Cada dia que passa eu escuto mais e mais vezes desaforados e convictos: “Eu não estou nem aí para quem não liga para mim”. Concordo com tal frase mas confesso que fico puta da vida! chocada. Não porque ela não seja verdadeira, mas porque é incrível a facilidade com que as pessoas desistem umas das outras.

Quando me formei no colégio entrei em pânico porque tinha medo de não manter mais amizade com os amigos. Chorava em casa, queria aproveitar cada minuto nos últimos dias de aula e me desesperava ao ver que alguns já estavam aparentando querer fechar aquele ciclo. Minha mãe dizia: “Você tem que aprender que amizades acabam, Malu. Você tem que deixar os outros irem embora. E se acostumar que pessoas vem e vão. Assim é a vida”.

Eu continuo com a dificuldade de aceitar o que minha mãe tenta dizer várias e várias vezes (sempre termina em briga). Por muitos anos, não conseguia deixar as pessoas irem embora. Lutava, chorava, tentava mudar aqueles que amava porque achava que assim a amizade seguiria sendo a mesma. Me chateava demais quando alguém se afastava de mim. Não entendia como uma amizade de tantos anos poderia acabar em poucos meses.

Mas nunca fiquei nem aí. Estar nem aí é muito forte. E eu sempre estou por aqui. E tenho a sorte de ter muitas pessoas por aqui comigo. Gosto de pessoas. De estar próxima. De me fazer presente. Porque essa é a única coisa que podemos oferecer: companhia. E uma companhia sincera é tão boa, né?

A vida, essa danadinha, sempre ensinando a deixar de ser besta lições. Até então levava essa tal da companhia como algo muito óbvio nas minhas relações. Nunca pensei que ela pudesse se mostrar uma prova de amor. Mas foi. Dia desses passei por uma decepção tão grande que não conseguia parar de chorar. A primeira coisa que ouvi de uma grande amiga foi: “Ontem eu fiz uma oração bem forte para você” (Alô, Priscila!).

A partir de então foi uma corrente de energias positivas. Esse povo bonito causou uma revolução em minha vida. Nunca pensei que pudesse receber tantos abraços em minha vida. E que a companhia que eu espalhei tinha voltado para mim em forma de MUITO amor.

Hoje eu não tenho mais aquele medo de me afastar dos amigos. Porque quando é de verdade a gente encontra uma forma de estar aí. Aquele velho ditado: “Quem quer arruma um jeito, quem não quer, uma desculpa”. Sempre estivemos aqui uma pelas outras, continuamos aqui hoje em dia e sei que estaremos por muito tempo. O segredo? Eu, imatura que tantas vezes sou, só aprendi com o tempo. É estar presente.

Continuo custando a entender mas acho que venho aprendendo que nós precisamos nos colocar no lugar do outro e entender as prioridades de cada um. E mesmo cansando de amizades rasas, continuar estando aí mas bem longe daqueles que insistem em dizer que não estão nem aí. Pois amizade é via de mão dupla. Não corro atrás de alguém que sempre parece estar lá na frente ou muito atrás de mim. São só desencontros. E eu cansei deles.