Mês: agosto 2015

Você tem que querer

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Você tem que desejar a caminhada e querer sempre dar os primeiros passos. Mas você tem que querer. Querer e fazer por onde (Foto: Free Images)

Sobre querer – e querer muito. Quando voltei de uma viagem longa, a primeira coisa que fiz foi olhar-me no espelho. Espelho de corpo todo. Ali, enquanto me esperavam para comemorar a minha chegada, derramei algumas lágrimas. Estava tudo ao contrário, eu estava virada pelo avesso. Eu não me reconhecia. Desejava e sonhava com muitas mudanças. Mudanças internas, externas, emocionais, físicas.  Estava , com medo, insegura, instável, me sentindo bem pequenininha, do tamanho de um botão. A minha cabeça estava cheia de muitas perguntas e principalmente aquela: “como eu me deixei chegar a esse ponto?”. No meu coração, um monte de sonhos. Ali, enquanto meu mundo girava, comecei mais uma caminhada. Mas dessa vez foi diferente. Eu não apenas sonhava, eu queria. Não adianta. Você tem que querer.

Claro que tropecei várias e várias vezes. Errei, chorei, tive medo de continuar. Contava os dias. Fiz planos, tracei metas. Desacreditei quando não conseguia. Escutei exaustivamente que não ia dar certo. Que eu estava exagerando. Encontrei quem me queria bem e quem me queria muito mal também. Tive que engolir alguns sapos, aturar várias piadas. Achei que o mundo era perverso. E ele é. Passei por fases de gritar minha felicidade e outras de esconder meu sonho dentro de uma caixinha de surpresas. Ri secretamente daqueles que só se aproximaram de mim quando eu consegui o que queria. Afinal, eu estava pronta para o mundo. Mas poucos sabiam que, no fundo, meu amigo, para mim só é maravilhoso quem assim é por dentro. Por fora, pouco importa. 😉 Mas eu queria. Queria e muito. Queria o pacote completo. E quando é assim, você paga um preço alto por querer – e querer muito.

É assim mesmo. Você tem que querer. Querer muito, querer bastante, querer de verdade. Você tem que confiar, tolerar e ignorar. Você tem que acreditar que as coisas vão mudar. Enquanto não mudam, você aprende a esperar – mas vai vivendo. Não adianta esperar a tempestade passar. Você tem que querer. Não adianta se conformar. Você tem que querer. Querer de uma vez, sem conta gota. Você tem que querer. Querer o bem. Querer por perto quem te faz sentir querido. Você tem que querer, querer amor e dar em troca. E você tem que querer também seguir, seguir em frente. Você tem que querer, querer mudar e mudar sempre. Mas é pra melhor, viu?

Você tem que desejar a caminhada e querer sempre dar os primeiros passos. Mas você tem que querer. Querer e fazer por onde. Um dia de cada vez. Respire, reze, agradeça, contemple. Esqueça. Vai passar. Vai acontecer. Vão mudar. O mundo vai girar. Mas você tem que querer.

Quanto vale o amor?

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Você teria como nos dizer qual o preço do amor? Quanto você pagaria para compartilhá-lo com o outro? (Foto: Free Images)

Se você conseguisse responder essa pergunta de um milhão de dólares, o que diria? Seria fácil definir sentimento e sensação? Se você pudesse explicar o que tantas vezes sentiu, como nos contaria? Seria possível lembrar dos melhores momentos e as piores situações? Se você soubesse como, de que forma traduziria suas frustrações, seus medos, suas angústias? E se você pudesse, como seria nos fazer entender sua felicidade diante do amor? Como é lidar com tantas dúvidas? E as incertezas, como conviver com elas? Para essas perguntas, você já teve alguma resposta?

Você teria como nos dizer qual o preço do amor? Será que está na sinceridade do sentimento ou na simplicidade das pequenas ações? Quanto você pagaria para compartilhar com o outro sua vida? Seria fácil dividir planos, sonhar junto, vibrar pelas conquistas, chorar pelo outro toda e qualquer derrota? Como é superestimar coisas tão simples? E subestimar aquelas mais complicadas?

Como é sentir que o amor é real? De tão real, você conseguiria tocá-lo? O que são essas coisas tão lindas? O que é se sentir confuso, transtornado ou totalmente entregue a algo que você nem ao menos sabe dizer qual o valor dele? Parece real? O sentimento é igual? Se você pudesse nos mostrar, como seria dizer a importância que alguém vai tomando em sua vida? É algo que te envergonha? Você se abriria em todos os sentidos?

Você saberia nos fazer entender o que é ser você diante do amor? Sem vergonha, sem orgulho, sem noção? Como é amar alguém mesmo com tantos defeitos? Mesmo com toda distância? Mesmo com todas as divergências? Mesmo com todas as imperfeições? Mesmo com todas as opiniões diferentes? Mesmo com todas as decepções? Mesmo com todas essas interrogações? Você conseguiria colocar uma exclamação em cada uma delas?

Parece difícil, não é? Tantas perguntas, poucas respostas. Mas é isso aí. Não é para entender, é para sentir. Para alguns, o amor vale demais. Para alguns, vale de menos. Para outros, não tem preço. Não se compra, não se troca, não se vende: ele se conquista. Depois disso não tem troca nem venda. E aí, para você, quanto vale o amor? <3

Ai de nós se não fossem os recomeços

Só mais um dia comum. Cheguei em casa, tomei um banho demorado, troquei de roupa, acendi um incenso, desforrei a cama, ajeitei várias almofadas debaixo da cabeça e abri mais um livro. De repente pensei: “felicidade é isso”. Suspirei ironicamente, já que naquele momento eu nem tinha tantos motivos assim para sair espalhando a felicidade pelo mundo. Mas eu tinha dentro de mim uma espécie de calma que em muitos momentos não consegui sentir. Era o prazer de estar só, comigo, e por isso mesmo em ótima companhia. Sem ruídos, sem conflitos, sem precisar me adequar. Era tudo o que eu queria: não me moldar a nada nem ninguém.

IMG_0581Ali curti uma solidão que não me foi imposta e sim conquistada para momentos que precisava, e muito, estar sozinha. Ali pensei que estar só quando você pode estar na companhia de tanta gente é uma sorte incrível. Para se reinventar, para contemplar a vida, para uma auto-análise sem julgamentos, para fazer duras críticas e no final da noite ter alguém em quem se amparar: você mesmo. E no começo do dia, você já conseguiu elaborar uma série de recomeços. Daqueles que, assim como o prazer da própria companhia, nos proporcionam uma felicidade contida que sussurra nos nossos ouvidos: não tem medo, não. Você não está só.

Assim como não tenho medo de estar sozinha, podendo estar no meio de tanta gente querida, não tenho medo de recomeços. Na verdade, alguns deles até me fascinam. Fico maquinando mil formas de me superar. De vencer meus medos, de acabar com meus receios, de encontrar sempre motivos para rir daquilo que me fez sofrer. Gosto de ver que fiz malabarismo com a dor e não deixei a peteca cair. Vai, risca mais um dia no calendário e busca pequenos motivos para sorrir. Isso é recomeçar.

Ai de nós se não fossem esses pequenos grandes recomeços. Daqueles que nos reconstroem, daqueles que nos fazem revirar na cama milhares de vezes no meio da noite até a noite virar dia. Essas pequenas grandes conquistas que nos fazem ver o quão fortes nós somos mesmo no meio das maiores crises existenciais antes mesmo de chegar na casa dos 30. Essas grandes pequenas batalhas que cansam, fustigam, detonam, mas são elas que nos fazem deitar a cabeça no travesseiro e voltar a pensar: “felicidade é isso”. Aquelas pequenas grandes dores que deixam nosso coração apertado e mesmo assim a gente se convence e diz: “aprendizado é isso”, mesmo que naquela hora nossa deusa interior se remexa convulsivamente e grite desesperadamente: “a gente não precisava passar por isso para saber o quão importante algo é em nossas vidas”.

Não entender e mesmo assim seguir em frente. É não aceitar e mesmo assim seguir aceitando. É cair e levantar, mesmo que tropece logo em seguida. É sentir doer e mesmo assim continuar sorrindo. É adorar cada transformação que você precisou passar nessas caminhadas bandidas que são os recomeços. É olhar para trás e não sentir falta de nada que ficou no passado. Vai, respira fundo. Um, dois, três. Três, dois, um. Recomeço é tudo, tudo isso.