

Aí a gente para. E congela. Muito obrigada, eu digo. Muito obrigada, eu penso, e saio em disparada. Com muita vergonha, mas também com o coração cheio de gratidão. Moça, eu nem te conheço, mas te considerei pacas. Moça, muito obrigada pelo carinho. É tanto hoje em dia. É tanto para mim, que muitas vezes me acostumei à dureza dos nossos dias. Moça, muito obrigada. Por tão pouco mas que foi muito. Você me entende? Tenho certeza que sim. Jesus me ama! E te ama muito também. Obrigada e amém!

Moça, muito obrigada pela delicadeza em meio a tanta estupidez. Moça, muito obrigada pelo alerta. Para eu entender o que realmente importa. Moça, muito obrigada pelo afago. Me fez feliz ao perceber que ainda há muita sensibilidade por aqui. Valeu por ter buzinado. Eu nem gosto de buzinas, que queimem todas, mas essa até que tocou meu coração. Apitou na alma. Lá no fundo. Obrigada, moça, pelo cuidado. Por me pegar nos braços. Moça, pela ajuda, muito obrigada.

Moça, obrigada por me abrir os olhos para os pequenos gestos no meio do caminho. De amor, de afeto, de consideração. Obrigada por aquecer meu coração. Obrigada pelo apoio, por me fazer enxergar o seu e o dos outros. Eu nem te conheço, não te pedi nada e mesmo assim você me deu muito. Moça, pela gentileza, obrigada. 😀