Parcerias maravilhosas com duas psicólogas que conheci no Instagram

Se você acompanha a coluna do blog há um bom tempo, deve saber que eu sou jornalista e minha área de atuação é o jornalismo em saúde. Por isso, muito do que eu escrevo é pensado depois de apurações jornalísticas, pautas diversas e muito feedback das pessoas com quem trabalho e trabalhei. Desde que comecei a escrever reportagens sobre saúde, me interessava mais pelos temas de comportamento e saúde mental. Engraçado (ou não), a vida me levou a ter que entender, além dos motivos profissionais, o universo da saúde mental.

Por isso, sempre que possível, eu abordo nas minhas crônicas e nas postagens no Instagram o tema. Mas, como não sou especialista no assunto, tento encontrar profissionais que me ajudem a entender a parte técnica dos assuntos. Assim, nos últimos meses, me juntei com as psicólogas Andressa Mendes, de Brasília (DF), e Caroline Penques, de Lins (SP), para gerar um conteúdo bem legal no instagram. Enquanto Andressa é administradora do perfil @universodapsicologia, Caroline cuida do @elaborandocaminhos. Eu achei o máximo ‘entrevistá-las’, já que o mundo da psicologia/psiquiatria me fascina (e me assusta ao mesmo tempo). Eu me impressionei com o engajamento que as publicações alcançaram. De verdade, não sabia que existia tanta gente que gostava de ler sobre o assunto.

Vou deixar aqui as perguntas e respostas e uma galeria de fotos com todo o conteúdo que geramos juntas:

O amor que guardei para mim: Por que tanta gente acha que terapia é coisa de louco? De que forma podemos mudar esse pensamento?
Andressa Mendes: Muitas vezes, por crenças distorcidas que infelizmente são construídas com base no início da história da psicologia onde falava-se muito dos manicômios. Acredito que foi gerando cada vez mais esse tipo de preconceito. Eu perguntaria a quem diz isso: o que seria a loucura pra você?

OAQGPM: Qual a “mágica” que a terapia faz em nossas vidas?
AM: Na verdade eu chamaria de transformação. O psicólogo auxilia seu paciente a se redescobrir, autoconhecer, possibilitando que assim os acontecimentos diários sejam interpretados com mais clareza e menos sofrimento.

OAQGPM: Fazemos terapia “pra sempre” ou temos “alta” algum dia?
AM: Com certeza a alta é o que almejamos sempre para que nossos pacientes tenham mais qualidade de vida, depois que aprendem a caminhar “sozinhos”, com todo aprendizado e superAÇÃO.

OAQGPM: Por que as sessões de terapia são grandes responsáveis de reflexões profundas sobre nossa vida?
AM: Quando fazemos terapia estamos abertos a ouvir coisas que talvez não estivéssemos tão preparados, é como a Alice entrando no país das maravilhas, às vezes descobre fatos super empolgantes, em outras porém pode se deparar com buracos profundos, cicatrizes. Mas está ali disposta a enfrentar aquele mundo que ainda não conhece tão bem assim, em busca de autoconhecimento, em busca de melhorar enfim sua qualidade de vida.

OAQGPM: Tem gente que acha que o psicólogo não fala nada na consulta e que, por isso mesmo, não vale a pena “perder tempo” na terapia. É verdade?
AM: Sim! Existem milhares de profissionais, cada um com sua abordagem, personalidade, jeito de ser. Cada um de nós devemos nos apropriar da ideia de que eu devo ficar onde eu me sentir bem, a vontade, onde eu me encaixo melhor?! Portanto há pessoas que até preferem psicólogos que falem menos e ouçam mais, e não há problema nisso, porém é importantíssimo saber que não existem profissionais somente com esse perfil, eu por exemplo, falo deeeemais até, rs.

OAQGPM: Como podemos “convencer” as pessoas que achamos que precisam de terapia a baixar a guarda e procurar um bom profissional?
AM: Bem, na verdade não podemos convencer alguém a fazer algo, mas podemos mostrar a ela todas as vantagens que ela teria caso aceitasse esse lindo desafio. Costumo dizer que quando estamos doentes fisicamente corremos ao pronto socorro, mas quando a dor é psicológico nos achamos no direito de prolongar esse sofrimento, deixando pra cuidar da saúde mental quando literalmente estamos já à deriva.


O amor que guardei para mim: Por que as pessoas querem tanto mudar os outros?
Caroline Penques: As pessoas acreditam que o problema está nos outros, não nelas! Não conseguem enxergar que muitas vezes você mudando, a sua relação com o outro muda e tudo melhora. E na verdade quando você quer que o outro muda, você quer “ganhar” algo em troca disso, pois sua vida “melhora” de certa forma, parece uma preocupação, mas no fundo é um egoísmo, pois você não quer se mexer, mas quer que o outro vá lá e faça isso, por vocês!

OAQGPM: Por que as mudanças apenas são sinceras, em grande parte dos casos, quando a pessoa muda por ela mesma (e não pelos outros)?
CP: As pessoas quando decidem fazer algo para mudar, estão muito cansadas da vida que leva, muitas vezes sofrendo, com um sentimento de angústia. É o que nós (psicólogos) chamamos de processo de busca. É nessas horas que a pessoa começa a se mexer, ela está incomodada. No começo acha que as pessoas poderiam mudar, mas mesmo assim ela não estaria completa. Mesmo se o outro fizesse algo, ainda assim estaria insatisfeita, pois é algo dentro que tá ruim, vem lá do seu mundo interno, das suas vivências do passado. E é por isso que só tem sentido quando ela muda por dentro, pois aí sem essa angústia acaba e consegue ter uma vida melhor.

OAQGPM: De que forma o processo psicoterápico pode ajudar nas mudanças do ser humano?
CP: Eu costumo dizer que na terapia a gente se refaz, reescreve nossa história. É lá que você revisa quem você foi, como você é na vida, nas relações e decide quem você quer ser, é aí que começa a mudança, é quando você decide que tipo de pessoa quer ser, e a terapia facilita muito isso, com aceitação, proteção e continência, para o cliente se amparar nesse caminho novo, pois tudo que é novo dá medo!

OAQGPM: De que forma podemos nos machucar querendo tanto mudar o nosso próximo?
CP: As pessoas quando se sente incomodada com a vida que leva, quer mudar de qualquer jeito, está desesperada, e começa a achar que se o outro mudasse, ela ficaria bem, acredita que seus problemas estão na forma como o outro vive. Esquecem de olhar para si mesmo, não consegue se ver na vida. A preocupação em querer que o outro mude, pode ser infinita, pois isso só irá te desgastar. Você ficará nervosa, irritada, cansada e nada irá acontecer de fato, pois a mudança vem de si mesmo e não dos outros. Que loucura seria não olhar para si mesmo, não é mesmo?

OAQGPM: Como o nosso processo de mudança pode ser benéfico para as pessoas ao nosso redor?
CP: Quando você está tratada e bem com você mesma, consegue resolver melhor os problemas do dia-a-dia. Nos conflitos familiares, amorosos e entre amigos, pois eles já não te chateiam tanto e você se posiciona melhor na vida. Com isso as pessoas percebem o quanto está mudada, o quanto foi bom para você a terapia, passa a ser mais respeitada e mais ouvida, seus conselhos de hoje terão outro efeito. O segredo está em saber se posicionar na vida, quando você aprende isso, a maior parte se ajeita!

Não se culpe tanto assim por sentir raiva

Não podemos evitar que a raiva, vez ou outra, nos atinja em cheio (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Eu não sei você, mas sempre desconfio de quem, após engolir uma sacanagem alheia, não nutre raiva alguma pelo cidadão que lhe causou tamanho sofrimento. Geralmente eu olho meio de soslaio para aquele Dalai Lama na minha frente, semicerro os olhos e penso: ‘quer dizer então, bonito, que o senhor não sente vontade, nem um pouco, de que o indivíduo leve uma topada no meio da rua e arranque o samboque do dedão?’. Por dentro me sinto pessoalmente ofendida, por fora apenas observo e aceno.

Eu realmente devo ter passado direto na fila dos ‘evoluídos’ na hora de descer à Terra, uma vez que é incrível a quantidade de pessoas que se dizem tão indulgentes a ponto de esquecer – e perdoar – com uma facilidade incrível as maldades que cometem conosco. Eles perdoam até mesmo quando a outra parte nem faz questão do perdão. Pelo contrário, está esperando só mais uma oportunidade para errar novamente. E eu aqui, pensando, vez ou outra, como seria bom se o mundo girasse e os malfeitores pagassem por todas as pilantragens que fizeram comigo.

É isso, meus amigos, vivemos na ‘ditadura’ dos condescendentes. Ninguém mais pode sentir uma raiva que logo é enxotado para fora da bolha dos misericordiosos.

Vou provar minha tese. Reunida com uma amiga num café, escutava ela falando sobre como se sentia magoada com as atrocidades que um indivíduo havia cometido contra a pobre. Cada vez que ela desatinava a verbalizar sua raiva em forma de desejos – benignos – de revide, se corrigia e logo tratava de se justificar. Como se fosse muito errado sentir sede de vingança. Como se a vilã fosse ela por tramar, nem que fosse apenas em sua mente, uma represália. Como se precisássemos digerir nossos sentimentos com a velocidade de um processador ligado na última potência e logo esquecer os acontecimentos.

A cada justificativa, eu assentia com a benevolência de uma mãe. Até que eu enchi o saco de concordar e tratei logo de mandar a real: bora, minha filha, você não precisa se justificar por se sentir assim. Nem se sentir absurdamente constrangida por desejar o mal a quem também lhe fez mal. Estranho seria se você sentisse vontade de mandar flores.

Eu entendo que nos sintamos um pouco desconfortáveis com o fato de nutrir sentimentos conflituosos em relação a outra pessoa, uma vez que, na maior parte das vezes, esse desgaste só faz mal a quem sente. Perdoar faz bem e é uma maravilha, mas perdoar à força, por imposição da sociedade, é engolir um abacaxi sem casca.

Nós insistimos em dizer que não deveríamos sentir o que sentimos porque os outros dizem que tais sensações são moralmente erradas. É como se a opinião de todos importasse, menos a nossa dor. E o que fazemos com ela enquanto ainda dói? Jogamos no lixo enquanto ainda faz parte de nós? Descartamos a todo custo sem que tenhamos esmiuçado cada pedacinho para entender e visualizar cada aresta da nossa mágoa?

Por que precisamos nos desculpar toda vez que sentimos raiva e, nas nossas conjecturas, esboçamos mil planos de punir quem nos ‘atacou’? Se a raiva, assim como o amor, é um dos sentimentos mais primários do mundo? Não podemos evitar que ela, vez ou outra, nos atinja em cheio.

A diferença é para onde iremos direcioná-la. Tem gente que vai pintar um quadro, outros vão correr quilômetros nas academias. Tem gente que desconta na sessão de terapia. Há quem esmurre o travesseiro ou jogue o celular na parede. Outros vão escrever um livro, como eu, por exemplo. (Tudo passa, esse amor vai passar também / À venda no instagram @oamorqueguardeiparamim)

Ninguém precisa ser bonzinho o tempo todo. Tá liberado pintar o sete em pensamento. E também não é obrigado bancar a Madre Teresa de Calcutá e sair distribuindo perdão sem olhar a quem. Os processos precisam ser respeitados. E eles costumam ser, para muitos de nós, dolorosos. Levam tempo e, neste caminho, rolam muitas lágrimas.

Mas, como tudo na vida, a raiva também costuma passar. Mas somente se escolhemos não alimentá-la. Por isso, não a ignore, mas também não dê tanta comida. Um dia ela morre de fome.

Resenhas literárias de Tudo passa, esse amor vai passar também

Quem acompanha o blog deve saber que o meu livro (Tudo passa, esse amor vai passar também) é uma produção independente. Por isso, a tiragem foi bem pequena (apenas para colecionadores rsrs) e eu não tive como presentear algumas pessoas queridas, uma vez que os exemplares são contadinhos. Quem acompanha o blog, também deve saber da luta que é a divulgação da minha obra. Faço tudo sozinha – desde o marketing até o processo final das vendas. Dessa forma venho procurando mil e uma formas de divulgar o meu projeto, que foi pensado com tanto amor e carinho. Ainda bem que, neste caminho, venho encontrando pessoas maravilhosas que apoiam minha ‘causa’ e me ajudam a lançar meu ‘filho no mundo’. É o caso de algumas meninas lindas que se dedicam ao chamado ‘instagram literário’.

Como eu não tenho condições de enviar um exemplar para cada instagram literário, ofereço a versão digital do livro, o que faz com que muitas pessoas ‘desapareçam’. Mas, até agora, duas meninas maravilhosas abraçaram minha obra e fizeram lindas resenhas literárias que aqueceram meu coração ainda inseguro sobre a qualidade do meu livro.

A primeira foi a Karla Lima, do @seguelendo, uma conterrânea muito fofa que fez questão de apoiar meu projeto assim que eu propus enviar o livro nas condições em que podia. Karla, apesar de não ler muito o gênero crônica, logo me presenteou com uma resenha que elevou a mil minha autoestima, risos. E ainda me incentivou a criar o perfil da obra no Skoob. Vem conferir a resenha dela:

Depois de muito tempo, apareceu a oportunidade de ler um livro de crônicas! E já dando spoiler do que eu achei: amei! “Tudo passa, esse amor vai passar também”, da autora Malu Silveira, nasceu depois de quase dois anos de publicações de crônicas em coluna na internet. Foi assim que o blog “O amor que guardei para mim” virou livro.

A coletânea de crônicas “Tudo passa, esse amor vai passar também” traz 20 textos – dez publicados e dez inéditos. Os temas são diversos e passam por experiências pessoais da autora e de pessoas próximas, vivências dolorosas, superação, relacionamentos.

A cada crônica temos uma abordagem bem humorada e gostosa de ler. Lemos sobre amor, inclusive o próprio, doença, fé e resiliência. Ao final dos textos temos as datas em que foram publicados e notamos uma evolução na escrita. São textos que, tenho certeza, ajudaram muitas pessoas e que, com a publicação do livro, irão ajudar muitas mais.

Nas obras, Malu fala conosco. É como se escrevesse para cada leitor. São desabafos, são críticas, são conselhos. São boas crônicas. Curtinhas, você vai lendo uma a uma e quando vê, acabou o livro.

Outro ponto: o livro. Ele tem detalhes lindos. Frases em Lettering, que deixam a impressão de que você pode destacar e colocar em um quadro para ficar olhando sempre que precisar. Gostei muito. Fazia tempo que não lia crônicas e fiquei feliz em poder retornar com essa leitura tão boa.

Já a segunda a me presentear com uma resenha linda de morrer foi a Bia, do @meus2literário, uma fofa que leu meu livro em tempo recorde. Fiquei muito feliz quando ela me disse que leria meu livro de qualquer maneira. Tanto que nem se incomodou em ler pelo celular. Vem conferir a resenha dela:

Vocês já tiveram a sensação que foi o momento certo para ler algum livro? Eu tive isso essa semana, quando a Malu Silveira me presenteou com seu livro: Tudo passa, esse amor vai passar também.
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O livro é dividido em 20 crônicas, dez já publicadas e dez novas, abordando diversos temas, mas principalmente sobre amor de todas as formas, sempre enfatizando o amor próprio. Através de suas experiências, muitas felizes, algumas dolorosas, mas sempre transformadas em textos tocantes, Malu encanta com sua jornada de aprendizado, autoconhecimento e amadurecimento.
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“ Confiava que o melhor de nós inspira o que há de mais bonito no próximo.”
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Um livro curtinho, mas que diz tanto e é muito para quem já amou, ama e amará. Precioso sobre um sentimento que diz tanto sobre quem somos,que nos molda e nos traz tantas lições no meio do caminho. Simples, mas tão verdadeiro. Informal, mas totalmente leve.
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“ Felicidade é parar de acreditar que ela só está no fim da estrada e simplesmente aproveitar a viagem.”
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Aquele livro que inspira, compartilha e abraça apertado, compreendendo o que todo mundo vive. Mas, acredite no que a Malu diz: “Se tudo passa, esse amor vai passar também.”

Tem como ficar mais grata? Tem não! <3

Quer ajudar quem precisa? Exerça a escuta atenta

Imagem de coração laranja pendurado (Foto: Pixabay)
Você pode ser a pessoa que fica no meio de tanta gente que preferiu ir embora (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

Nos últimos dias você provavelmente deve ter visto através das redes sociais uma notícia informando que a partir de agora o número 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV), é gratuito para todos os estados brasileiros. Se espalhou que nem fofoca que devemos repassar essa informação para que assim ajudemos a combater o suicídio. Como uma ávida interessada neste assunto – por motivos pessoais e profissionais – e voluntária do serviço, não pude deixar de reparar que seria tão bom se nos dispuséssemos a ajudar quem precisa de apoio emocional na mesma medida em que compartilhamos tantos serviços de utilidade pública como se apenas isso já fizesse uma grande diferença.

Sim, parece radical o que estou falando. E é mesmo. Se eu te disser que, no mundo, a cada quatro segundos uma pessoa tenta tirar a própria vida, você vai acreditar? Ou seja, dependendo da velocidade com que você lê um texto, no mínimo uns três indivíduos decidiram interromper sua caminhada neste plano enquanto você lia essa crônica meio crônica meio reportagem. Já no Brasil, uma pessoa comete suicídio a cada 45 minutos. Façamos a conta. Quer dizer, faça você que eu sou de humanas. Mas rabiscando rapidamente. É mais de um ser humano por hora. Quando chega o fim do dia, foram mais de 30 pessoas que apagar suas luzes aqui na Terra. Partiram com elas tantos sonhos, planos, conquistas, virtudes e desejos.

E você aí achando que postar frases feitas convidando as pessoas a divulgarem o número gratuito já está mais do que perfeito. Pronto, fiz minha parte. Fez nada. Quer dizer, fez um pouco, mas falta muito ainda. E eu vou te dizer o porquê de faltar tanto assim.

Não adianta compartilhar mensagens de divulgação de um serviço tão bonito se você não se importa em escutar quem está do seu lado. Uma pessoa que muito provavelmente está definhando por dentro. Não faz sentido abrir os olhos para notícias “interessantes” da internet e fechá-los para quem enfrenta uma batalha interna e precisa da sua ajuda. De muito pouco vale incentivar o compartilhamento dessas notícias de você nada faz para ser parte essencial no tratamento de alguém que enfrenta enorme sofrimento psíquico.

Falo isso porque já estive dos dois lados dessa luta. Tentar sobreviver às dores da alma e da mente. E tentar a todo custo agarrar alguém que está afundando nos seus próprios pensamentos. Há que ser forte. Nas duas fronteiras. Nessa batalha, você precisa se posicionar. Não deveria ter a opção de ser um mero espectador. Porque as pessoas estão morrendo! Todo dia. Todo s-a-n-t-o dia. Enquanto estamos tão ocupados vivendo nossas vidas, postando nossas selfies, compartilhando nossos momentos “históricos”, registrando nossos stories. As pessoas estão decidindo acabar com seu sofrimento interrompendo suas vidas. E muitas vezes assim o fazem (te digo isso com toda a certeza) porque não têm colo de mãe. Ou conforto de pai. Ou ombro de amigo. Salvo as exceções “insalváveis”, tem gente preferindo morrer porque se sente só. Mesmo rodeada de pessoas. É solidão que fala, né?

Seja parte ativa na corrente que luta pela prevenção ao suicídio. Se o nome soa forte demais para você, então troque para “em prol da saúde mental”. Se eu te disser que uma pessoa emocionalmente doente tem o poder de contagiar quem a rodeia, você acreditaria? Pois é verdade. E você, se tirar um tempinho do seu dia para investir em apoio ao próximo, estará contribuindo para uma sociedade mais psiquicamente saudável. Você pode, sim, fazer a diferença. E sabe o que é melhor? Custa um total de zero reais ajudar quem está cravando uma batalha interna.

Se você ainda está em dúvida como pode ser útil neste processo, eu vou acabar com todos os seus questionamentos agorinha mesmo. Você pode ser ouvidos atentos, olhos compreensivos e mãos carinhosas. Pode ser gestos simples, mas profundos. Pode ser o motivo para uma caminhada no parque ou uma ida ao cinema.

Você pode ser uma conversa demorada no telefone. Mas sem julgamentos ou impaciência. Pode ser aquele que sempre cede porque tem condições emocionais de relevar os deslizes de quem enfrenta momentos de fragilidade. Você pode optar por escutar até o fim, sem interromper ou arranjar soluções que parecem óbvias e perfeitas na sua visão. Você pode ser um mero “escutador”. Por mais que pareça inútil, ser alguém que escuta tem um grande valor.

Você pode ser a pessoa que fica no meio de tanta gente que preferiu virar as costas e ir embora. Você pode deixar de se preocupar apenas com os seus problemas do cotidiano e tentar ser de grande utilidade para quem, além de suportar os pepinos do dia a dia, ainda precisa aguentar os monstros da mente. Que vem sem ser chamados e só vão embora quando sentem vontade. Você pode deixar de fingir que se importa e de fato se preocupar de verdade. Eu digo de v-e-r-d-a-d-e. Deixando os preconceitos de lado e compreendendo as dores dos pacientes psiquiátricos.

Não é frescura. Nem preguiça. Nem falta de Fé. Nem de coragem. Muito menos de roupa suja para lavar. Posso te afirmar com toda a certeza deste mundo – e de todos os outros desse universo – que não é piti de gente que muda de humor direto. Nem é muito menos falta de vontade. Gente, é dor real. De verdade mesmo. Consome, corrói, suga as energias por dentro.

Apenas um telefone gratuito para acudir quem clama por socorro não é a solução para tantos males. Nós precisamos olhar mais pelos outros. As escutas precisam ser atentas. E antes de tudo, empáticas.

Está precisando de apoio emocional? Ligue 188!

Relembrar o passado é sofrer duas vezes

Parece fácil dizer para aproveitar o momento, quando até o passar dos ponteiros do relógio é sofrido para alguns (Foto: Pixabay)

Texto originalmente publicado no Portal NE10

É inevitável que levemos para casa as vivências que passamos no ambiente profissional. E existem alguns ofícios que, apesar de penosos, nos trazem lições de vida diariamente. Esse é o meu caso. Posso não ter muita grana na conta bancária, mas acumulo inúmeras riquezas nesses bons (e poucos) anos como jornalista. Não tem nem um mês tive a oportunidade de ser escalada para uma pauta (para quem não entende do vocabulário ‘jornalístico’, pauta é quando somos direcionados para certo acontecimento a fim de produzir matéria sobre o tema ou acompanhar repórter que fará a reportagem) no Hospital da Mirueira, em Paulista. Engraçado como a gente pode aprender tanto, sobre tanta coisa, num só dia.

A começar, aprendi que não importa quão bem você conheça a região onde mora, sempre haverá um rincão pelo qual você nunca sequer imaginou passar um dia ou nunca ouviu falar da existência. Segundo, por mais adulto que você seja, algumas situações sempre te farão voltar a ser criança. Pode ser comida de avó, cheiro de terra molhada ou aquelas viagens de carro que pareciam intermináveis e que você insistia em perguntar: “Já está chegando?”. Terceiro, se você encontrar uma roda de jovens senhores conversando sobre a vida, não perca a chance de sentar por perto, assim, como quem não quer nada. Pode ter certeza que você sairá dessa experiência cheio de aprendizados na mala.

Na minha ingênua (e errônea) percepção, o local ficava no extremo ponto contrário de onde de fato está situado. Já devidamente localizada, nunca imaginei que passaria tanto tempo dentro de um carro se nem sequer sai da região metropolitana. Matuta que sou, consegui ficar enjoada e melhorar das náuseas no mínimo umas três vezes antes de chegar ao destino – e vale ressaltar que na volta também. E o pior, não importava quantas vezes o motorista afirmasse que “estava chegando”, o local parecia ainda mais distante. Sim, é a vida nos mostrando que podemos viver diversas aventuras antes mesmo de concluir a rota.

A unidade é referência no atendimento aos pacientes de hanseníase. Em outros tempos, quando a doença, carregada de preconceito, ainda era chamada de lepra, o hospital servia às recomendações do Serviço de Profilaxia e funcionava com uma verdadeira microcidade. Dessa forma, os acometidos pela doença viviam totalmente isolados do resto da sociedade. Até hoje, antigos pacientes ainda vivem nas vilas construídas. Durante toda a tarde, acompanhei um senhor que viveu no hospital nos tempos de outrora. Ali ele constituiu família e, mesmo curado, continuou trabalhando nas dependências do complexo hospitalar. A cada história que ele contava, eu reafirmava uma certeza: quem na vida passou por muitas dores é quem mais tem algo a nos ensinar.

Enquanto esperava o repórter terminar seu levantamento de dados, aproveitei para fazer um chamego num gato que perambulava entre alguns antigos moradores que conversavam na frente de suas casas. Aproveitei e pedi licença para me abrigar com a patota. Com o entardecer, outros vizinhos foram se juntando e, ao perceber que eu era figura estranha no pedaço, compartilhando suas histórias. Não havia um que não carregasse alguma sequela física da doença. E mesmo assim todos estampavam sorrisos marotos – mesmo ao contar suas piores agruras ao longo da vida.

Eu queria demais ter esse ânimo diante das crises. Como seria incrível se conseguíssemos passar pelas tempestades com a vivacidade de quem consegue enxergar e seguir atracado ao lado bom das dificuldades. Qual é a fórmula? Como alcançam essa proeza? O que fazem para nunca desanimarem diante dos fatos? Onde recarregam as boas energias? O segredo está na dieta? No ar que respiram? Nas orações que fazem na calada da noite?

No desespero de tentar entender o caminho, questionei os ‘jovens’ senhores. Após recordar com os amigos de suas estripulias na juventude, seus grandes feitos na estadia no hospital, suas histórias de família, suas conquistas pessoais, o líder do grupo respondeu sem titubear:

– Mas para que eu vou ficar recordando das coisas ruins que passei? Relembrar o passado é sofrer duas vezes…

Talvez seja esse um dos nossos principais erros. Não faço ideia das artimanhas que eles usam para seguir firmes e fortes aproveitando o que o ‘hoje’ tem de bom para nos dar. Mas fiquei pensando, no longo caminho da volta, que os verdadeiros sábios são aqueles que conseguem essa façanha.

Eu já esbarrei nos mais diversos discursos, mas poucos me atingiram de forma tão profunda. Me parece tão fácil dizer que devemos viver no presente quando nossa trajetória nunca se mostrou complicada. Que precisamos viver um dia de cada vez quando os dissabores se perpetuam ao longo das horas. Que devemos aproveitar o momento, quando até o passar dos ponteiros do relógio é sofrido para alguns.

Viver apenas o presente. Uma missão para os fortes, é o que eu diria. E ali, ao enjoar mais um tantinho de vezes no percurso de volta, olhando o sol se por pela janela do carro, fiquei pensando: quando eu crescer quero ser igual a eles… vou tentar não mais recordar o passado. Quem sabe esse é o segredo para viver de verdade.

*Você sabia que O amor que guardei para mim virou livro? Isso mesmo! Na metade de maio lancei minha primeira obra: Tudo passa, esse amor vai passar também. A publicação reúne 20 crônicas – dez publicadas ao longo desses dois anos de parceria com o portal NE10 e dez textos inéditos. Quer saber mais? Só acessar o instagram do blog (@oamorqueguardeiparamim) ou mandar um e-mail para mim no maluspmelo@gmail.com.