Mês: janeiro 2015

A frase da vez: não estou nem aí

Cada dia que passa eu escuto mais e mais vezes desaforados e convictos: “Eu não estou nem aí para quem não liga para mim”. Concordo com tal frase mas confesso que fico puta da vida! chocada. Não porque ela não seja verdadeira, mas porque é incrível a facilidade com que as pessoas desistem umas das outras.

Quando me formei no colégio entrei em pânico porque tinha medo de não manter mais amizade com os amigos. Chorava em casa, queria aproveitar cada minuto nos últimos dias de aula e me desesperava ao ver que alguns já estavam aparentando querer fechar aquele ciclo. Minha mãe dizia: “Você tem que aprender que amizades acabam, Malu. Você tem que deixar os outros irem embora. E se acostumar que pessoas vem e vão. Assim é a vida”.

Eu continuo com a dificuldade de aceitar o que minha mãe tenta dizer várias e várias vezes (sempre termina em briga). Por muitos anos, não conseguia deixar as pessoas irem embora. Lutava, chorava, tentava mudar aqueles que amava porque achava que assim a amizade seguiria sendo a mesma. Me chateava demais quando alguém se afastava de mim. Não entendia como uma amizade de tantos anos poderia acabar em poucos meses.

Mas nunca fiquei nem aí. Estar nem aí é muito forte. E eu sempre estou por aqui. E tenho a sorte de ter muitas pessoas por aqui comigo. Gosto de pessoas. De estar próxima. De me fazer presente. Porque essa é a única coisa que podemos oferecer: companhia. E uma companhia sincera é tão boa, né?

A vida, essa danadinha, sempre ensinando a deixar de ser besta lições. Até então levava essa tal da companhia como algo muito óbvio nas minhas relações. Nunca pensei que ela pudesse se mostrar uma prova de amor. Mas foi. Dia desses passei por uma decepção tão grande que não conseguia parar de chorar. A primeira coisa que ouvi de uma grande amiga foi: “Ontem eu fiz uma oração bem forte para você” (Alô, Priscila!).

A partir de então foi uma corrente de energias positivas. Esse povo bonito causou uma revolução em minha vida. Nunca pensei que pudesse receber tantos abraços em minha vida. E que a companhia que eu espalhei tinha voltado para mim em forma de MUITO amor.

Hoje eu não tenho mais aquele medo de me afastar dos amigos. Porque quando é de verdade a gente encontra uma forma de estar aí. Aquele velho ditado: “Quem quer arruma um jeito, quem não quer, uma desculpa”. Sempre estivemos aqui uma pelas outras, continuamos aqui hoje em dia e sei que estaremos por muito tempo. O segredo? Eu, imatura que tantas vezes sou, só aprendi com o tempo. É estar presente.

Continuo custando a entender mas acho que venho aprendendo que nós precisamos nos colocar no lugar do outro e entender as prioridades de cada um. E mesmo cansando de amizades rasas, continuar estando aí mas bem longe daqueles que insistem em dizer que não estão nem aí. Pois amizade é via de mão dupla. Não corro atrás de alguém que sempre parece estar lá na frente ou muito atrás de mim. São só desencontros. E eu cansei deles.

Deixar livre para voar e a lei do amor próprio

“Eu amo você. Mas me amo muito mais. E sei o momento que devo partir. E, por te amar, vou te deixar livre para voar”, eu disse.

Nunca pensei que fosse tão difícil dizer adeus em tempos de tanto apego. Não imaginava que seria tão incômodo abrir a gaiola e finalmente entender que as pessoas que amamos têm o direito de voar. Difícil lidar com a pseudo perda. Porque você perdeu mas, olha que engraçado, eles continuam ali. Maçante ter que conviver com uma ausência forçada: aquela que machuca um pouco mais dia após dia.

Por onde andamos, sinais daqueles que deixamos para trás. No filme, na novela que você nem assiste mas, por acaso, parou para escutar um diálogo. Naquela música aleatória que toca na rádio que você quase nunca escuta. Nos incontáveis “eu avisei” que somos obrigados a escutar dos outros. Sinais de que deveríamos ter deixado ele voar há muito tempo. “Ele nunca foi seu. Você nunca foi dele. Não era para ser”. É o que dizem.

Aí paramos para pensar: era amor ou era apego? Amor é sentimento puro. É genuíno. Não é egoísta. Amor é altruísta. Apego é posse, é querer demasiado. É se anular diante das vontades do outro. Mas, mesmo assim, não acredito na lei do desapego que pregam por aí – porque eu não acredito nesta lei do desamor. Isso não é desapego, é egoísmo.

No primeiro dia do ano, sentei na areia da praia, olhei para o céu que tanto me diz mesmo quando eu não pergunto nada e jurei: “sabe de uma coisa?! Vou é praticar um pouco mais a lei do amor próprio”.

Vou, antes de mais nada, respeitar as minhas vontades. Vou lidar com minhas fraquezas. Vou enfrentar meus medos. Vou olhar um pouco mais para mim – eu, que sempre olhei tanto pelos outros. Vou conviver com estes sinais que deixaram no meio do caminho e entender que eu não preciso machucar ninguém com essa tal da lei do desapego.

Mas não vou deixar de ser quem sou. Nem por um momento. Vou entender que ele nunca foi meu. Eu nunca fui dele. Sou minha. Deixei ele livre para voar. Mas, na verdade, abri caminhos para que eu voasse também.