Mês: junho 2015

A presença de Deus em todos os lugares

Um dia me disseram que Deus está não apenas nas coisas mais bonitas, mas também nos detalhes. Aqueles que tantas e tantas vezes passam desapercebidos. Então eu fazia o jogo do Ele pode estar em qualquer lugar. Ele estava no barulho da chuva que escorre pela janela, no pôr do sol de uma tarde feliz, na brisa que chega de repente e bate no rosto. No céu estrelado em uma noite de muitas descobertas. No abraço que tanto diz entre amigos que se amam. No meio de um sorriso sincero daqueles que só convivem com a tristeza.

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Acreditar em Deus é enxergar sua Beleza e confiar na sua presença em todos os lugares

Eu via que Ele sempre estava naquele que ajuda o próximo. Naqueles que não têm nada em especial para mudar o nosso dia e mesmo assim acabam mudando. Nos que respeitam as diferenças. Naqueles que sabem amar, nos que não poupam esforços para seguir em um mundo melhor. Jogar o jogo do Deus está em todo lugar me fez acreditar que a vida é a energia que damos a ela.

Que Sua presença está em toda esquina e em muitos cantos. Nos sinais que precisamos todos os dias para seguir em frente. Descobri que Ele se faz necessário em todos os momentos. Na oração do fim da noite, nas lágrimas reparadoras. No amor que transforma. Ao acordar e perceber que temos muito para lamentar, mas tantas coisas para festejar. Em todos os recomeços e segundas chances. No tempo que passa e cura todas as feridas e naquela vontade inacreditável de dar mais um passo e acreditar em um amanhã melhor.

E assim segui todos os dias acreditando no Deus que é amor. De repente, tudo e muito pouco passa a fazer sentido. Aquela música que toca naquele dia em que você precisa escutar um pouco de poesia. Uma mensagem de alguém querido naquele momento que você mais precisa. Aquele céu bonito de se ver, gostoso de admirar e que só nos dá ainda mais a certeza que alguém olha por nós lá em cima. Um alguém que aceita toda cor, todo tipo de amor e qualquer crença.

Um dia me falaram que se eu rezasse muito as coisas aconteceriam. Não no meu tempo. Mas no tempo dEle. E que se eu acreditasse no poder dos meus sonhos, eles se tornariam realidade. Que se eu pisasse um passo de cada vez, minha caminhada seria muito mais segura. A seguir sempre acreditando que Ele está ao nosso lado. Mesmo que não o vejamos. Isso se chama Fé. E, veja: não tem nada de errado ou exagerado nisso. Cada pequena lição que você aprende a cada dia é aprender todo instante que ser sensível a Ele é acreditar na vida.

Por que criamos tantas expectativas?

Em uma roda de conversa, uma amiga tentava convencer a outra de que nem todos demonstram do mesmo jeito o amor que sente pelo próximo. Que às vezes a gente dá demais e, PACIÊNCIA!, não recebe o mesmo de volta. Enquanto eu escutava a conversa, me veio à cabeça todas as vezes que depositei muito de mim no outro. De quantos “como está você?” nunca escutei uma resposta e, o pior, quando a pergunta nunca me foi merecidamente devolvida.

Pensei nas expectativas. Um pouco de cada. Aquelas que doem lá no fundo, daquelas que angustiam. Ou aquelas que plantamos, regamos e esperamos brotar. E quando elas não brotam, deixam as decepções. Daquelas que magoam e que desencantam. Que deixam um rastro de desconfiança. Seja por um mês ou um ano.

Lembrei de alguém que nunca lembrou de volta. Dos momentos que forcei amigavelmente – ou talvez não – uma aproximação mas, deliberadamente, não fui bem interpretada. Dos mau entendidos que nunca fizeram questão de desfazer. Dos nós que nunca voltaram a ser laços, por pura e simples falta de vontade. Lembrei também das conversas que tentei iniciar e não houve o mínimo de interesse. Aquela vontade de saber de mim, de estar por mim e ser por mim. Lembrei um pouco das diversas amizades que acabaram ou passaram para aquele plano dos apenas conhecidos. Por culpa dos outros e por muita culpa minha também. E, mesmo assim, me pareceu inevitável continuar criando expectativas. Até porque somos feitos delas.

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Criar expectativas é como construir um castelo de areia e ver ele indo embora com as ondas (Foto: Free Images)

Criar expectativas é como construir um castelo de areia na beira da praia. É um construir vagaroso e ansioso. Bem sonhadoramente. É ter controle sobre sua própria criação. E sentir a frustração da perda quando as ondas levam ele para bem longe. Criar expectativas é como desejar uma torta e, na primeira garfada, perceber que o sabor dela não tinha nada a ver com o que você fantasiava. É ganhar um presente que não tem nada a ver com você. É adorar a roupa na vitrine e, no provador, ter a certeza que ela não foi feita para você. Criar expectativas é contar seu maior segredo e não saber o que o outro vai fazer com ele.

É sempre assim. Quando a gente quer muito algo, se agarra a qualquer coisa para esquecer a realidade. Somos assim no fim de relacionamentos. Nos dramas familiares. Em crises nas amizades. Quando não temos medo de criar expectativas, temos medo de não corresponder às expectativas criadas por nós e para nós.

Acabou que nem terminamos a conversa. Ficamos ali, no meio desse assunto que não tem fim. Não tem meio termo. E quase não tem mágica. Mas, pensando bem, mesmo sem fórmulas, sempre podemos seguir por alguns caminhos. Pare pra pensar: Quem quer dar um jeito. Quem não quer sempre arruma uma desculpa. Quem gosta faz questão de demonstrar. Nunca se esconde, nunca te deixa na zona do desconforto. Sempre te coloca na direção certa. Quer sua companhia. Nas melhores e piores horas também. Quem quer, faz por onde. Deixa uma mensagem. Faz uma ligação.

Quem gosta, esquece as brigas. Engole o orgulho e aceita alguns defeitos. Faz questão de estar ali. De alguma forma e de tantos e tantos jeitos. Quem se importa nunca te deixa cheio de dúvidas! É, amiga, o mais interessante é que quando o amor é via de mão dupla não precisamos das expectativas. Elas são as próprias respostas.