Amor
Amor é tão verbo que deixa de ser substantivo. Amor não tem cara, só sentimento. Seja por quem for

Passei na frente de um motel dia desses (oê!) e vi que estava riscada no muro a frase ACABOU O AMOR. Parei pra pensar: como assim o amor acabou? Não é possível! Impossível acabar o amor. O amor só começa. Nunca termina. Eu posso amar de perto. Amar de longe. Amar escondido. Amar para todo mundo ver. Amar de menos. Amar demais.

Vejam bem. Amor é um abraço apertado. Amor é um bom dia que conforta. Uma ligação despretensiosa. Amor é transbordar de saudade. É defender, mas também puxão de orelha. Amor é caminhar junto, de mãos dadas. Amor é alcançar sonhos, agarrar conquistas – sejam elas pessoais ou coletivas.

Amor é adotar um bichinho. É cuidar bem dele. É não saber cuidar, mas olhar de longe. Amor é dizer tudo o que você tem a dizer. Não ficar em cima do muro. Amor é conversar com Deus. É plantar uma árvore, escrever um livro, brincar na chuva. Amor é fazer filho e cuidar deles.

Amor é acreditar que hoje não era pra ser. Mas amanhã será. Amor é não desistir de nós. Isso também é amor: se chama o amor próprio. Amor é uma viagem improvisada. Amor é compartilhar segredos e guardá-los também.

Amor é escrever uma carta cheia de carinho. E mandar para quem você gosta. Pode ser email também. Ou um recadinho no WhatsApp. Amor é chegar em casa e encontrar o jantar pronto – feito por alguém que também te ama.

Amor é mudar os outros e se deixar mudar um pouquinho também. Amor é correr atrás dos nossos erros. Repará-los. E fazer de tudo para não errar de novo. Amor é ter a certeza que você está fazendo algo para mudar o mundo, mas principalmente a si mesmo.

Acho que não sei amar certo, mas todo dia tento amar melhor. Até porque amor é tanta coisa. Ele não acaba, só multiplica.