“Malu, viva o momento! Deixe acontecer!”, já me disseram várias vezes. Que mania a gente tem de apressar o futuro. Contar as horas, esperar demais por certos dias, pular etapas, sofrer por antecipação, remoer situações que ainda nem aconteceram, chorar lágrimas por mágoas que ainda nem apertaram o coração.

Quando eu era pequena, na época de Natal, não conseguia nem aproveitar a Ceia da véspera porque ficava imaginando como seria no dia seguinte, na entrega dos presentes. Queria saber como seria o momento, se meus pais estariam juntos, se seria ao redor da árvore de Natal, se eles entrariam no meu quarto com um café da manhã maravilhoso e um presente gigantesco.

A agonia era tanta que eu passava a noite ao redor da árvore de Natal só para esperar Papai Noel chegar com o meu presente e então poder voltar a dormir em paz.

Acho que tenho medo do futuro. Medo da efemeridade da vida. Medo de amar de menos ou amar demais. Medo de sonhos destruídos e conquistas interrompidas. Medo de não conseguir dizer o que tenho para dizer. Tenho muito medo de pontos finais. Gosto de vírgulas, exclamações! Interrogações tenho muitas – também não gosto delas.

Tenho medo do futuro porque ele nunca me traz respostas. Estou fazendo tudo o que posso fazer pelos outros? Plantarei uma árvore? Escreverei um livro? Terei muitos filhos? Voarei de asa delta? Quanto mais eu pergunto, menos ele me responde.

Tenho tanto medo do futuro que esqueci de aproveitar muitos momentos. Parei. Revi. Mudei. Hoje não penso no futuro. Mentira, claro que penso. Mas venho me blindando com o presente. Eu não tenho certeza, mas acho que o segredo é aproveitar os instantes.

Tomar banho de chuva, olhar o céu, se entregar em um abraço gostoso, sentir o vento, contemplar as flores, se emocionar com palavras, curtir uma viagem. Acreditar no amor, ler um livro, aproveitar qualquer oportunidade para dar uma boa risada. Momentos, assim como o futuro, não me trazem respostas. Mas me dão muitas certezas.